les beaux esprits toujours se rencontrent


"Qu'est-ce donc que j'ai cru être ci-devant ? Sans difficulté, j'ai pensé que j'étais un homme. Mais qu'est-ce qu'un homme ? Dirai-je que c'est un animal raisonnable ? Non certes : car il faudrait par après rechercher ce que c'est qu'animal, et ce que c'est que raisonnable, et ainsi d'une seule question nous tomberions insensiblement en une infinité d'autres plus difficiles et embarrassées, et je ne voudrais pas abuser du peu de temps et de loisir qui me reste, en l'employant à démêler de semblables subtilités. Mais je m'arrêterai plutôt à considérer ici les pensées qui naissaient ci-devant d'elles-mêmes en mon esprit, et qui ne m'étaient inspirées que de ma seule nature, lorsque je m'appliquais à la considération de mon être. Je me considérais, premièrement, comme ayant un visage, des mains, des bras, et toute cette machine composée d'os et de chair, telle qu'elle paraît en un cadavre, laquelle je désignais par le nom de corps".



(...) António José Saraiva, imbuído da ingenuidade típica dos neófitos da nova moral -à data de 1960 - acreditava então que, apesar de tudo, a amoralidade maquiavélica teria constituído um progresso em relação à velha moral. E isto é perfeitamente lógico, já que, à luz da nova-moral, a velha moral é uma imoralidade, uma moral perversa. Nesse sentido, não será difícil preferir a amoralidade à imoralidade.
Todavia, mais que preparar o terreno para a nova moral, o maquiavelismo -isto é, a amoralidade renascentista -, mina-o, armadilha-o, dissolve-lhe as fundações. Pior: transforma-se nelas. Ao refundar a moral com base na "luz da razão" contra a "treva da tradição", o Iluminismo apenas mistifica e embruma: na verdade, planta-se sobre o maquiavelismo, nele se enxerta e frutifica. Desde então, a razão mais não serve que de pódio e trampolim à vontade. E a ciência, em larga medida, conforma-se a assento para as alcatras e respectivas vazões do Poder. Exactamente na proporção em que o trono da regra se resume a mero penico da lei.
Da ausência de fundamento real germinarão todos os fundamentalismos inerentes aos sucessivos "renascimentos morais". A retórica política tentará sempre compensar o vazio ontológico. O Ter a Verdade eclipsará, metódica e perversamente, o Ser da Verdade. A busca cederá lugar à usura.
Se três séculos de exuberante comprovação empírica não chegam, venham mais três milénios!...
E tudo começa em Maquiavel, que, por incrível que pareça, não consta que fosse protestante nem tivesse andado a ler Kant?...(...)

A ler, na íntegra, no Dragoscópio

Pour les promenades de fin d’après-midi à la campagne
les deux anglaises
"Ce qui fait donc que de certains esprits fins ne sont pas géomètres c’est qu’ils ne peuvent du tout se tourner vers les principes de géométrie ; mais ce qui fait que des géomètres ne sont pas fins, c’est qu’ils ne voient pas ce qui est devant eux, et qu’étant accoutumés aux principes nets et grossiers de géométrie, et à ne raisonner qu’après avoir bien vu et manié leurs principes, ils se perdent dans les choses de finesse, où les principes ne se laissent pas ainsi manier".

philo- via




piloto-automático e aeromoça




E não se esqueça, mesmo que já seja famoso e acalente o sonho secreto de baptizar terminal de aeroporto, siga o exemplo do Joaquim -


Quando blogar, pense com moderação!!!

[Et voilà aussi un petit peut de métaphysique pour télécharger et faire du jogging au bord de la mer]

Obrigada aos autores e aguardemos por regresso
a pérgulinha à porta de casa

Não é com vinagre que se apanham moscas




















Ted Noten, Ted and Pearl
via





Um bilhete de Adriano Moreira para a NOVA ÁGUIA e para o MIL...






Depois de muitas escaramuças internas, provas de solidariedade de famosos segredadas ao ouvido e outras tantas expectativas face aos apoios de grandes personalidades públicas acerca das petições do MIL- Passaporte e não retorno de clandestinos- a Nova Águia conseguiu finalmente arrancar um depoiamento ao líder político nº 1 do famosíssimo projecto.

Há-de ser pousio; ou talvez mergulho.
Deixemos-lhe aqui um pequeno ânimo virtual


E viva o Paulo Cunha Porto!

