o meu afilhado heterólogo fez jus ao nome.



Então não é que se antecipou ao resultado das nomeações e já açambarcou um pensador para a cristaleira do óle de entrada...


E ainda tem o desplante de pedir beijoca

[a imagem é toda dele ]




as memórias do José, na Loja da Esquina













Imagem é retirada da revista Flama de 7.3.1975, via Loja da Esquina























Laurina Paperina, 2005

Aqui fica uma prendinha. Foi sem a sua ajuda, mas espero que goste.

[caso contrário despedimo-lo]


Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.
E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

Camilo Pessanha

zazie e musaranho coxo


A inefável Câncio, sembre na brecha -ou na fenda, ou na greta, conforme preferirdes-, insurge-se, mais uma vez, contra o protocolo de Estado. E insurge-se com toda a razão. Faço minhas as palavras dela: «Um documento recheado de salamaleques bolorentos, de "Senhoras de" : "a Senhora de Jaime Gama", "a Senhora de Cavaco Silva", "a Senhora do Doutor Jorge Sampaio", "a Senhora do Doutor Mário Soares", mais "as senhoras dos anteriores primeiros-ministros".»
Se faz algum sentido levaram para um local e cerimonial daqueles as senhoras. É lá sítio para senhoras! Fosse eu um dos eleitos da nação, digo nacinha, e levava mas era as putas. E o Caguinchas, até parece que estou a vê-lo, a mesmíssima coisa. Se não ficava um documento muito mais catita: "a puta ucraniana do Dragão", "As putas brasileiras do Engenheiro Caguinchas", a "brochista a dias de César Augusto", e etc e tal. Aos actuais dignitários, uns pusilânimes timoratos sem emenda, já não peço tanto. Mas ao menos que levassem as amázias. No mínimo, as vaginas de ocasião, ou descartáveis afins. Se não ficava mais bonito, escutem só: "a vagina do Engenheiro Sócrates". Ou então, caso uma tal creditação anatómica soasse a tradicionalismo bolorento, a "goela". A "goela de Fulano de Tal". A "mãozinha marota" ou o "divino nalguedo de Sicrano da Silva"; quiçá a "buraquinho mais apertado de Beltrano de Azevedo". Já para não falar na "dominadora de Coiso da Cunha", ou na "regadora dourada do Doutor Fifi Qualquer da Fonseca". Enfim, todo um mundo de variantes protocolares mais modernas e viçosas que, quanto a mim, era da maior urgência implementar. Quanto ao Cardeal, esse malandro, o protocolo podia talvez consignar "a luva preferida do Cardeal". Talvez assim a fernanda já não se escandalizasse tanto com a sua sacramental presença (...)



é ir lá a correr, ler o resto...




Pois é, metem-se a cismar com marranos e depois queixam-se que lhes fizeram ninho atrás da orelha.



Quando, afinal de contas, tudo isto podia ter sido evitado, se tivessem lido um livrinho que explica a síndroma de que padecem- ganharam preconceito chomskyano no cérebro.
Para a Zazie é bem-feita, já devia ter aprendido comigo. Formei-me todo pelos Reader's Digest, como aquele outro filósofo do musicóle. Até se pode ouvir o ar a passar- sou uma mente simples mas arejada; não há pencudo nem lobby que se me pegue.

Pelo Dragão

Dia da Carochinha

Da Nação fizeram Nacinha.
Por via de Revolução?
Não,
por via de revolucinha.

Do farão ficou farinha.
Cabe dentro dum caixão?
Não,
cabe dentro duma caixinha.

Da intenção restou sentencinha.
Trataram do povão?
Não,
trataram da vidinha.

E a Grande Marcha (do Pogresso) ficou murchinha.
Perderam a tesão?
Não,
perderam a espinha.

Salvou-se a corrupção agora rainha.
Venderam-se em leilão?
Sim,
e mais à puta da alminha.

Mais um para o lado de Lutero

Com um passado obscuro que inclui pentecostalismo, a heresia do Salão do Reino e uma presença assídua nos comentários deste blogue, o Nuno Fonseca é promovido a blogger protestante do estabelecimento.
Dá-lhes, Nuno.

Tiago Cavaco
posted by @ 10:01 AM

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At 12:05 PM, cbs said…

Salão do Reino?
em tempos conheci uma manicure, charmosa e romântica (a quem eu me confessava :)
Ana Francisca... creio que era aí que trabalhava



Mas só lhe dá o verdadeiro valor quem se habituou a conquistá-la.

