Este acreditava na universalidade dos arquétipos.

uma e três cadeiras, 1965.

Este sabia que não se escapa ao espírito da época e juntava-lhe o código do cartoon.

Roto Broil, 1961.

Este seriava-os na banalidade.

New Hoover Deluxe Rug Shampooer, 1979

tu, que és especialista em aventuras de Mal de Montano e encontros de Ana Paula Inácio com toupeiras do Pico, és capaz de ter ideia como esta foi parar ao portal da igreja?

P.S. e agora não me estraguem a história e não me venham dizer que não é uma toupeira...

o blogue da Cris ficou totalmente kosuthiano...

Crab Nebula, observação da supernova desde a dinastia Sung


space, spacetime and superspace.



A acompanhar aqui um excelente debate com pertinente participação de Desidério Murcho.

a "fúria" do Fuller













Todos os homens têm um preço. E com as mulheres a parada aumenta.
Eu cá só vendo bitaites para títulos pagos a preço de oiro...

V.as Ex.as queriam mais uma americanice de Hollywood, não era? Pois então aqui vai uma afronta ao Bizet passada em quartel e ruas de Chicago de estúdio da R.K.O.
Uma Carmen negra, cantada pela Marilyn Horne na pele de uma Dorothy Dandridge ainda a salvo do que a vida também lhe reservara.

O trailer da 20th Century Fox prometia:

Harry Belafont and Dorothy Dandrige-

In love!
In laughs!
In music!
In dancing!
In excitement!
Carmen Jones in Cinemascope.

E o Preminger não esqueceu Reinhard nem a alma austríaca e cumpriu.


I won’t pick out a man
And he won’t pick out me
It don’t go that way
You can’t ever know
Where your crazy heart
Wants to go



you go for me and I’m a taboo
I go for you
And if I do,
Then you are through, boy
My baby, that’s the end of you.

one man gives me his diamond stud
And I won’t give him a cigarette…



one man treats me like I was mud
And all I got, that man can get…


I’m gonna run out
Every second I got left
Before he throws me down
I’m gonna keep on livin’
Up to the day I die


-you promised you was gonna be mine till the end
that’s one promise you’r gonna keep





-can’t you get it through your head?
We are done. Now let me go!

-I’d sooner kill you…

-Than here’s your chance!



you are all I’ll ever crave
and that’s for true

Com que então querias andar à porrada por causa dos americanos, era?
Meu sulista de vila Berta...
pois então toma lá uma provocaçãozinha e vê se aguentas esse primarismo anti-ianqui que o Texas também pode ser um E. Hopper. Ou ainda mais desolado e sem regresso...

E Recorda-me aquela cena no peepshow cego ao som das memórias e dos acordes do Ry Cooder.


JANE
Travis?

TRAVIS
If you turn off the light in there, will you be able to see me?

JANE
I don't know. I never tried.

TRAVIS
Can you see me?

JANE
Yes.

TRAVIS
Do you recognize me?

JANE
Oh, Travis.

Alguém terá dito que quando o status chega ao Pateck Philippe deve usar-se um Swatch.
Com nuvenzinhas e carneirinhos azuis, de preferência... ou seriam pirilampos...?

É que não há nada como a sabedoria de um economista com ar de gangster de Marselha em série B- “quando vier o referendo do sim ou do não vote antes nas autárquicas”.
Nem mais. O que está morto está morto.

Melhor não poderia ter dito o sábio Esopo ao filósofo Rantus.Para quê inspeccionar o que se caga temendo que o cérebro venha atrás...? pois aquilo que não está lá dentro também não pode sair...

Então não é que também tinha "encascado" que este aqui se chamava abóbora palatina....

E genialidades destas só me ocorrem para os outros, fónix!

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima...
Bertolt Brecht








Goya, Disparates, Los ensacados, 1864

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.
E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

Camilo Pessanha

never practice two vices at once."

Tallulah Bankhead

Viajar é muito útil, faz trabalhar a imaginação. O resto, apenas decepções e fadigas. Esta nossa viagem é inteiramente imaginária. Eis a sua força.

Vai da vida à morte. Homens, animais, cidades e coisas, tudo é imaginado. Um romance, nada mais do que uma história fictícia. Di-lo Litré, que nunca se engana.

