«Je me suis assise à l'ombre de celui qui était l'objet de tous mes désirs, et son fruit était doux à mon palais (Cant. II, 3).»

Elle s'était, en effet, avancée vers la lumière du midi où l'Epoux fait paître son troupeau, mais elle s'est vue refoulée, et elle n'a plus trouvé que l'ombre au lieu de la lumière, et un simple goût, à la place de la satiété. Elle ne dit pas à l'ombre de celui qui était l'objet de tous nos désirs, mais «Je me suis assise à l'ombre de celui qui faisait l'objet de tous mes désirs. »

Elle n'avait point recherché son ombre, mais l'éclat du midi, la pleine lumière de la pleine lumière.

S. Bernardo, Sermão para a Natividde da Bem-Aventurada Virgem Maria

O judeu como homem selvagem, em combates silvestres com os animais.
Ou uma representação festiva dos combates judengas vicentinas, acompanhadas de danças de espadas, idêntica às reminiscências das tradições carnavalescas da Ribeira Brava, na Ilha da Madeira, ou às festas açorianas da Terceira.

As danças mouriscas e as judengas foram inicialmente tradições populares, incorporadas nas festas citadinas e nas procissões do Corpus Cristi.
Com a expulsão dos judeus no reinado de D. Manuel e conversão forçada dos que permaneceram no reino, transformam-se em sátiras aos costumes judaizantes dos marranos. Para tal, adoptam-se teatros dos ciclos carolíngios (auto de Floripes e auto da Turquia), simulando-se combates entre cristãos e hereges, até à derrota e humilhação destes últimos.

Na salva, os figurantes estão vestidos de homens silvestres, combatendo diversos animais com diferentes armas: o arco do simbolismo da queda adâmica, associado aos centauros; a espada da tradição festiva e a lança com que o selvagem que enfrenta o leão.
Esta versão peculiar da judenga silvestre aproxima-a de uma inversão da cristianização do tema dos combates de Hércules contra o leão de Nemeia, colocando em desafio o rugido demoníaco com a barbárie do falso converso.

[clicar na imagem para ver completa]
salva de prata dourada, marca de Lisboa, datada de c. de 1500
Consultar
aqui
Ver também: Tomaz Ribas, Danças populares portuguesas, Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Biblioteca Breve, 1ºa Ed., nº 69, 1982
José Sasportes, História da Dança em Portugal, Lisboa. Gulbenkian, 1970.
A propósito de selvagens, consultar este post

Da arte da onirocrítica

“ acerca dos que sonham com loucura e estado de embriagues”

Estar louco resulta favorável para os que iniciam um projecto, pois em qualquer assunto que empreendam não é possível deter os loucos. Sobretudo, é propício este sonho para os que querem ser demagogos, governar as massas e para os que aparecem em público, pois obtêm maior acolhimento. Também é proveitoso para os que querem dedicar-se ao ensino, posto que os jovens tendem a seguir os dementes. Assinala também que os pobres estarão melhor providos de bens, porque o louco recebe de toda a parte. Anuncia saúde para o enfermo, porque a loucura incita a mover-se, ir de uma lado para o outro e a não estar prostrado como os doentes.
Estar embriagado não é positivo, nem para o homem nem para a mulher, pois é sintoma de uma grande insensatez e obstáculo aos seus empreendimentos; certamente que a embriagues é a causa destes significados. No entanto, embriagar-se é um bom sintoma para os temerários, pois os ébrios são indiferentes a tudo e não têm medo.

Artemidoro de Daldis, tratado de interpretação dos sonhos (séc. II) recuperado nos finais do século XV, graças ao mecenato de Lourenço o Magnífico

Ver:
edição da Akal

“Mon idée générale en écrivant avec Buñuel le scénario de L’Âge d’or a été de présenter la ligne droite et pure de “conduite” d’un être qui poursuit l’amour à travers les ignobles idéaux humanitaire, patriotique et autres misérables mécanismes de la réalité.”


clicar
Salvador Dalí: Revue-programme du Studio 28, reproduit en fac-similé dans L’Âge d’or, correspondance Luis Buñuel – Charles de Noailles – Les Cahiers du Musée national d’art moderne, 1993.

