Joseph Cornell, Penny Arcade Portrait of Lauren Bacall, 1945-46
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consultar: Jodi Hauptman, Joseph Cornell: Stargazing in the Cinema, New Haven, CT: Yale University Press, 1999



Joseph Cornell, Untitled (Medici Boy) 1942-52 (140 Kb); Construction, 13 15/16 x 11 3/16 x 3 7/8; Untitled (Medici Princess) c. 1948 (150 Kb); Construction, 17 5/8 x 11 1/8 x 4 3/8

Como Dragão tem o dom de escrever o que eu penso, com a vantagem de o fazer com o talento que me falta, aqui fica, na íntegra, esta reposição. Não podia vir mais a propósito.

«A mitomania da virtude conforma uma dupla perversão: sendo, fogosamente, um onanismo, é também, em grau ainda mais compulsivo, uma exibição.
Assim como dantes funcionava, na grande maioria, a toque de religião –entendam como pano de fundo disto o Ocidente, pois ainda hoje funciona dessa maneira nos países arcaizados – doravante, dado que esse território foi ocupado pela teologia da indiferença, transferiu-se para as chamadas “minorias sobreactivas” e “hipersensíveis”: os gays, as feministas, os judeus, os podres de ricos, os novo-místicos, etc. Digamos que o primado da Diferença viceja a partir dum vasto campo de Indiferença. Enquanto o geral se amalgama e uniformiza cada vez mais, numa massa amorfa e abúlica, o especial, o peculiaríssimo eclode na forma angélica de tribos urbanas florescentes - quistos sociais frenéticos e benigníssimos cujo parasitismo fagocrático alastra insaciável sob o perfume anestésico da elitose.
A característica mais gritante destas tribos não é exactamente o apregoar dum simples direito a existir: sempre existiram, com variáveis sucessos, e não passa pela cabeça de ninguém no seu perfeito juízo andar a molestá-los, dizimá-los ou persegui-los (por mim já me contentava que não arriassem as estátuas dos pedestais e trepassem para lá, todos eles, em apoteose, laureados). Como não é apenas um simples direito à normalidade da anormalidade aquilo que reclamam. É, bem acima disso, e para compensação da catalepsia que os rodeia, reclamar a virtude da anormalidade, isto é, da Diferença. Não se trata de serem normais, de serem como os outros, de se integrarem e vulgarizarem no conjunto: trata-se, outrossim, de serem vaidosamente diferentes, exclusivamente distintos, e de essa diferença constituir uma virtude. A tribo é uma vanguarda. Uma acrópole. Um paradigma.
Daí que reajam mal à crítica e sejam imunes ao sentido de humor. Não admitem ser criticados por “atrasados”, por “inferiores”, por "labregos grunhos e orangotangos" que não entendem nem alcançam o seu avanço, a sua sofisticação, a sua modernidade emproada. Crispam com veloz escândalo; melindram-se e ofendem-se ao mínimo reparo; vigiam com ar adunco, beato, inquisidor, de sectarismo feroz em riste e auto-de-fé engatilhado.
Se na realidade as coisas ainda não são como deveriam, na sua cabeça já são. Cumpre à realidade ajustar-se.
»

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Nota: façam o favor de ir até lá, que vem acompanhado de uma bela ilustração.

hipnotismo......................................................

..........................................................cinema

via



Compare:

A:
3.(...)Em Portugal, quase toda a gente diz sem problemas: "és mesmo judeu" ou "és mesmo cigano", nos sentidos de cruel e ladrão ou mentiroso, respectivamente. O brasão de Évora ostenta as cabeças de um casal mouro, acabadas de cortar por um cristão.
(...)
Mesmo aqui na blogosfera existiu, durante quase um ano, um blogue dos melhores e mais lidos chamado Mata-Mouros. Ninguém se chateou com isso
(...)
4.(...)quando um jovem ateu ou agnóstico tem de ver símbolos religiosos em quase todas as escolas públicas; quando os religiosos acham que nada disto faz mal (mas faz sim; pelo menos aos dez por cento de não-católicos que são tão cidadãos como os outros), quem é afinal desrespeitado neste país?
(...)
Finalmente, diz-se que não se deve brincar com a igreja por uma questão de respeito para com os outros. Falemos então do respeito para com os outros. A Igreja em Portugal, na minha opinião, tem de o praticar bastante mais. Hoje em dia, o proselitismo religioso extravazou o espaço já de si generosíssimo que a lei lhe deu sem mais exigências. Nos media encontramos religiosos de todas as estirpes a fazerem a sua doutrinação.
(...)