A Reforma

Corria o ano de 1533, a Europa encontrava-se ameaçada pela ruptura política e religiosa. A França cercada por Carlos V; Francisco I a ameaçar a derrota que tivera no Sul; a Igreja perante a eclosão do cisma anglicano. Henrique VIII é excomungado ao divorciar-se para casar com Ana Bolena. Thomas More encontra-se preso.
Científica e filosoficamente a visão do cosmo medieval é posta em causa pelos triunfos da experiência. A par das teses heliocêntricas de Copérnico, gravitam as de Lutero, enquanto Erasmo de Roterdão prefere a distanciação de uma crítica irónica num Elogia da Loucura.

Hans Holbein, Os Embaixadores, 1533

Hans Holbein (1497-1543), pintor germânico, tornar-se o retratista da corte inglesa. As suas simpatias pelos ideais da Reforma eram conhecidas mas o cepticismo em relação à condição humana parece tê-las sobreposto quando pintou o quadro dos Embaixadores.
Num ambiente hierático, quase hiper-realista, o hiper-texto imbrica-se numa das mais eruditas Vanitas do género. O jovem núncio do Vaticano- Georges de Selves, encontra-se em Londres (o pavimento é o da abadia de Westminster) com o diplomata francês, Jean de Dinteville, de formação têm uma missão secreta a cumprir, impedir que o monarca da Velha Albion rompa com A França católica, favorecendo o avanço do Império.

O gabinete onde posam para este retrato de status e poder é um gabinete de curiosidades científicas.

Na mesa de tampo duplo dispõe-se, em dois andares, os objectos-signos do quadrivium- Ao alto, um globo terrestre, instrumentos astronómicos, livros e um relógio solar.
Em baixo, um globo celeste, um esquadro, um compasso, um alaúde e dois livros. Um deles a Aritmética dos Mercadores de Petrus Apianus (1527). Do lado do bispo, um erudito amador da Reforma que falava eloquentemente o Alemão, o Gerangbeiclein de Johann Walter, publicado em Wittenberg, no ano de 1524, aberto no coral de Lutero.




















O laicismo de todo este saber é ameaçado por outros detalhes. Uma corda do alaúde- objecto dos exercícios de perspectiva científica e instrumento da harmonia musical, encontra-se quebrada. No chão, uma mancha disforme, colocada em cima dos azulejos da abadia de Westminster, ameaça todo o rigor e verdade da que ali se enuncia. Por trás dos embaixadores, a composição é fechada por um cortinado.

Desde a Idade Média que os panejamentos tinham essa função- velavam o só se dá a conhecer pela revelação de uma visão sagrada.
No canto superior esquerdo, um crucifixo, quase invisível liga-se, na diagonal, à disformidade anamórfica e o que estava oculto torna-se subitamente bem claro- uma caveira torna-se bem visível, trazendo a morte como destino de todos os poderes e saberes que se tornam vaidades.

O gabinete de curiosidades também é a câmara escura da pintura- o trompe-l’oeil da arte do engano anamórfico mais não é que a chave dos indícios que se escondem para melhor serem decifrados.
O silêncio impôs-se para que o logos, que a Ciência não comporta, enuncie a vanidade de todas as certezas- a Verdade única é Deus- só Este permite a redenção.

O "Gabinete da verdade está fechado mesmo aos santos e aos sábios" como disse Agrippa na "Declamação acerca da incerteza, vaidade e abuso das Ciências e das Artes",
Erasmo de Roterdão, de quem Holbein era profundo admirador também já o havia enunciado a loucura dos sábios:
«confessa Jeremias: Todos os homens — diz ele no capítulo X — tornaram-se loucos à força de sabedoria. E atribui a sabedoria somente a Deus, deixando aos homens a loucura como predicado. Um pouco antes, diz ele: O homem não deve gabar-se da sua sabedoria. Mas, porque dizeis isso, oh santo, oh divino oráculo do futuro? É porque (assim me parece ouvi-lo responder) o homem não tem nenhuma ideia do que é a sabedoria»

As Luzes

Passaram mais de dois séculos; William Hogarth critica a contínua dependência da arte e modas cortesãs inglesas de França. Pela sátira vai tomando o pulso à sociedade e política da época, fazendo da gravura e da pintura autênticas charadas onde as picardias pessoais se misturam com um distanciamento mais cáustico do mundo que o rodeia.