À primeira vista todos podem fazer o mesmo. Basta fechar os olhos.

É do outro lado da vida.

Céline

A prova de que os nossos olhos também já se tinham habituado àquele lugar, tive-a quando o Poeta começou a fantasiar à volta de uma panócia. Era atraído por aquelas suas orelhas fluentes, excitava-o a brancura da sua pele, achava-a muito maleável e com os lábios bem desenhados. Tinha visto dois panócios a acasalarem num campo e adivinhava que a experiência devia ser deliciosa: ambos se envolviam um no outro com as suas orelhas e copulavam como se estivessem dentro de uma concha (...)Depois, como teve reacções esquivas da panócia de quem tentara aproximar-se, apaixonou-se por uma fêmea dos blémios. Achava que, à parte a falta de cabeça, tinha uma cintura fina e uma vagina convidativa, e além disso poderia beijar na boca uma mulher como se lhe beijasse o ventre."

Umberto Eco, Baudolino










A pedra solta-se da montanha e atinge a estátua de pés de barro.
Daniel 2 / 31 - 35

Beatus de Saint Sever, Apocalipse de S. João (séc.XI)



Monstro significa o que é contrário à ordem da natureza. Varrão (116-27 A.C.) lançou as bases da definição que iriam ser seguidas na Idade Média. Monstrum, portentum, prodigium, como os define Santo Agostinho, derivam de mostrar, porque pressagiam qualquer coisa, são sinais e prodígios, derivam de portendo e porro. Na etimologia medieval monstrum está associado ao verbo monere- “advertir”.
Deve-se a Aristóteles uma das primeiras aproximações teóricas à noção de monstro. Na Geração dos Animais, o filósofo defende que a reprodução ideal entre os seres é a que se faz por semelhança; quanto mais um ser se afasta desse modelo maior acréscimo de imperfeição; o último estádio dá lugar ao monstro. A primeira característica do monstro, portanto, é ser diferente.
Esta noção vai ser desenvolvida por Santo Agostinho na Cidade de Deus. Tomando por critério de normalidade a beleza do Universo no qual a dissemelhança é apenas uma excepção, a grande dúvida estava em saber-se se estes seres eram humanos ou animais. O autor vai concluir que são produto da criação divina mas derivam do pecado humano. O nascimento de seres monstruosos entre os humanos só pode ser justificado pela própria existência, algures no mundo, de raças monstruosas. O principal fundamento consiste em provar-se que Deus não errou na criação. Só ele sabe ordenar a beleza, a similitude e os contrastes. Ao homem escapa-lhe o plano total, ficando-se pela aparência disforme de tudo o que é parcial. Os monstros existem para ilustrarem o mistério da criação. São reveladores. Revelam-nos a consciência da nossa beleza e são o sintoma do sinal contrário maligno. Acontecem porque a natureza saiu do seu curso habitual; porque exorbitou.
A deformação física destes seres manifesta-se assim, num misto de falta e excesso – são seres prodigiosos porque lhes falta a regularidade da medida e da harmonia – possuem a marca da exorbitância física e, por isso, são conotados com os aspectos pecaminosos da carne.
Ultrapassam as suas deficiências por um excesso de vitalidade. Os pigmeus apesar de demorarem três anos de gestação, reproduzem-se com uma rapidez espantosa para morrerem aos oitos anos de vida; outros que, tendo apenas um só pé (os Ciápodes) correm à velocidade do vento, etc, etc. (Cardeal D'Aily- Imago Mundi, c.1410)
Transmitem-se à Idade Média por uma longa série de lendas e, curiosamente, no que respeita às ditas raças fantásticas mantém-se uma classificação praticamente inalterada.
As descrições mais antigas provêm de Homero, e Hesíodo referem algumas dessas lendas mas a catalogação mais importante é feita por Ctésias de Cnido, no sec. VIII a.C. que foi médico na corte do rei persa Antexerxes II e redigiu o tratado fabuloso Indika trazendo para o Ocidente estas lendas.
Plínio o Velho, na História Natural (c.77 da nossa era) procedeu a uma gigantesca compilação donde provem a maior parte dos monstros medievais. A ele se deve a atribuição climatérica das disformidades.