Para tratar de outras traquitanas
Imagem retirada do fabuloso site: The visual Telling Stories
À parte o facto de Portugal ter sido destruído pela escardalhada*, de facto, os bufarinheiros da outra face da mesma moeda também não precisam de desesperar por falta de clientela-
"Ça va de soi; no maravilhoso Novo Mundo que temos pela frente, a famigerada qualidade vida massificada deixa de ter hipótese de causar inveja.
Aqui fica o que convém recordar a todos:
«O capitalismo actual é muito diferente daquele sobre o qual Karl Marx e Max Weber apoiaram os seus modelos e também dos capitalismos estáveis e planeados do pós-guerra.A classe operária diminuiu de tamanho e de significado económico. Esta evolução resulta da crescente desindustrialização e do facto das economias recentes se terem tornado mais pós-industriais. Registou-se uma transformação em grande escala que substitui as formas de organização de trabalho taylorianas – produção em massa com recurso a mão-de-obra intensiva – por mercados de trabalho flexíveis. Nestes novos mercados de trabalho as instituições capitalistas clássicas de trabalho assalariado e de emprego estável estão restritas a uma cada vez mais diminuta proporção da população.A grande parte da força de trabalho falta mesmo a segurança económica que acompanhava o trabalho assalariado. Vive-se no mundo do trabalho parcial, dos contratos a termo certo e do pluriemprego, no qual não existe uma relação estável com um único e identificável patrão. Conjuntamente com estas mudanças deu-se o colapso da negociação colectiva e do domínio que os sindicatos exerciam sobre o processo produtivo diminuiu significativamente.A base económica dos partidos políticos enfraqueceu. Ao mesmo tempo acentuou-se o domínio dos grupos de pressão, defensores de causas únicas.As ideologias que regiam a vida política no período pós-guerra estão obsoletas. Esta transformação foi acentuada pelo aparecimento de um novo consenso económico. Nesta nova ortodoxia foi reduzido ou marginalizado o papel que os governos nacionais desempenhavam na supervisão das suas economias domésticas através de políticas macroeconómicas.A tarefa económica central da governação é agora a de engendrar e implementar políticas microeconómicas que promovam uma ainda maior flexibilidade da mão-de-obra e da produção.A corrosão da vida burguesa, como resultado da crescente insegurança no emprego, está no cerne do capitalismo desregrado. Actualmente, a organização social do trabalho está num fluxo praticamente contínuo.Transforma-se incessantemente sob o impacto da inovação tecnológica e da competição desregrada dos mercados.O resultado das novas tecnologias de informação não é simplesmente a crescente escassez de muitos tipos de postos de trabalho menos especializados ou com menor exigência de conhecimentos, é o desaparecimento por completo de algumas profissões. Para grande parte da população, instituições tradicionalmente burguesas como as carreiras ou as vocações deixaram de existir.O resultado é a reproletarização de grande parte da classe operária e o desaburguesamento do que resta das antigas classes médias. O mercado livre parece preparado para conseguir aquilo que o socialismo nunca conseguiu- a eutanásia da vida burguesa.Os imperativos da flexibilidade e mobilidade impostos pelos mercados de trabalho desregrados, colocam uma pressão particular nos modos tradicionais de vida familiar. Como podem as famílias encontrar-se às horas das refeições quando ambos os pais trabalham em turnos diferentes? O que acontece às famílias quando o mercado de trabalho obriga ao afastamento dos pais?O papel das empresas como instituições sociais tem sido anulado. O crescimento da subcontratação de mão-de-obra tende a reduzir o quadro de pessoal permanente das empresas no período moderno recente.(...)Em casos limite, as empresas estão a tornar-se veículos de cobrança de facturas e distribuição de lucros e os poucos empregados que lhes restam têm uma participação no seu capital. Grupos completos de antigos funcionários da gestão intermédia têm sido dispensados em processos de contracção, com efeitos benéficos na apresentação de lucros. Por todo o lado, as empresas, em particular as dos países anglófonos, têm-se descartado dos custos sociais dos funcionários que ainda lhes restam. Fazem-no, por exemplo, transferindo a responsabilidade de garantir as pensões para os próprios indivíduos.O enfraquecimento das empresas como instituições sociais anda a par da crescente mercantilização do trabalho. O trabalho passou a vender-se às empresas em peças. As empresas descartam-se de muitas responsabilidades que tornavam o mundo do trabalho suportável no passado. Algumas não estão longe de se tornarem instituições virtuais».John Gray, Falso Amanhecer,1998.
* Neologismo com patente Despastor
De vez, esta palhaçada dos subsídios às escolas privadas.