The Election IV Chairing the Member, 1754-55 by William Hogarth © Bridgeman Art Library / Courtesy of the Trustees of Sir John Soane's Museum, London

A propósito das Eleições de Oxfordshire, onde jacobitas e oligarquia Tory conseguem suplantar a rivalidade pelo oportunismo, corrupção e compra de votos. Os resultados acabaram por ser contestados enquanto o próprio Hogarth fazia as pinturas e gravuras. Daí que na última- a da marcha triunfal do Tory vencedor, na gravura que se seguiu, um dos limpa-chaminés acaba a ser alvejado por um tiro do macaco que aparece na desordem, numa alusão à uma refrega dos Wighs com os Tories, quando os primeiros já estavam convencidos da vitória.

É precisamente este último quadro, de leitura complexa, da qual não existe unanimidade entre os estudiosos, que Hogarth invoca também as velhas vanitas, agora acompanhando os novos paradigmas das luzes.

As lutas partidárias haviam reduzido a descrédito o próprio sistema governativo e a alternativa para muitos só poderia vir de um patriotismo que estivesse acima das facções corruptas. Após a morte do príncipe Frederico, a esperança de união patriótica encontrava-se noutro príncipe de Gales- o futuro George III- Hogarth, era também esse o lado do próprio pintor, assim como o de George Bubb Dodington- o vencedor que acaba de ser eleito- com uma carreira política cheia de altos e baixos, mudanças e quedas- tal como aquela que está em vias de acontecer no quadro.

As ideias em que se sustentam vêm das teorias pensador e político Bolingbroke que, para além do espírito do patriotismo unificador, também era um forte adepto do empirismo Lockiano e um deista que acreditava na possibilidade de se provar a existência de Deus pela razão.

A marcha triunfal do Tory é uma paródia aos triunfos romanos sobre os bárbaros, nos quais sobrevoa uma águia por cima do herói. Aqui feito ganso, mais apropriado à situação- tal como o grasnar dos que auguravam os ataques dos bárbaros.

Os desacatos rebentam na frente do cortejo; a porca de Gadarene, investe na multidão, atira com uma mulher ao ar e está em vias de se precipitar, juntamente com os porquinhos, da ponte abaixo. A populaça que eleva a cadeira de um político, é a mesma que a logo a seguir a destrói mal este toma assento no poder. A velha balada patriótica do The Roast Beef of Old England- transforma-se num “The Roast Pork of Old England, /Oh! The Old English Roast Pork”.


A alusão ao Jew Bill- acta de legalização dos judeus estrangeiros, que apoiavam a facção jacobita e que havia passado no Parlamento, apesar da forte contestação popular e do partido conservador, mas que acabaram por capital já tinha acompanhado as anteriores figurações do Entretenimento Eleitoral, adquirem nesta final o sentido mais alegórico. Liderando este cortejo de pantomina, segue um pobre judeu cego, a tocar violino- o louco do “Arcano Sem Número”* atira-lhes as sortes- a morte entra na "dança" e a todos iguala, neste palco de vaidades e imposturas.








No muro da Igreja é ela que assiste trocista ao destino mundano: uma caveira com os ossos cruzados, colocada em cima de um livro, é adornada pelo limpa-chaminés com uns óculos.










Na parede um relógio de Sol inclui a inscrição WE MUST [die all]; PULVIS ET UMBRA SUMUS [não somos mais que pó e sombra]. Existem boas razões para se supor que Hogarth invocou aqui todo um sistema de Razão divinizada e científica, feita Verdade em lugar de Deus.

Esta exercício pictórico já não se desenrola numa “câmara escura” – tudo na estética de Hogarth aponta para o dinamismo, ordenado por um equilíbrio, onde a óptica é a ciência que acrescenta verismo a todos os pequenos apontamentos, mesmo os mais mascarados- A filosofia de John Loche em pleno casamento com a ciência newtoniana

A única realidade acessível é dada pelos sentidos- aqui figurados nos cheiros dos sais que reanimam a rapariga que teve o chilique, o paladar da gula do urso que devora restos de comida de uma vasilha; no tremendo chinfrim que ecoa na cena. O livro em que assenta a caveira deve ser a óptica de Newton, em sintonia com empirismo lockiano que já se tinha tornado “bíblia” dos jacobinos e maçons (com os quais Hogarth tinha ligações, apesar de inconstantes- a própria caveira dos ossos cruzados já fazia parte da simbologia maçónica).

