A propósito do exame de Inglês do nosso (ainda) Primeiro



Roubado ao Carlos da GL

os espigões no ar, carregado o sangue
em baixo.
orquídeas a caminhar com as cabeças cruéis,
por trás dos ossos escorregava o mel negro,
a fulva devassidão mamífera,
imprimiam nas áreas actuais suas passagens
leves, delirantes, quadrúpedes, obscuras,
franjas tremiam,
uma aura amarela equilibrava o espaço animal,
um buraco de respiração, braçada de odor,
rápido.
rompiam o sono, as espadanas transparentes na pele,
uma lua transpirada,
mexiam-se pela alvura varrida,
cravados quando aplainado o ar na película,
cerimónia fervilhando de poro
na sombra, balanço ritual dos êmbolos,
a combustão dos pelos perfurando as cabeças,
coar do tempo gota
a gota, café cerrado, e depois
tubos de pedra onde o som ferve
e a qualidade ligeira e forte da matéria se transvia

Herberto Hélder, Poesia Toda

Um blogue que se diz meu afilhado à força, por o ter obrigado a registo nos comentários e que eu desconhecia.

Os comentadores do Cocanha são assim, fazem estas pequenas preciosidades às escondidas e nem dizem nada a ninguém.




viva o evolucionismo pós moderno!











Luigi Serafini, boas vacas para cobrição

Não tem nada a ver mas apeteceu-me.É dedicado a uns comentadores de caixinhas, muito afeiçoados do Blasfémias

















Henri Chopin, Graphpoemachines, 2006




Amphibians poltranicus




Espécie lusa muito em voga. Criação de laboratório derivada da qabbalah simplex. Animal ecológico, recicla pequenos dejectos caseiros; não requer mudança de águas.

Mas é necessária uma causa!
Bouvard duvidava das causas. — Do facto de um fenómeno suceder a um fenómeno conclui-se que dele deriva.
Provem-mo!
— Mas o espectáculo do universo denota uma intenção, um plano!
— Porquê? O mal está tão perfeitamente organizado como o Bem. O verme que cresce na cabeça do carneiro e o faz morrer equivale como anatomia ao próprio carneiro. As monstruosidades ultrapassam as funções normais. O corpo humano podia ser mais bem constituído. Três quartos do globo são estéreis. A Lua, esse lampadário, nem sempre está visível! Julgas o Oceano destinado aos navios e a madeira das árvores ao aquecimento das nossas casas?
Pécouchet respondeu:
— No entanto, o estômago é feito para diferir, a perna para caminhar, o olho para ver, embora tenhamos dispepsias, fracturas e cataratas.


Gustave Flaubert, Bouvard e Pécouchet, ed. Cotovia, Lisboa, 1990.























escafandro de Karl Heinrich Klingert, 1797


[o neologiismo é da autoria do "nosso" pastor do deserto]

O piloto automático dá lugar ao louco; a barca prossegue viagem







Para apanhar o que cai pelo rombo, resta ir espreitando aqui e aqui










Nave dos Loucos em chamas, Hieronymous Bosh, c, 1500 Museu do Louvre

O Pedro Arroja anda a fazer umas incursões muito afoitas, em território da nossa História.

Vale a pena seguir alguns debates, a propósito do mítico liberalismo do Marquês de Pombal- com pertinentes apontamentos do “nosso” anti-comuna nas caixinhas de comentários.

O que ainda tem mais piada é o silêncio dos especialistas, que se limitam a espreitar e rosnar ao lado.



Nos próximos dias a navegação ficará a cargo do nosso piloto.



É provável que durante a Primavera a "postagem" também se torne mais espaçada, pois novas caçadas às gárgulas nos chamam.
Até já

zazie e musaranho coxo






No Blasfémias:
descoberta pascal de última hora










Marranos (judeus secretos de Belmonte, Portugal) celebram a Páscoa judaica no sótão. Foto de Frédéric Brenner (1989) - retirada da Rua da Judiaria.
CAA às 16:52 Muitas heresias (36)



Agora que já houve uma pequena mas temerária investida felina sobre a mourama, folguemos com a chalaça filosófica



[da série- o Cocanha feito pelos seus provocadores]

A Ciência é incapaz de se pensar

[da autoria do nosso comentador Antónimo, referida ali, nos comentários]

Relendo os bobos na corte do Conde de Sabugosa*...

«Gostava muito el-rei D.João III de um preto crioulo chamado João de Sá Panasco; fez-lhe muitas mercês e deu-lhe o Hábito de Santiago. Assistia sempre à mesa de el-rei diviertindo-o com a suas galanterias, e apodando os fidalgos com grande graça. Um dia apodando a todos não fez caso de um filho de certo desembargador do Paço, que também ali estava, o qual de o não agradar como aos demais, lhe perguntou: E eu, Panasco, que vos pareço? Olhou-o ele por cima do ombro, e respondeu-lhe: Vós pareceis-me Fidalgo; dando a entender que o não era. Riram-se todos e o apodado ficou de maneira que antes não ter falado»


(*Citação de Pedro José Supico, Colecção Política de Apotegmos ou ditos apudos e sentenciosos, 1720)





Caríssimos leitores

Corre por aí o boato da possibilidade de confirmação da regressão dos espécimes blogosféricos, o que é pura má-fé - desculpem o pleonasmo, já que a fé é, por natureza, de má índole.

Pois bem, para provar a falsidade da atoarda e fazer frente à ofensiva criacionista evangélica, que ameaça bloquear o progresso científico, acabo de ser convidado para o cargo de figura parda do temerário blogue do reino animal .

Sem querer estragar a surpresa, posso desde já adiantar aos leitores que, a partir de agora, quando por lá navegarem, para além do habitual rato, deverão também ter sempre um pedaço de queijo bem próximo do monitor.

Um grande bem-haja a Darwin e outro à intrépida cientista Palmira Silva que me dirigiu o convite, no seguimento deste manifesto .

Contamos com o vosso contributo; não se esqueçam do queijo- de preferência um bom brie de Melun.