Prof. Denzil Dexter (University Of Southern Califórnia): At the weekend, I continued my research into a particularly rare species of dinosaur.
After building a time-machine out of a station wagon, some pots and pans, and some aluminum tin-foil, I attempted to travel back in time 5 million years. The results were disappointing. I then realised it would be more sensible to excavate some fossils, and then reassemble the bones. Try to make a mental picture, of what it was like to be a gruff cave-man. And now Dave and particle acceleration. Dave...
Platão, Timeu
A Árvore da Vida corresponde ao centro cósmico de um universo perfeito e circular, no sentido em que Platão já havia descrito no Timeu.
No Jardim do Éden existiam duas árvores: a da Vida e a do Bem e do Mal. Foi desta que a serpente maligna tentou Eva e esta deu a provar o fruto a Adão, tendo como consequência a Queda e o conhecimento do bem e o mal, ficando por realizar a promessa de eternidade (enquanto qualidade) da Árvore da Vida. Segundo a lenda uma semente foi salva e colocada na boca de Adão, de forma a dar sentido à vida, permitindo o aperfeiçoamento da Humanidade. Quando Adão morreu, a semente paradisíaca fez renascer da sua cabeça a árvore de onde foi feita a cruz. A morte de Cristo é acompanhada pela árvore seca e pela simbólica do seu renascimento: o sacrifício e o ciclo da árvore do Éden apontam para uma dádiva - a da possibilidade de Salvação. A busca deste jardim Éden foi uma constante do viajante medieval. Nesta altura ainda o Oriente estava banhado numa aura mítica, razão pela qual era para essas paragens que se viajava em sua busca.

De acordo com as lendas, esta Árvore do Paraíso Terrestre elevava-se num rio de água límpida como o cristal, que jorra directamente do trono de Deus. Era conhecida por peridixion, termo que deriva de uma adulteração de paradision. Nos bestiários aparece como o peridens, uma árvore que nasce na Índia e dava frutos doces, dos quais se alimentavam as aves. A árvore simbolizava Deus; os frutos Cristo e a sombra o Espírito Santo. As pombas representam os homens - se temos connosco o espírito santo, o Dragão/Demónio não nos pode atingir, mas apanha-nos se nos afastarmos da Igreja.
Os animais que rodeiam a árvore sagrada é que podiam mudar, alterando-se o sentido da mensagem. Quando não era o dragão que corria, de nascente para poente, atrás da sombra dos ramos, podiam, a árvore podia aparecer ladeada por felinos. O bafo das panteras e dos leões tinha o poder de ressuscitar as próprias crias- ligando-se a um sentido cristão de ressurreição.
O sentido da perpétua renovação e regeneração da Árvore da Vida é reforçado pela Roda do Universo ou “rosa cósmica”, que podia aparecer na iconografia do Paraíso como centro do mundo, lugar de louvor e triunfo espiritual.
Assim se encontra nas representações de alguns portais medievos ingleses e, de forma muito extemporânea e rica de sentido, no portal manuelino da matriz do Alvor.
Razão pela qual o estranho tímpano do portal da igreja conventual de Penamacor, em Lugo, datado de finais do século XII, pode ter simbologia idêntica, sem precisar de se recorrer à evocação da lenda de Chretiens de Troyes- "A Matéria da Bretanha".
Os cavaleiros armados, em trânsito por este local mítico, evocam mais facilmente os combates da alma e as bravuras contra os animais fantásticos, que guardavam o jardim do Éden, do que o tema do cavaleiro que salva o leão do ataque de uma serpente.
A estranha figuração central, não será apenas uma cruz inscrita no lago, mas um duplo simbólico da fonte/roda cósmica, trono de Deus, jardim circular de cujas águas saciam a sede dos animais angélicos que dele nunca se afastaram.
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Consultar:
El Físiólogo. Bestiario Medieval, Marino Ayerra Redín e Nilda Guglielmi (eds. e trads), Rivadavia, Editorial Universitaria de Buenos Aires, 1971.
M.W. Tisfdall. God’s Beasts, Identify and Understand Animals in Church Carvings, Plymouth, Charlesfort Press, 1999; Arthur H. Collins; MA McBride, Symbolism of Animals and Birds Represented in English Church Architecture, New York, Nast & Company, 1913.
Michael J. Curley, Physiologus, Austin, University of Texas Press, 1979 Harley 3244, London, British Library, MS., fol. 58v, Inglaterra, depois de 1255.
Rocio Sanchez Ameijeiras, “Las artes figurativas en los monasterios cistercienses medievales gallegos”, in Arte de Cister em Portugal e Galiza, Fundação Pedro Barrié de la Maza/Fundação Calouste, Gulbenkian, 1908, pp.99-139.
Pela nossa parte, andamos na senda de tigresas dos espelhos e panteras do Paraíso