Após o julgamento, onde Paris Hilton teve que se identificar (a actriz que chegou a ser alvitrada para fazer de Madre Teresa de Calcutá no celulóide), veio-se a saber que o seu nome completo é "Paris Hilton Champ Ellesse"

[notícia recebida por mail de pinguim devidamente identificado]



Hoy lo sagrado cuenta muy poco. Aunque no seamos creyentes, podemos sentir esto como una pérdida


Un pobre hombre católico de la Edad Media sentía que su vida, por dura que fuese

[...] tenía un sentido, formaba parte de un orden espiritual.

Para ese hombre, la voluntad y la mirada de Dios estaban en todas partes

Vivía "con Dios".



No era como un huérfano




Simón: ¿Cómo se llama ese baile?
Satán: "Carne radiactiva" Es lo último... ¡Y el último!




"Buñuel por Buñuel", entrevistas de Tomás Pérez Turrent y José de la Colina. Ediciones PLOT, Madrid. 1993.







Se me dice: ¿y la ciencia? ¿No intenta, por otros caminos, reducir el misterio que nos rodea? Quizá. Pero la ciencia no me interesa. Me parece presuntuosa, analítica, superficial. Ignora el sueño, el azar, la risa, el sentimiento y la contradicción, cosas todas que me son preciosas. Un personaje de La Vía Láctea decía: 'Mi odio a la ciencia y mi desprecio a la tecnología me acabarán conduciendo a esta absurda creencia en Dios.' No hay tal. En lo que a mí concierne, es incluso totalmente imposible. Yo he elegido mi lugar, está en el misterio. Sólo me queda respetarlo.

Luis Buñuel




Dedicada ao Tiago Cavaco

Ao daian de Cález eu achei
livros que lhe levavan d’aloguer;
e o que os tragia preguntei
por eles, e respondeu-m’el: Senher,
con estes livros que vós veedes dous
e conos outros que el ten dos sous
fod’el per eles quanto foder quer
E ainda vos end’eu mais direi:
macar no leito muitas [ el ouver],
por quanto eu [de] sa fazenda sei

conos livros que ten, non á molher
a que non faça que semelhen grous
os corvos e as anguias babous,
per força de foder, se x’el quiser.
Ca non á mais, na arte do foder
do que [e]nos livros que el ten jaz;
e el átal sabor de os leer,
que nunca noite nen dia al faz;
e sabe d’arte do foder tan ben,
que cõnos seus livros d’arte, que el ten,
fod’el as mouras cada que l’hi praz.
E mais vos contarei de seu saber,
que cõnos livros que el ten [ i ] faz:
manda-os ante si todos trager,
e pois que fode per eles assaz,
se molher acha que o demo ten,
assi a fode per arte e per sen,
que saca dela o demo malvaz.
E, con tod’esto ainda faz al
conos livros que ten, per bõa fé:
se acha molher que aja [ o ] mal
deste fogo que de Sam Marçal é,
assi [ a ] vai per foder encantar
que, fodendo, lhi faz ben semelhar
que é geada ou nev’e non al.

Afonso X de Castela e de Leon

- What happened?
EX-LEPER: I was cured, sir.
BRIAN: Cured?
EX-LEPER: Yes sir, a bloody miracle, sir. Bless you.
BRIAN: Who cured you?
EX-LEPER: Jesus did. I was hopping along, when suddenly he comes and cures me.One minute I'm a leper with a trade, next moment me livelihood's gone.Not so much as a by your leave………You're cured mate, sod you………
MANDY: Go away
EX-LEPER: Look. I'm not saying that being a leper was a bowl of cherries. But it was a living. I mean, you try waving muscular suntanned limbs in people's faces demanding compassion. It's a bloody disaster.
MANDY: You could go and get yourself a decent job, couldn't you?
EX-LEPER: Look, sir, my family has been in begging six generations. I'm not about to become a goat-herd, just because some long-haired conjuror starts mucking about…Just like that. "You're cured." Bloody do-gooder!