Newton já tinha sido comparado a um Deus, ao ter decifrado as leis do Universo; Desaguliers dedicara-lhe poemas onde aplicava a teoria da gravitação universal, à filosofia política. A acção da vontade divina expande-se da mesma forma que o centro solar irradia ordem a todos os planetas e cometas- a monarquia limitada pela qual as Liberdades, Direitos e Privilégios nos são garantidos.

A chave da vanitas completa-se na melancolia que estes sinais de morte e sombra invocam- O relógio solar inverte-se- tornando-se trevas; o silêncio impõe-se, o que antes parecia riso e troça torna-se melancolia soturna.

Mas, agora já não é Deus que está do outro lado. Empirismo filosófico e racionalismo científico tinham-se fundido- a Verdade suprema tornou-se Razão- o caos e desordem deste palco deve-se a credulidades vãs- A harmonia é da ordem da Razão científica e nela já não há lugar para revelações por via da fé.

* A ideia do “Arcano sem Número” deve-se a um feeling imediato do nosso amigo z, que nada sabia do que este quadro tratava.
Consultar:
Para Hans Hobein-
. Jurgis Baltrusaitis, Anamorphoses ou Thaumaturgus opticus,Flammarion, Paris, 1984
. Omar Calabrese, “intertextualidade em pintura. Uma leitura de Os embaixadores de Holbein” Como se lê uma obra de arte, Lisboa, Edições 70, 1997
Para William Hogarth:
. AAVV, Hogarth Election Entertainment. Artists at the Hustings (exposição do Museu de Sir John Soane- 23 Março- 25 Agosto 2001), An Apollo Magazine Publication, London, 2001 (Elizabeth Einberg, The grand Finale: Newton reigns supreme. An interpretation of the setting of Chairing the Member, pp. 8- 11)
. Ronald Paulson, Hogarth- vol.3- Art and Politics 1750-1764), The Lutterworth Press, Cambridge, 1993.
ver também: aqui
The Works of William Hogarth: Containing One Hundred and Fifty-nine Engravings, Por William Hogarth, John Trusler, 1821

(a ideia da vanitas no quadro do Hogarth é hipótese nossa).

Ainda a propósito do poder afrodisíaco do pecado, nada como recordar as bocas do nosso “ encapuchado "

"Ce texte doctrinal, qui reprend les propositions d'un synode (assemblée) des évêques réuni en octobre 2005 sur le thème de "l'eucharistie", réaffirme également l'interdiction pour les catholiques divorcés et remariés d'accéder à la communion, à moins qu'ils ne s'engagent à vivre avec leur nouveau conjoint "comme amis, comme frères et soeurs".


portanto meus meninos, a partir de agora, dormir em camas separadas e nada de convites pecaminosos

caramba, toda esta ambiguidade e perversão devem ser deliciosas


posted by @ timshel-5:22 PM - Trento na Língua, Março, 2007

Como dizia Aristóteles, todos os elementos procuram o seu lugar natural.
Bernardus Parmensis (commentateur),Decretales-direito canónico, c. 1260-1280, Veneza









Por esse motivo, na Idade Média era costume representar-se a falta de tino com acrobacias desbocadas.
Quando o que devia aquecer em baixo, aquece em cima- o mais provável é passar a pensar-se com as partes gagas.





Je sais que la Poésie est indispensable,mais je ne sais pas à quoi.
Et selon vous?



Têm por patrono o Agostinho da Silva mas ainda querem Passaporte Lusófofono com clandestinos de tráfico de porão, em projecto alternativo à UE?

via Despastor














76% Царя с сырьем из Черного моря...
Просто отлично!

{reposição da Janela Indiscreta com acrescentos}


Malditos sejais, e tu, e tu também!
Pobres de vós, homens de pouca fé

Malditos sejais, hipócritas!
Malditos sejais, pois que não acreditais em mim.

...Maldito seja todo aquele que não tem fé,
Pois só aqueles que têm fé entrarão no Reino dos Céus.

Já não há milagres hoje em dia...

Sabe em que é que eu acredito?
Que acontecem muitos pequenos milagres invisíveis.

Deus ouve as nossas preces, mas concede os seus favores ocultamente.

Reuni os pedaços. Que nada se perca.

Tu homem de fé, nem tu próprio acreditas. As pessoas crêem no Cristo morto,
Mas não no Cristo vivo.