Ingredientes:
- uma boa árvore de alcaçuz;
- um bode e uma cabra com genica,
- um diabinho dócil;
- um trabalhador a picareta, disposto a muito esforço;
- um Paraíso Terrestre perto de si;
- uma verdadeira montanha de lápis-lazúli e um dragão.
Primeiro, procede-se à apanha do alcaçuz, com a ajuda de um diabito e de umas pequenas judiarias estimulantes a um bode.
Depois, segue-se a segunda parte, com a extracção do lápis-lazúli, o que implica uma pequena deslocação lá para as bandas do Paraíso.
De acordo com Alberto o Grande, estas antigas gemas ainda mantêm no interior os efeitos milagrosos das estrelas e raios solares que as criaram, razão pela qual as montanhas que as guardam costumam estar defendidas por um dragão.
Por fim, procede-se à mistura milagrosa. Tritura-se muito bem o lápiz-lazúli e mistura-se o pó obtido com leite de cabra e o alcaçuz (nesta altura, convém que bode e o trabalhador a picareta se retirem) e deixa-se secar.
Os prodígios da pasta estão bem credenciados. Tanto a serve para esfoliações de limpeza na banhoca, como para tirar a febre, ou mesmo para intervenções em cegueiras momentâneas.

Se lhe faltarem ajudantes, tem sempre o recurso de encomenda online. Mesmo assim, convém ter cabrita ou bode a jeito, para as diabruras com o sabonete.
Quanto aos efeitos, também pode ir à confiança — não ligue à cegueira momentânea que depois costuma passar.
Graças à perseverança do Paulo , que a encontrou no livro das comemorações do cinquentenário da Estoril-Sol
Fez parte do corso carnavalesco do Estoril, no ano de 1964—quando ainda pairava a áurea de refúgio principesco por aquelas paragens e se chegou a imaginá-lo como a nossa pequena Riviera da Costa do Sol.
Mas não foi no corso que a conheci ou me empoleirei nela. Foi mais tarde, quando se plantou mesmo ao lado do antigo casino do Fausto de Figueiredo.
Nada disto teria grande importância, caso a historieta não fosse exemplo do desbarato a que se entregam as girafas na nossa terra. Esta foi para o lixo, aquando da renovação do mais antigo casino da Europa.
E, pequena particularidade que não deve ter sido levada em conta...
era da autoria do Salvador Dali. Ela e todo este carro alegórico.
{mil agradecimentos, caríssimo estorilista }
Passemos a coisas mais importantes
Dez anos depois, Fritz Lang enviou outra mulher para uma lua dourada
{ciúmes, morte e vingança seguem na segunda parte}
Contrariando as expectativas da linha maoísta,
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Acrescento (28/3): Pelo que li nos comentários, este post, que apenas se pretendia irónico, está a dar azo a interpretações erradas do que por aqui se pensa.
1- A figura satirizada não é a garota, mas a mediatização que tudo vende (o título já o dizia).
Pela nossa parte, se alguma coisa pode ter sido verdadeiramente achincalhada, foi essa degradação televisiva a que dão o nome de concursos.
2- Por aqui não existem jacobinos, a confundirem indisciplina com faltas de respeito, e a responsabilidade sempre foi atribuída às políticas que destroem as naturais diferenciações e nunca as "exemplaridades escolhidas a youtube" e travestidas de processos jurídicos.
Para melhor se entender a diferença, leia-se este belíssimo post do Dragão: Palavras com raiz- 2. Regra
Os textos certeiros sobre o assunto foram estes
José da GL: A poesia do ensino nacional
«(...)Não deram por isso, uma vez que tinham metido por atalhos e comungam ainda as hóstias sagradas dos princípios básicos dos manuais diversificados, no ensino marcado pelos apelos as ideais que cantarão ainda em vida dos seus seguidores. São novos religiosos da utopia laica.
A autoridade, para estes utópicos, situa-se, como instrumento nefando, no seio da própria sociedade que segrega os mecanismos de exploração que é sempre do Homem por outro Homem. O professor, os pais, a escola, a Igreja ( faltou esta), a tropa e o poder político, são apenas as figuras visíveis da super-estrutura que importa desmantelar para se atingir esse nirvana nunca alcançado, mas sempre prometido aos crentes: o fim da exploração e o da suprema igualdade revista no ideal comunista, anunciado e prometido pelos mestres desse evangelho do Homem Novo.(...)
«(...)Abram os olhos, ó cavernícolas. Larguem a droga, amiguinhos! Há um problema muito maior do que a máquina de ensino funcionar mal: é o haver uma máquina de desensino, de deformação e de perversão a funcionar às mil maravilhas. Com total impunidade, tranquilidade, ubiquidade e ininterrupção; mais a bênção completa das autoridades e o enlevo pacóvio e macacóide dos cidadãos. Uma locomotiva que desensina não apenas os filhos, mas também os pais; não apenas os governados, mas também os governantes; não apenas os alunos, mas também os professores. De que adianta mandar uma equipa de pedreiros levantar uma casa, oito horas ao dia, e, ao mesmo tempo, ter um buldózer dia e noite a escavacá-la? Como entulho artístico, como heteroclise, como absurdo, até poderá ter o seu fascínio, não discuto; mas como civilização, garanto-vos, é o suicídio colectivo. Ninguém precisa de nos atacar. Basta-lhes ficar à espera.(...)»
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nota: o neologismo foi alterado, por sugestão de um leitor, na caixinha de comentários.
Conta a Grand Cronique des Pays-Bas, que o monstruoso beato era peixe calmo. Deixava-se toca, preferindo, no entanto, o contacto com os prelados, aos dos laicos, o que se entende. Não falava, mas crê-se que entendia perfeitamente o que lhe diziam.
O monarca ordenou que fosse encerrado numa torre, mas o desgosto do peixe-bispo foi de tal ordem que os religiosos comovidos juntaram-se para rogar ao rei que o soltasse.