Das duas uma. Ou se proíbe a sátira, o que sucedeu em Portugal de 1768 a 1794, com fracos resultados. Ou, caso contrário, a sátira vale para todos sem excepção. Falo de sátira mesmo, não de piadinhas simpáticas. Sátira dura, às vezes injusta, sempre higiénica. Não precisa de que toda a gente goste dela – o que é, aliás, a negação do humor. Não me venham com os Monty Python e A Vida de Brian, de que todos parecem tão desportivamente gostar hoje em dia. A Vida de Brian é excelente mas é de 1979. Trazer o filme à discussão é como dizer às mulheres para não usarem calças porque isso já houve uma que as vestiu nos anos 20. Precisa é de ser uma sátira sempre praticada, porque uma liberdade que não se usa é uma liberdade que se perde. E porque se levarmos este tabu a sério viramos um Irão católico – e chato.



B:
Mas qual polémica ?

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Ver: documentos, trocas e baldrocas
A questão religiosa
estou indignado porque tu não te indignas




jovem com lâmpada ................................Fille née sans mère

Pharmacien Calin

Une femme grimace
Snobisme torture du lit
Au bord d'une allée
Sous l'affût d'une position nouvelle
Elle vivait soumise aux bras d'un passager
Malfaiteur dans l'étreinte des caresses
Amoureux marqués des empreintes
Sans suite
Dans les nuits leurs visages
S'amusaient dans le silence
A travailler quelque ouvrage violon
Unique sujet ce cri visible
De l'étrange pudeur d'amour.
François Picabia, 1918.
consultar:
Between Music and the Machine: Francis Picabia and the End of Abstraction

De galinhas e más fadas não se enchem as casas

Les hommes sont volages. Bien folle est qui s'y fie
Raymond Queneau




link de imagem via bibliOdyssey










[pré-luterano]


e um homem e uma mulher casados, NÃO TEREM relações sexuais para evitar ter filhos, independentemente dos motivos, é imoral?


[pergunta o Timshel ]

[De um ponto de vista moral, o que pode ou não ser um pecado é querer ter relações sexuais sem querer ter filhos. Agora não compreendo como pode ser um pecado utlizar uma tecnologia em vez de utilizar uma outra. Timshel dixit]


When Martin Luther nailed his protest up to the church door in 1517, he may not have realised the full significance of what he was doing. But four hundred years later, thanks to him, my dear, I can wear whatever I want on my John Thomas. And Protestantism doesn't stop at the simple condom. Oh no!
I can wear French Ticklers
if I want.
French Ticklers... Black Mambos... Crocodile Ribs...
Sheaths that are designed not only to protect but also to enhance the stimulation of sexual congress...


A child of five could understand this. Fetch me a child of five...

«A entrevista que João Cravinho deu na última quinta-feira é indispensável para perceber a corrupção. Cravinho diz duas coisas de uma importância crucial, em que esta coluna tem de resto insistido. Primeiro, que o grosso da corrupção “se faz” com uma ou outra “entorse” imperceptível, “de acordo com a lei”. Segundo, que por isso mesmo a polícia e os tribunais não podem ir longe e só se ocupam de casos menores. No fundo, o Apito Dourado e as operações do género sai um espectáculo, que esconde os crimes de consequência.
Com grande coragem Cravinho explica qual é o problema: o problema é o de que certos lobbies se apoderaram de “órgãos vitais de decisão” do Estado ou de departamentos que as preparam. Ou. Se quiserem, o de que o Estado se tornou o principal agente de corrupção.
Isto significa não que o Estado serve, não o interesse do país, como compreendido por este ou aquele partido, mas sim o interesse de lobbies com mais poder ou influência. E, no entanto, nunca se fala disto, embora toda a gente o saiba ou suspeite, a começar pelo presidente da República, porque os “negócios” conseguem inspirar um respeito e um temor que, por exemplo, o futebol não consegue e que manifestamente coíbem a imprensa e a televisão. O que se passa no interior de certos ministérios de que depende a orientação da economia nunca chega à rua. Como nunca chega à rua quem perdeu ou ganhou com os “projectos”, que o Estado autoriza ou financia. Ou quem é e donde vem o impecável pessoal que manda nisso tudo. Ainda anteontem o dr. Cavaco exigiu novas leis para assegurar o que ele chama a “transparência da vida pública”. Infelizmente novas leis não bastam.

Cravinho descreve o “choque” que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do Estado. Sofreria com certeza um “choque” igual, e talvez pior, no PSD. A verdade é que o “bloco central” se fundiu com o Estado. Não existe um Estado independente do “bloco central” e muito menos dos “negócios”, que o apoiam e sustentam: da banca e da energia, a quatro ou cinco escritórios de advogados. Cravinho, como Cavaco, não percebeu, ou preferiu omitir, que hoje não se trata de reformar uma parte inaceitável do regime, mas pura e simplesmente de mudar o regime. Se, por acaso caísse do céu a “transparência” que o dr. Cavaco deseja, metade da primorosa elite do nosso país marchava para a cadeia como um fuso.».