Lido numa caixa de comentários:
TraderPosted 1 Fevereiro, 2011 at 22:04 | PermalinkExemplo de verdadeiro subsídio:- 45 milhões € de apoio do Estado ao investimento da espanhola Aquinova (Pescanova) em Mira, metade do investimento!!), a maioria dos trabalhadores recebe ordenado mínimo. Em contrapartida há décadas que os produtores portugueses nunca conseguiram investir significativamente nesta área por restrições ambientais e burocracia kafkiana.- Dezenas de milhões € de apoio ou benefícios fiscais do Estado à sueca IKEA e muitas autorizações para centros comerciais, a maioria dos trabalhadores nas fábricas recebe ordenado mínimo ou pouco mais. Nas lojas não devem ser muito melhor. Em contrapartida as empresas portuguesas do ramo mobiliário agonizam em impostos sem fim. E concorrência desleal também, pois há anos se sabe que a IKEA usa um sofisticado esquema de fundações e offshores para pagar menos impostos. A IKEA está tão maravilhada com este país que generosamente distribuiu tanto subsidio que até está a pensar apostar na energia solar tal a mina de ouro de subsídios que existem!!- energias renováveis, o sobrecusto em 2009 foi de 800 milhões € e em 2010 foi de 1200 milhões € !! São fortunas em subsídios todos os anos. Como é que há gente que tenha a lata de falar de subsídios no caso das escolas ?As escolas de contrato de associação são praticamente uma parceria público privada. E não houve nenhum governo como os socialistas (Guterres e Socrates) que tenha criado mais parcerias público privadas, umas 70 parcerias e talvez uns 30 mil milhões € de investimento.Admitindo que de facto há escolas que hoje não faça sentido esta pareceria actualmente, é bem provável que de facto haja muitas, mas segundo uma notícia do Público (acho eu), havia pelo menos 19 escolas que não tinham nenhuma pública a menos de 15km. Ora, este corte é portanto cego e tremendamente injusto. Imaginem como é que uma escola se desenrascar levando um corte de 30% de um momento para o outro ?É preciso cortes e sacrifícios ? Sim senhor, vamos a isso, mas então que o ministério da educação mostre que é sério e corte de imediato 30% do orçamento do ministério da educação.O resto é conversa de tolos que se deixaram enrolar na propaganda do Socrates. Discussão para entreter tolos. Na saúde por exemplo, a maior concorrência privada à saúde pública vem da HPP, cujo proprietário é a CGD, controlada pelo PS.
(...)Quem souber a identidade, perfil e biografia do cumprimentador, respeitador e obrigado Mesquita Machado; quem souber que o assunto da "Educação" neste caso se resume ao badalado "Parque Escolar", com miríade de adjudicações directas de contratos em que avultam dinheiros públicos aos milhões e quem souber o tipo de personalidade deste Inenarrável, fica com o retrato completo de mais esta burla política gigantesca.
A ler, no Porta da Loja .
«Os jumentos, como os poetas e os tolos, vêem os anjos do Senhor.
Pois não é assim, meu profeta Balaão? Profeta da minha embirra, hirto como um esqueleto de vaidade, a chicotear a azêmola sublime, e estacada e deslumbrada, perante duas asas cor de neve! O profeta não descortina vivalma, e o chicote vibra-lhe nas mãos enraivecidas. São horas do almoço e o demónio do burro não se mexe! Um burro é só manha no focinho; só fome no pêlo hirsuto...só tristeza nos olhos; só orelhas voltadas para o Céu, como dois magos da Caldeia! Fita as orelhas e ouve a música dos astros; ou as deixa cair, atentas aos segredos mais íntimos da Terra...Ouve a música celeste e a terrestre... E lá vai, muito lanzudo e macambúzio, trote que trote, na poeira branca dos caminhos.
Mas este jerico não se mexe. O chicote relampeja nas garras do profeta. Súbito, o hirto visionário racional que nada vê, o homem solene da terra morta, voa pela cabeça fora do jumento, que metera a cabeça entre as pernas, e estatela-se no chão, a dois passos do Anjo, que se fica a rir como um perdido!
O anjo ri como um perdido, e o seu riso é luz da Primavera; e o profeta estirado na poeira é o cadáver do inverno a desfazer-se, no fundo de uma barroca...»
Teixeira de Pascoaes, O Pobre Tolo.
Logo que possível, daremos notícias do resultado.
fotografia surripiada no Turismo de Pontevedra
O pobre tolo,
Ébrio de luz, sorri, contente. O riso
É luz, essa virtude das estrelas
E dos tolos de Deus
Teixeira de Pascoaes, O Pobre Tolo
Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
“O Olimpo e os seus habitantes cabem nesta palavra: infância. A mocidade é já velhice, política, profissão, e uma certa loucura em que ardem ignobilmente os últimos farrapos do nosso ser divino. A infância é uma saudade e a mocidade um remorso”.