O que é que não suportais em nós?
-Primeiro essa treta da conversão.
-Depois essas caras amarguradas
-Depois essas caras amarguradas
-Vocês são os Cristãos alegres e folgazões,
Enquanto nós somos as almas graves e melancólicas.
Mas se é um cristão alegre, porque anda sempre com esse ar tão triste e solene?
Eu sinto-me livre e contente, sei que Deus me receberá no Paraíso.
-Enquanto as pessoas como nós estão condenadas aos tormentos eternos do Inferno,
não é?

O Senhor com a ampulheta e a segadeira...

O próprio Deus desceu até nós,
Com a sua segadeira e a ampulheta.
Não, não, isto é uma loucura...
E, contudo, quem pode distinguir a loucura da razão?
-Está a ficar mais próximo de Deus
Só precisa de dizer a palavra.

Anda à procura de uvas no meio dos espinhos e não dá atenção à vinha que tem junto de si.

Tu, criança, deste mundo!

...apesar de ser assim, não os faz. Os milagres são contra-natura. Ele não pode contrariar-se a si mesmo.
É tudo tão sem sentido! Tão inútil!

...vou partir, haveis de procurar-me mas para onde eu vou, não podeis vir...

Porque é que vós todos tão crentes tendes tão pouca fé?


A criança... a criança é o mais importante no Reino dos Céus

Concede-me a Palavra...

Este é na verdade o Deus antigo, o de Elias, eternamente o mesmo

agora a vida começa...
... a vida, sim...
a nossa vida...


Foi há 15 anos (29 de Julho de 1988). Foi n'O Independente. Texto sobre Ordet (A Palavra) de Carl Th. Dreyer. E eu escrevi, sobre a sequência da ressureição de Inger: «No cinema não há nada mais fácil do que conseguir um milagre. Todos sabem que a actriz que está a fazer de Inger não está morta e que ressuscitá-la depende apenas de uma ordem do realizador. Mas o prodígio [...]é fazer-nos acreditar que, na verdade, vimos um milagre e vimos um corpo ressucitar em toda a glória da vida [.... A única vez que vi isso acontecer [...]foi neste filme. Se me disserem que é cinema, eu respondo que não é, não.»
Foi no domingo passado, 22 de Outubro de 2000. Não foi no cinema. Foi em Sintra. A Leonor morreu. E todos sabíamos que a Leonor não estava a fazer que estava morta e que ressuscitá-la era impossível. Mas, dez minutos depois, vimos um milagre e vimos um corpo morto ressuscitar em toda a glória da vida. E a única vez que voltei a ver isso acontecer foi no domingo. E se me disserem que é a vida, eu respondo que não é, não.
Ordet. Leonor. Deus.

João Bénard da Costa, Os filmes da minha vida. Os meus filmes de vida, 1º vol. Lisboa, Assírio & Alvim, 2003.

Quem não chora não mama




Os três textos que se seguem são da autoria de um ateu militante; um gay militante e um pastor evangélico, acompanhados dos respectivos bodes, veados e cordeiros.
Identifique o pastor certo para cada um.



Pastor A

Se há coisa de que um cidadão americano está a salvo é de ver o dinheiro dos seus impostos entregue a uma igreja “oficiosa”, que pode nem ser a dele, e de ter direitos e regalias diferentes conforme pertença ou não à tal igreja “oficiosa” (inclusive ser regido por leis diferentes). E isso acontece ao cidadão português. E isso acontece porque a igreja romana, qual sanguessuga, está agarrada, de forma mais ou menos evidente, conforme a época histórica, ao Estado português.



Pastor B

O proselitismo é uma tara exclusiva da evangelização a que as religiões se dedicam. Chegam ao ponto de baptizar crianças recém-nascidas sem o mínimo respeito pela autodeterminação religiosa das pessoas, entrando em concorrência pela hegemonia, sem hesitarem no recurso à guerra.(...)
Pode considerar-se tolerante uma igreja que exige uma concordata que reserva para si privilégios que nega às outras religiões? Que pretende servir-se das escolas públicas para se promover? Que reservou direitos para a sua Universidade que nenhuma outra, particular, possui?



