cocanha



; antes risos que prantos escrever, sendo certo que rir é próprio do homem [Rabelais]

Quando os monstros transbordam

7.10.08



Fellini, La nave va




"O simulacro nunca é o que oculta a verdade - é a verdade que oculta que não existe. O simulacro é verdadeiro".
Eclesiastes

  • Não existem monstros, zazie. Existe apenas a ingenuity of the market.

    By Blogger Harry Lime, at 09:57  
  • O simulacro não oculta a verdade nem é a mentira: o simulacro é o que não tem relação com a verdade. A cópia é uma imitação da verdade, assume-se como um derivado hierarquicamente inferior. O simulacro não é uma cópia, não tem original, está fora da hierarquia. Gosto de dizer que não tem origem, porque não tem original e não tem sentido, porque não conduz à verdade. Não vem de lado nenhum, não vai para lado nenhum. Parece a internet.

    Mas a citação do Eclesiastes é muito mais bonita.

    Beijocas madrinha.

    By Blogger Antónimo, at 12:55  
  • Beijocas rapaz. É isso mas eu lembrei-me até por causa do Baudrillard e é claro que estava a pensar no monstro da finança, né?

    Precisamente por não ter relação com a realidade é que a substitui
    e cria-se a partir de si próprio.

    By Blogger zazie, at 13:06  
  • Eu percebi, querida madrinha. E também se pode ler o meu comentário a partir daí: para o bem e para o mal. Num mundo sem bem nem mal - sem verdadeiro nem falso. O que não é bom nem é mau.

    By Blogger Antónimo, at 14:12  
  • (Geniais estes teus post cheios de bichos caídos. Gosto muito do teu muito ambíguo understatement)

    By Blogger Antónimo, at 14:14  
  • Claro que tu tinhas de perceber, ó rapaz.

    Estes bichos caídos (neste caso é o rino da nave do Fellini) ocorreram-me quando vi que não tínhamos banqueiros voadores, mas monstros prostrados em cima destes paraisos contruídos a partir do ar.

    De resto os voadores agora voam para cima. E cada vez mais depressa com o saquinho cheio.

    Beijocas

    By Blogger zazie, at 19:13  
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zazie

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  • rodapé ligeiramente inútil
    • "Os animais dividem-se em a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) amestrados, d) leões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães soltos, h) incluídos nesta lista, i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) desenhados com um pincel finíssimo de pêlo de camelo, etc, m) que acabam de partir o jarrão, n) que de longe parecem moscas"
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