Os filhos da democracia e da ditadura do politicamente correcto desconhecem a liberdade.

Aprenderam apenas a arrumar meia dúzias de questões em sacrossantos dogmas e, outras tantas, em palavras de infâmia.

Qualquer ambiguidade provocatória, destinada a estimular o pensamento, deixa-os desnorteados. A manutenção do status quo passou a ter força de "lei", num tempo em que ninguém luta por ideais.

Um homem livre, norteado por ética e com capacidade de repensar as suas próprias ideias, não é aceite por tribos. Mesmo quando essas tribos têm como lema a blasfémia, como a melhor arma contra a bovinidade

Seis meses e meio depois de muita iconoclastia, Pedro Arroja tornou-se persona non grata e deixou o Blasfémias .

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Adenda:25/4/05

Como já é público, aqui fica outro nome para o sucedido: purga maoísta. Com reincidência oportunista e mesquinha

Você, JCD? Você que se conluiou com o CAA, a Helena Matos e o Gabriel para me coarctarem a liberdade de expressão?

Pedro Arroja 25.04.07 - 2:39 pm #

Histórias
21.04.2007, Vasco Pulido Valente

No dia em que nasci, 21 de Novembro de 1941, Hitler ocupava quase toda a Europa e o exército alemão estava a alguns quilómetros de Moscovo. Franco tinha liquidado a República e Salazar mandava em Portugal. Ainda me lembro, distintamente, de ouvir a voz do Führer (ou de Goebbels?) na telefonia e das senhas de racionamento. Quando cresci, a guerra continuava viva na pobreza geral, nos livros, nos jornais, nas conversas da família. Sou, em primeiro lugar, um filho desse tempo. Do tempo dos julgamentos de Nuremberga, de Londres bombardeada (que cheguei a ver) e das revelações (de resto, vagas) sobre os campos de extermínio. Mas também o tempo do "existencialismo", dos caveaux de Saint-Germain e do new look de Dior, que não deixou de aparecer numa Lisboa estupefacta e remota.
Nunca perdi a memória ou os sinais desse princípio, que foi, por assim dizer, a minha introdução ao mundo. A guerra fria veio complicar as coisas. Em Portugal, a existência da ditadura impunha, na prática, a escolha de um único lado. Não se podia ser contra os comunistas pela razão primitiva e óbvia de que o regime perseguia e prendia os comunistas. Não houve ninguém, ou quase ninguém, com um resto de consciência moral, que, numa altura ou noutra, não caísse neste buraco: o buraco sem fundo do "antifascismo". Sair dele era mais difícil e muitos só saíram muito depois do 25 de Abril.
Por mim, gastei esforçadamente uma dúzia de anos no trabalho inglório de varrer a tralha política e teórica da minha cabeça. É uma parte da minha vida que se estragou e que não volta. Sou um filho da guerra fria.

A democracia portuguesa trouxe uma exagerada esperança de reforma e decência. Ao começo, mesmo a seguir ao PREC, nada parecia impedir que se fizesse um país, sem a miséria, a corrupção e a complacência do costume. Por isto e por aquilo, não se fez. Portugal conservou os seus velhos vícios, sem adquirir novas virtudes. Na minha última encarnação sou, prosaicamente, um filho da democracia falhada. Como escreveu o homem, a velhice é um naufrágio. Comigo, um naufrágio que às vezes não acho exclusivamente pessoal. Mas são com certeza momentos de megalomania. A verdade é que já não pertenço a esta história. O meu interesse é forçado, a minha presença é, pelo menos para mim, gratuita. Mas, por enquanto, não há remédio senão persistir.




e daquela horta onde até as alfaces rejubilam...

":O?









“aí se vêm as alfaces, os pepinos, as beringelas, os quiabos, os pimentos, as courgettes. Não se vêm o feijão verde, as cenouras, os tomates, o mangericão, as cebolas, nem as ervilhas, favas e rabanetes (já colhidos), as batatas (grande desastre), os coentros (pequeno desastre), a couve galega, os fisális...”










Quoi? Quoi? Tout le monde, quoi?... Pourquoi?... Le monde... le monde!... Bête!... Le monde... D'habitude... Mais... Je pense...