Pastor C

A ICAR não está obrigada a obedecer a muitas das regras que as outras organizações a actuar no país estão, a Concordata, acordo entre o estado português e o Vaticano, garante-lhe uma infinidade de privilégios e desobrigações para com o estado. O estado português não tem qualquer poder de decisão dentro da ICAR, e é obrigado a aceitar nomeações da ICAR na função pública (capelões do exército e hospitais são funcionários públicos escolhidos pela ICAR), ao passo que a ICAR rejeita a proibição de discriminação em função do género na hora de formar os seus padres. O estado não se mete na política da ICAR, mas a ICAR mete-se continuamente nas políticas do estado.


Resultado: (11/7)
Por falta de comparência não há rena para ninguém.
O prémio ovelha deste Quiz, vai ser entregue ao nosso amigo Despastor, com a seguinte resposta:


«Creio que face às opções, a melhor solução para um rebanho é mesmo um pastor gay evangélico, pois dá-se o caso de terem um bom paleio para ir distraindo as ovelhas dum pasto que está a ficar cada vez mais empobrecido e, por outro lado, serem muito cuidadosos a tratar da lãzinha. E pode ainda ser que os lacinhos afugentem os lobos.»


A propósito, ou melhor, a despropósito, quem está cada vez mais fofo é o bloguinho dele.







O Prémio cabra vai inteirinho para o caríssimo CCz, mas nem dizemos porquê.


Enquanto não chegam as barbadinhas


















Cortesia do caríssimo Professor Denzil Dexter, grande fã do artista

A não perder, o post do José a propósito das memórias proibidas

«(...)
Como é que alguém se pode admirar que no Portugal do séc. XXI, em 2008, as mesmas forças coligadas ( PS, PCP e Bloco mais Verdes) se oponham à mostra pública, em museu local, da figura que para os mesmos representou o período mais negro da nossa vida comum e política do séx. XX?

A reabilitação de uma imagem denegrida durante décadas de democracia, pelos supostos adeptos de um pluralismo político que afinal se verifica não respeitarem, ficará sempre prejudicada enquanto essa mesma Esquerda, continuar a vituperar de "facistas", "reaccionários", saudosistas e outros epítetos assassinos da credibilidade politicamente correcta, relativamente a quem se atreve, por mínimo que seja, a evocar o nome do defunto no Vimieiro.
Não para o elevar à honra do altar democrático, em que o mesmo nunca acreditou, mas apenas para avaliar a obra e as palavras e principalmente o seu tempo que também foi o de muitos de nós que ainda o viveram de modo diverso dos adeptos da Esquerda.

No entanto, esta mesma Esquerda, não suporta a mínima tentativa que seja, de recordar seja que aspecto for, do passado do Estado Novo e que saia do âmbito prè-definido e politicamente correcto que o atira para a giena da História. Nada menos do que isso.
»

Ler na íntegra, no Da Loja ,com mais recortes de arquivo

OOOOOH...LES AMÉRICAINS...AARRGH!
Anda o Joaquim muito atarefado à cata do bom espírito lusitano, que parece ter dado à sola, depois do ataque guerreiro quinhentista.
Pois bem, para uma problemática tão hegeliana, nada como remeter as jaquilinárias às suas origens carismáticas.
Aqui fica o testemunho de outro que também se transviou.
E pior, este nem precisou de ler Martin Page; bastou-lhe seguir a femme blanche.
{reposição da Janela Indiscreta}

Corria o ano de 1927, quando Paris recebeu o grande chefe Águia Guerreira, ex-combatente sioux e caçador de bisontes no Arizona.
Durante uma semana de fama (ou infâmia), o bravo guerreiro torna-se a coqueluche da cidade das luzes. Desdobra-se em apertos de mão a centenas de parisienses excitados com o inesperado exotismo e, demonstrando um invejável fair play, vai concedendo entrevistas aos inúmeros paparazzi que o acediam. No meio deles encontra-se o repórter da Ilustração Portuguesa a tentar a difícil sorte.
Para nossa felicidade, quando já dava por perdido o furo jornalístico, o bravo chefe é acometido de uma inesperada solidariedade e brinda-o com a disputada entrevista.
Aqui ficam passagens destes momentos de glória e espanto do nosso repórter.