Teixeira de Pascoaes, Duplo Passeio.
“O homem é o caminho por onde vêm ao mundo os Anjos, os Demónios, os Fantasmas…um caminho aberto em carne viva, cheio de pegadas misteriosas, como se fossem de algum animal desconhecido”.
Teixeira de Pascoaes, Livro de Memórias
Não há-de faltar muito para os lobbies LGBT, que fabricaram a "condição angélica" da homossexualidade, ainda virem a impor na lei o crime de "suicídio homofóbico".
Em alternativa também podem sugerir a criação de salas de eutanásia de prevenção do crime ou mesmo brigadas de empurras aos paraqueditas mais indecisos, sofredores dessa fobia criminosa.
Em alternativa também podem sugerir a criação de salas de eutanásia de prevenção do crime ou mesmo brigadas de empurras aos paraqueditas mais indecisos, sofredores dessa fobia criminosa.
A nata dourada do Portugal pós-moderno.
Los PPijos
Joana e João têm praticamente a casa recheada uma vez que as listas de casamento que os noivos colocaram no El Corte Inglés e na loja Paris Sete estão totalmente preenchidas, tendo nesta última loja sido aberta uma segunda lista, soube o CM, junto de alguns dos seus convidados. Joana Dias Loureiro optou para a sala por um serviço em porcelana portuguesa de design moderno, da Spal. A loiça, Gala, cujo preço de um serviço de 68 peças é de 1495 euros, tem fundo branco contando com espirais em vermelho e dourado. A lista de casamento do El Corte Inglés contava ainda com um faqueiro de prata, marca Topázio, igualmente de linhas modernas. No mobiliário, Joana optou pela loja da 24 de Julho. O design moderno e de linhas simples do mobiliário italiano da B & B e Flexform cativou o jovem casal.
OS CONVIDADOS
O Presidente da República, Jorge Sampaio, o primeiro-ministro, Durão Barroso, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Santana Lopes, são alguns dos muitos convidados, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, do casamento de Joana e João. Da lista constam ainda nomes sonantes da política e da económica nacional, como os de Cavaco Silva e Mário Soares.
Foi ainda convidado o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, amigo do ex-ministro da Administração Interna e actual vice-presidente do Banco Português de Negócios, Dias Loureiro.
& Los Socateros
& Los Socateros
E têm sido uns a seguir aos outros, qual deles o mais certeiro e iconoclasta.
Vá até lá e comece pelo Under-Core Primeiro Escalão
«por mim sempre asseguro que abomino mais que o bandido, o hipócrita; e pior que o lobo assumido, aquele que se camufla sob a pele do borrego manso.»
Vão ter mesmo de escolher entre bosta mais ciciosa ou poética ou um maluquinho da caridade on the road, vestido pela Coronel Tapioca, que é para aprenderem para que serve a República.
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Acrescento: resposta para o anti-comuna, já que a censura neotonta e a ingenuidade com tarimba política não dormem em serviço.
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.... E insistem. Deve ser por causa de certas "comichões na honra".
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... Mais outro. Este então foi um insulto intolerável- dizer-se "uma nacinha de emplastros" é coisa que nenhum liberal tolera. Aposto que foi o "VGM do Blasfémias" que se sentiu.
Cada um é para o que nasce. Este nasceu para se coçar pelos outros.
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.... E insistem. Deve ser por causa de certas "comichões na honra".
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... Mais outro. Este então foi um insulto intolerável- dizer-se "uma nacinha de emplastros" é coisa que nenhum liberal tolera. Aposto que foi o "VGM do Blasfémias" que se sentiu.
Cada um é para o que nasce. Este nasceu para se coçar pelos outros.
Numa amena conversa de fim-de-ano, com gente da finança londrina, o tema foi parar ao ateísmo/religião. Entre crentes e descrentes, o consenso gerou-se de forma muito dostievskiana: sem Deus tudo seria permitido.
Um trader presente, apesar de agnóstico e não menos céptico quanto à profissão, foi mais longe e disse que essa evidência se constata no meio. Os valores vão à vida enquanto o diabo esfrega o olho.
Um dos exemplos dados foi de alguém ter sacado 5 milhões a um cliente e este ser facilmente engrominado com parecer técnico de trader, a quem foi pedido o favorzinho. Como o próprio disse- apesar de nada ter recebido – já foi ladrão da forma mais pacífica - por outorga da perícia “científica”.
Nessa altura, uma tuga “geração Praxis”, bem educada em colégio religioso, caída como quantum analyst na City, com o seu arzinho à Audrey Hepburn, decide fazer também a sua confissão, perante a admiração dos presentes que bem lhe conhecem a ingenuidade, e acrescenta:
“é verdade que se perdem os valores, é; eu agora até já empurro toda a gente no metro”.
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