Bing tiddle tiddle BANG
Bung tiddle tiddle bang
Bung tiddle tiddle tiddle tiddle tiddle
Bung tiddle tiddle BONG
Bung tiddle tiddle bing
Bung tiddle tiddle bang
Bing (tiddle tiddle)
Bang (tiddle tiddle)
Bong (tiddle tiddle tiddle tiddle)
Bang bong bing (tiddle tiddle)
Bang (tiddle tiddle)
Bong bang (tiddle tiddle tiddle tiddle)

Bing tiddle tiddle BANG
Bung tiddle tiddle bang
Bung tiddle tiddle tiddle tiddle tiddle
Bung tiddle tiddle BONG
Bung tiddle tiddle bing
Bung tiddle tiddle bang
Bing (tiddle tiddle)
Bang (tiddle tiddle)
Bong (tiddle tiddle tiddle tiddle)
Bang bong bing (tiddle tiddle)
Bang (tiddle tiddle)
Bong bang (tiddle tiddle tiddle tiddle)
Bong bang (tiddle tiddle tiddle tiddle)

Bing tiddle tiddle biiiiiing...




...e, acima de tudo, demonstra muito maior polivalência.



Andávamos todos muito escandalizados com as promiscuidades entre o poder e as graduações à Independente, onde se fabricam engenheiros e primeiros de aviário. Isso não é nada, comparado com a forma como lá do Alto, os pastores brasucas cobram os expedientes.

Ora digam-me lá se isto não são autênticas pechinchas.

O mais caro é o doutoramento em Divindade- 1.800,00 reais.
Basta colocar os dígitos certos do seu cartão visa e pode comprar outras sabedorias igualmente úteis:

Um curso de Namoro e Casamento, por apenas 100 reais.
Pagando o dobro, pode optar pelo pacote da especialidade em Anti-Drogas & Apocalipse e Profecia, ao preço da uva-mijona e ainda lhe sobram trocos para os charros.

Para os mais somíticos, arranjam-se boas opções em livro. Deixo aqui dois palpites que me pareceram os mais úteis:

o livrinho do Pecado e Santidade do Sexo, por 15 Rs; apenas pelo dobro, tem a antevisão da 3ª e 4ª Guerra Mundial- um caso único de best seller por bola de cristal.

É tudo obra benzida e com certificado de garantia. Aproveite mas não exagere. Já dizia S. Bernardo que o saber em excesso incha, ou parafraseando Nelson Rodrigues- Deus me livre de ser inteligente.

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[Foi graças às insónias do cbs que dei com este portalzinho tão elucidativo]

O maradona e os comedidos do chazinho blogosférico. A ler enquanto está online

Esta questão do código de conduta da blogoesfera tem cá um interesse que não vos digo nem vos conto. Daniel Oliveira e Pedro Mexia prestaram declarações à TVNet sobre esse magno problema, que divide nações. Daniel Oliveira acha que os blogues devem estar sujeitos às regras que já existem para o resto da nossa vida: a lei e a consciência. Pedro Mexia, pelo contrário, acha rigorosamente o mesmo.


Espero ansiosamente por novas trocas de ideias, talvez mesmo um Prós e Contras. Tenho já, a esse respeito, umas propostas alinhavadas, que a Fátima Lima, perdão, a Fátima Campos Ferreira, querendo, poderá aproveitar. De um dos lados do estúdio sentar-se-iam as pessoas com a opinião de Daniel Oliveira e Pedro Mexia, ou seja, a totalidade da população portuguesa. Do outro, Joaquim Jorge.


Não sabem quem é Joaquim Jorge? Joaquim Jorge é um blogger do Clube dos Pensadores. Tomei contacto com Joaquim Jorge e o seu inefável blogue através da mesmíssima reportagem em que ouvi o Daniel Oliveira e o Pedro Mexia.


Joaquim Jorge devolve-nos os seus pensamentos num sotaque impecável, que é uma mais valia em si. Para além disso, e sobre a magna questão, Joaquim Jorge acha que nos blogues "tem que haver algum respeito, e maneiras".


Enquanto me esforçava por pensar no que é que Joaquim Jorge quereria dizer com isso do "respeito" e das "maneiras", fui atropelado pelo seu pensamento seguinte, que reproduzo, palavra por palavra: "acho que deve haver opiniões mas com argumentos responsáveis e válidos".


Com o devido "respeito", mas talvez sem "maneiras", Joaquim Jorge é maluco. E se não é maluco, é parvo. Quer então dizer que eu agora vou ter que explicar com "argumentos responsáveis e válidos" porque é que sonhar com um mundo (blogoesférico ou outro) em que só se permitam opiniões "com argumentos responsáveis e válidos" é, muito sinteticamente, uma loucura?