Comenta o jornalista:
“Águia Guerreira» chama-se também, perante o registo civil de cidadão americano, o senhor Malies. Que tristeza pensar que o pai do valente caçador de bisões se chamava «Garras de Falcão», e a mãe, «Luar da lua cheia»! Mas o americano é impiedosamente legalista e crismou o nosso amigo com um nome tão prosaico, como poderia ser entre nós, Fernandes, Sousa ou Soares”

A entrevista lá vai decorrendo num misto de francês “americanado” entre lusitano e moicano. Depois de discorrer acerca do exótico colar de dentes de bisonte do chefe guerreiro e este lhe ter explicado por mímica, acompanhada de punhal e gritos inquietantes, que os desdentados animais não ficaram para contar memórias, a consciência política do nosso jornalista desperta. Dispara-lhe então a pergunta fatal: — gosta dos americanos?...

— Gosto mais dos cães!!... — diz sombriamente o sioux com o desprezo a escorrer-lhe dos lábios.

Daqui em diante confirma-se como já na época a cultura europeia possuía um charme a que nem um rijo Pele Vermelha era capaz de resistir.

Diz o índio: Paris encanta-me, mas o porteiro do hotel, quando eu cheguei de madrugada, começou a gritar, de joelhos, que não lhe fizesse mal. Agora já é meu amigo!...
Prossegue o repórter — Começo a procurar um assunto palpitante e lembro-me do Texas Jack da minha infância, dos sacrifícios a Manitú ali descritos e vou falar de religião, da religião deles... Mas por uma espécie de telepatia, o Pele-Vermelha adianta-se ao meu desejo e diz:

— Não volto à América senão mais tarde, para festejar com a família um grande dia...um dia sagrado para mim... O do nascimento do Menino Jesus.


Caio das nuvens!... Então o selvagem fetichista...

— Veneramos muito este dia, como data alegre, assim como, no dia da ressurreição de N. S. Jesus Cristo estamos todo o dia de joelhos, sem tomar alimento... Já meu pai era fervente católico e meu avô também... Só o meu trisavô é que ainda adorava o sol, a lua, as estrelas... Nós não... o que não temos é igrejas. Realizamos as orações ao ar livre, sob as vistas do Senhor!... É melhor...


Estou perplexo e depois dum grande silêncio pergunto-lhe das suas viagens:

—Já dei umas três grandes voltas pela Europa. Conheço a Espanha, a Itália, a Checoslováquia, a Suíça, a Alemanha, a Bélgica, Bulgária, Suécia e Noruega. Agora estou em França. Gosto de Paris... e as parisienses são bem bonitas. De resto todos têm sido amigos para mim...

Acabara a entrevista. Lera-o nos olhos de Águia Guerreira, quando ele falara das parisienses. Era a hora da saída das empregadas dos armazéns...
Oh cinzas de Manitú, oh manes dos grandes chefes Mohicanos.”

..............................................
Ilustração Portuguesa, 2º Ano, nº45, Novembro, 1927.

Pede-se desculpa aos caríssimos leitores mas fomos obrigados a activar a moderação de comentários.
Apareceu por aí uma alimária a largar poias por tudo quanto é sítio. Ora nós gostamos muitos de monstrinhos e animaizinhos, mas não propriamente de papagaios nonós, disfarçados de fernandos doutorados e afirmando-se com as quotas em dia na secção do PSD de Coimbra.

Os avatares a semente de girassol que criem mais um blogue ou peçam alojamento às personalidades públicas que por aí andam.
Com sorte, ainda podíamos ver um destes nonós, atrelado ao ombro de um representante da “ingenharia” de esquerda, a dar colorido olfativo a uma qualquer quadratura televisiva.

Até lá, fica aqui o retrato robot do animal.


















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Nota:
Em menos de uma hora esta alimária conseguiu largar 103 poias. Ficam aí umas bostas para amostra. Estas últimas ainda fediam mais e já incluíam "piropos" a outros bloggers que muito estimamos.
Como o musaranho diz que não lhe pagam para fazer de faxineira, pedimos desculpa aos caros frequentadores habituais do estaminé, mas vamos encerrar os comentários.

zazie



Opossum ou sarigueira? (cadeiral da sé do Funchal, c.1516-17)

No Tratado das Ilhas Molucas, redigido entre 1536-38, o autor (muito provavelmente o próprio Duarte Galvão, que foi governador do arquipélago) descreve um destes marsupiais (as filandras): «umas alimárias que parecem furões, alguns tanto mores; chamam-se cusos, de rabos compridos, com que se dependuram das árvores em que de contínuo andam, dando com ele uma volta ou duas no ramo; têm na barriga um bolso, com antresolho; desde que pare, cria ali o filho em uma mama...».