Lindo! com dedicatória especial do Caguinchas e outras preciosidades góticas na contra-capa, este vermelho é todo meu.

Como li algures numa caixinha de comentários:

palestina livre said...
ainda não respondeste...
vais comprar o livro do dragão?
olha que eu, que não sou capitalista, já o encomendei...

Acrescento 11/05: resposta noutra caxinha de comentários:
timshel said...
oh meus labregos
mas quem é que vos disse que eu ainda não me referi ao livro do dragão nesta casa?
ainda está aqui na primeira página do blogue a minha posição sobre tão emérita prosa


Não se façam rogados; só não é literarutura para flores-de-estufa.

May you live all the days of your life, bravo Dragão!




No seguimento da Cocanha primaveril, hoje vamos aos ninhos de uns passarões especiais.

Faziam parte de mais uma variedade das míticas árvores da fertilidade. Neste caso, semelhantes a um Peridexion diabólico. Em vez das castas pombas ou da Fénix imortal, quem lá anichava eram pénis roubados por bruxas a jovens incautos, que depois os entregavam à protecção das maléficas aves negras.

No fresco recém-descoberto da Toscânia (alvo de interpretações políticas em torno dos guelfos e gibelinos) as bruxas dedicam-se à colheita e disputa destes falos para o sabbath. Muito provavelmente preparavam-se para alimentar a jovem colheita a papas de aveia e milho, como se explicava no Malleus Malleficarum, até que ganhassem vida própria e pudessem aventurar-se em voos deliciosos e sodomizá-las a todas.




Consultar: Camille, Michael. The Medieval Art of Love: Objects and Subjects of Desire. New York: Harry N. Abrams, 1998.




dentro do elefante, o artista



So geographers, in Afric maps, With savage pictures fill their gaps, And o'er unhabitable downs Place elephants for want of towns

Jonathan Swift,On Poetry, a Rhapsody



Neste caso o elefante também serve de assinatura. Dentro dele é pode-se ver o retrato do cartógrafo judeu Abraão Cresques e ao lado um frade, possivelmente um franciscano
Consultar: El Legado de Bencomo



Atlas Catalão, detalhe mostrando a Ilha Taprobana, 1327-1387

La science ne saurait être rendue responsable de l'illusion des imbéciles qui prétendent, on ne sait pourquoi, qu'elle doit assurer leur bonheur.
[Georges Bernanos]

Um hit é sempre um hit
[e um kit também]





next week I shall be mostly wearing a wild goat cutlet's bag












Ted Noten, "Schultercarbonde- mala" 2000 (acrílico, ouro, pega velha, costeleta)



A Juventude Socialista, a Maçonaria e os lobbies LGBT em geral ponham aqui os olhinhos


A sociedade de plásticos troca as voltas à utopia terrena. O casamento paritário também pode ser efémero.
Foi-se, a jovem mãe cabra recém-casada; ficou o pastor viúvo, com a cria nos braços e mais um quebra-cabeças para a segurança social resolver.

Ora se não tinha sido muito mais justo, ter sido o bode a accionar divórcio por encornanço.





[cortesia do nosso leitor Pygarço, sempre atento a estes casos de vida]



Sirvam-se, divirtam-se, disparatem à vontade, que os estragos são por conta da casa.
Afinal, já se faz o mesmo por aqui há 2 anos e ainda ninguém chamou a brigada de costumes.

Bibit hera, bibit herus,
bibit miles, bibit clerus,
bibit ille, bibit illa,
bibit servus cum ancilla,
bibit velox, bibit piger,
bibit albus, bibit niger,
bibit constans, bibit vagus,
bibit rudis, bibit magus

[o musaranho está completamente desaustinado]



{a sub-comandanta Paolina Bonaparte envia saudações a todos os comentadores e a Xangai-Lina também deixou votos de muitas prosperidades, mas teve de ir fazer um serviço extra para o import export da Mouraria}

zazie e musaranho coxo




St. Agostinho, A Cidade de Deus, Paris, Mestre François (iluminador); c. 1475-1480



Por aqui trabalha-se