João I Olbracht, tão destemido face a turcos, era um coração mole em matéria de sofrimentos de monstros; sem mais demoras, decidiu devolver o inesperado visitante ao seu habitat natural (o que quer que isso fosse). Apoiado nas espáduas de dois fortes homens, lá foi encaminhado até à beira-mar, onde o aguardava uma multidão para a despedida.
Frente às saudosas águas do mar, possivelmente com mais peixes atentos à sua prédica que devotos em terra, o bom do padre piscícola, virou-se para trás, disse adeus a todos, mergulhou feliz nas águas e nunca mais se soube dele.
Nunca mais, é uma força de expressão... o mesmo peixão mitrado haveria de aparecer a Lutero, como augúrio da corrupção de Roma, já para não falar no remake de presságio ainda pior, quando, duzentos anos depois, voltou a surgir das águas do Vístula.
Neste caso apresentava-se sobrepujado de diadema, escamas eriçadadas em forma de espadas e dardos, tinha um pé de águia e outro de leão e a aparência demoníaca coadunava-se com a missão — vinha anunciar o início das guerras de destruição que a Rússia faria à Polónia.
Só nos dias que correm é que nem se dá conta destes presságios. Integraram-se de tal modo que não há concurso televisivo que os dispense. Não servem de mau-agouro, porque se limitam a relatá-lo.
E já nem se nota a diferença.
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Nota: existem diversas versões destes relatos em publicações ulteriores. Entre elas refira-se o Dictionnaire universel do ano de 1759, a relação de Bondelet, Gesner e outras variantes, incluindo ícones populares russos, como também aqui já demos conta. Ver também Ernest Martim, citado no post anterior.
"il ne peut être commis d'homicide ni sur un monstre ni sur un mort"
Reuter, Tratado de Direito Criminal francês, 1836

Livingstone, que na mesma época explorou a Àfrica Austral, ao descrever os costumes dos Béchuanas diz precisamente o contrário.
Qualquer ser disforme é imediatamente massacrado, bastando para tal nascer com os incisivos saídos- um tloto é um monstro- os gémeos podiam ser tidos por tlotos.

Como testemunhou Livingstone, ao contrário das outras tribos, os Béchuanas não reconhecem nem deuses, nem ídolos e não possuem qualquer sentimento religioso.
Para os outros selvagens, os monstros eram entendidos como manifestações das divindades e, por essa razão, respeitados. Na ausência delas, a sorte do ser disforme é entregue às mãos dos humanos.
Ainda hoje os Bechuanas são considerados os povos mais inteligentes da região.
Ernest Marin, Historie des monstres. Depuis l’antiquité jusqu’à nos jours, Jerôme Milton, Grenoble, 2002.