Vasco Pulido Valente, Público de hoje

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Adenda
Acerca destes assuntos tem andado o José da GL a escrever. Consultar:

A lógica dos do costume

By bye, mr.Cravinho

A informação televisiva

Barbas de molho

Eufemismos

As prioridades da política criminal

Coisas nossas

Pactos para patos

A gracious smile, that seems to say
"Thou, thou art not a Child of Time,
But Daughter of the Eternal Prime!



















Miguel Branco-Untitled (doe), 2007
fimo, wood and wire
5 1/2” x 8” x 2 1/4”



Todo um programa que deu frutos (e mais primos)

«Havia os Canteiros, as Choças, as Barracas, as Vendas e a Alta-Venda(...). Os Chefes da Choça eram Mestres da Barraca, o desta Mestre da Venda.
(...)

Na Carbonária encontravam-se Primos de todas as classes sociais: médicos, engenheiros, advogados, professores de todos os ramos de ensino, estudantes, oficiais superiores do Exército e da Armada, sargentos, alguns administradores do concelho, funcionários públicos de todas as categorias e de todos os ministérios, proprietários, lavradores, comerciantes, lojistas, empregados no comércio, actores, operários, cocheiros, condutores e guarda-freios dos eléctricos, empregados dos caminhos de ferro, alguns agentes e guardas da polícia, etc. Havia de tudo na Carbonária».
António Ventura,A Carbonária em Portugal, Biblioteca Museu República e Resistência, 1999.

Amanhã há festa.

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Adenda [10/10]recomenda-se-
A gentinha da nacinha
República da bandalheira
Dos pigmeus aos homúnculos no Dragoscópio
monarquia ou república no Portugal Contemporâneo

Bem pode o PA enumerar, com tanto afinco, aquelas coisas das estatísticas e das taxas, que nunca conseguirei acertar no nome correcto.








Repetir 10 vezes antes de olhar para um gráfico:

"taxa de fornicação não existe".





Crimes de Ódio parte II

(à parte) Discriminação racial ou religiosa


#O fim dos capelães nos hospitais,








nas polícias,











no SIS







nos think tankers







espectáctulos







media




e restantes serviços públicos


ver José, na GL





Crimes de ódio, parte II discursos revisionistas





Grandes resistentes históricos







#O fascismo nunca existiu


revisionismo da República e da Revolução “tentativas de branqueamento do Estado Novo: a demoniação da I República”


#O revisionismo do ideal democrático-revolucionário





Ó Daniel, não pises muito o risco com galhofas de VGM do PS que passam por aleivosias.A Cosa Nostra pode enxofrar-se; toma atenção ao recado:

«Assim, não!. E tirar daí as devidas ilações...»






por Gil Vicente [reposição]


JUDEU: Porque nom irá o judeu
onde vai Brísida Vaz?
Ao senhor meirinho apraz?
Senhor meirinho, irei eu?

DIABO: E o fidalgo, quem lhe deu...
JUDEU: O mando, dizês, do batel?
Corregedor, coronel,
castigai este sandeu!

Azará, pedra miúda,
lodo, chanto, fogo, lenha,
caganeira que te venha!
Má corrença que te acuda!
Par el Deu, que te sacuda
coa beca nos focinhos!
Fazes burla dos meirinhos?
Dize, filho da cornuda!

PARVO: Furtaste a chiba cabrão?
Parecês-me vós a mim
gafanhoto d'Almeirim
chacinado em um seirão.

DIABO: Judeu, lá te passarão,
porque vão mais despejados.

PARVO: E ele mijou nos finados
n'ergueja de São Gião!

E comia a carne da panela
no dia de Nosso Senhor!
E aperta o salvador,
e mija na caravela!

DIABO: Sus, sus! Demos à vela!
Vós, Judeu, irês à toa,
que sois mui ruim pessoa.
Levai o cabrão na trela!

Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno

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O demónio da usura aparece representado n forma de um judeu com aparência demoníaca, arrancando as barbas no acto de arrependimento- o evomat.
Na Idade Média, uma das formas de levar o judeu agiota ao arrependimento na hora da morte, consistia em obrigá-lo a devolver o produto da usura, vomitando-o.

Anrique da Mota parodiava-lhes o lamurio: “Gooyas, que sam destroçado/ay, adonay, que farey, /poys que quys o meu pecado/ que perdy o meu cruzado/que por maas noytes ganhey/ Goay de mym, onde m’irey (...) Guzyzera que Gram tristura,/ó quem ante nam naçera”

Cancioneiro Geral de Garcia de Resende
misericórdia do cadeiral manuelino do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra

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A este propósito recomenda-se a leitura dos postais do Dragão:

Nem de encomenda
Crimes de Amor
The fog