Não estou, naturalmente, para isso. Diz Joaquim Jorge mais adiante, com grande consternação, que já teve que "retirar alguns comentários" do seu blogue "porque tinham impropérios" e ele é "contra isso".


Diga-me cá, oh Quim, o que você queria era apagar este post, não era? Está assinado com pseudónimo, emite uma opinião sem argumentos (quanto mais "argumentos válidos e responsáveis"...), contem os impropérios "maluco" e "parvo", tudo num tom geral de uma enorme falta de "respeito" pelo cidadão Joaquim Jorge.... tudo apagadinho, era isso, não era?

[pequeno acréscimo para o relatório Kinsey]

Um dos grandes debates medievais prendia-se com a questão de se saber quem tinha ensinado sexo a quem.
Ou seja, o sexo era uma javardice e prova da nossa animalidade mas com quem a aprendemos era a grande dúvida.
De acordo com a tradição dos estudos bíblicos, tinha sido a serpente a responsável pelo ensino do coito à Eva. O problema mais íntimo consistia na forma como se dera a aprendizagem. Seria verdade que a serpente tinha mesmo desflorado a Eva, ou apenas lhe havia dado "umas dicas" daquela arte de imitar a bicharada?

Santo Agostinho foi dos primeiros a advertir para o perigo da interpretação literal, sob pena da bestialidade se ter antecipado na história do sexo.

É claro que saber-se quem havia inventado a brincadeira tinha grande importância, se não pedagógica, pelo menos no que toca a alguma originalidade mais racional.

Clemente de Alexandria foi dos que mais combateu esta hipótese de imitação animalesca por parte do casal primordial. Se assim fosse, quase ficaria demonstrado que mais valia que os eleitos tivessem sido “macacos”. Ele não dizia bem assim, mas a ideia era essa. Se os mestres fossem os bichos e os humanos os discípulos, a natureza humana era delegada irremediavelmente para segundo plano na Criação.

Para melhor defender a ideia, Clemente de Alexandria exagerou na humanidade do sexo. Lembrou-se da Midrash Judaica que contava a história ao contrário. Tinha sido Adão e Eva quem ensinara a bicharada a fornicar!
Clemente era um naive; pensava até que era por essa razão que os animaizinhos faziam sexo de modo muito semelhante aos humanos.

Está claro que não foi esta a tese que predominou na Idade Media, quanto mais não fosse, porque a sodomia e as posições contra natura eram condenáveis e seria mais difícil mudar os hábitos da bicharada, que contrariar os maus costumes dos pecadores.

A questão acabou por ficar mais ou menos arrumada entre a irracionalidade e a concupiscência dos instintos que, no dizer de S. Tomás de Aquino, transformava o homem numa autêntica besta.

Na volta, quem acabou por apanhar com as culpas foram os animais.
Alberto o Grande, por exemplo, ainda se deu ao trabalho de caracterizar estas diferenças de coito. E chegou à conclusão que os bichos eram muito mais ruidosos nesses momentos de êxtase. Dizia o grande teórico que, nessas intimidades, os humanos até são muito mais discretos, racionais e comedidos...

Sendo assim, os que o não eram, tinham excesso de animalidade dentro do corpo. Não tardou muito para que se procurassem exemplos desses exageros em certas alimárias mais expansivas. As ursas então, coitadas, ainda ficaram com pior fama, à custa daquela lenda que as crias nasciam incompletas, por causa dos exageros de desejos das mães que nem prenhes acalmavam os calores...

Mas essa história fica para outra ocasião.

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[até porque este post é apenas uma resposta ao nosso conselheiro poético. Um poema é um poema, é um poema, diz ele, mas ainda não pagou os 5 euros à porca do musaranho]

Paolo Ucello, Pecado Original, (det), 1432-36, fresco, Claustro de Igreja de Santa Maria Novella, Florença.

Consultar: Joyce E. Salisbury, The Beast Within. Animals in the Middle Ages, Routledge, Londo, 1994.

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My heart seeks eternity:
from chaos to cosmos.

Glowing flames
illuminate dark cities,
masses move
into silent darness.
into silent darkness. -

We go!
We go!
Fighting death,
fighting death,
wordless wrath expands
and we are being extinguished. -
I, you, all of us.

-
Srecko Kosovel
Traduzido por William S. Heiliger



Hans Richter

A propósito do exame de Inglês do nosso (ainda) Primeiro



Roubado ao Carlos da GL