aproveitemos um pouco para uma anti-campanha de bairro















Lucy Casson, “Nozzle”, lata e outros materiais, 24x18 cm

mas ficámos sem net, sem telefone e as os anéis e jóias não ajudam a navegar


esperemos que a situação se resolva rapidamente. Até lá o piloto-automático está disponível para tomar conta do blogue e, se for preciso, das suas fãs


Estimados leitores do Cocanha, venho aqui para informar que a tal história da Zazie acerca a falta de janela no peito está a ser publicada pelos excelsos cientistas do Conta Natura .

É claro que eu não ponho lá os pés que isto de biólogos e ratos já se sabe no que dá e eu não nasci para mártir. Mas vocês podem ir à confiança- o Vasco é um velho compincha e há-de controlar a curiosidade por algumas miudezas em bom estado que imagine dentro das vossas carcaças.

É assim a vida, uns acham-se com dotes para nos ler a alma, outros vão-nos logo ao lombo.

Boa sorte. Aventurem-se pela Ciência mas ainda assim deixem os cartões em casa; o seguro morreu de velho...

Enquanto as fisionomias correm por lá podíamos ver aqui outras momices. Que tal uns entremezes e mascaradas?













Giuseppe Arcimboldo, projecto de máscara de Dragão, pena, tinta azul e aguarela sobre papel, 29x19 cm, Gabinetto Disegni e Stampe degli Uffizi, Florença

"Jeanne tinha, da Vida, aquele sentido em que atendemos pouco. Ela sacrificou a sua vida para salvar o sentido dessa vida."

Robert Bresson








passinhos curtos, rápidos, obstinados


passinhos de pombas
libertas das cinzas



confiadas às nuvens

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continuar aqui

A não perder mais esta baforada hilariante do nosso Dragão

You know I love you oh my darling you know I love to tell you it
You know I’d die for you my sweetheart I hesitate to stir the shit
I know you’re kind I know you’re generous and on you’re shoulder there’s no chip
Its just a small thing oh my darling your very presence makes me sick
Your compassion is unequalled I’m worthy not your boots to lick
You are an angel pure and simple for you’re presence I’m not fit
You really do deserve a husband who’s young and kind and rich
You’re so witty and so charming you put to shame those country hicks
It’s just a small thing oh my darling you’re very presence makes me sick

Queixa-se o nosso poeta hortelão que ainda não encontrou o tom certo para uma “escrita automática”. E assim, lá vai podando um post aqui, rasurando um outro acolá, mantendo, apesar de tudo, a maior coerência surrealista na limitação dos comentários apenas a "membros do team"- que como se sabe não são apenas os cinco (de que se lembrou há tempos o nosso Dragão Caguinchas) pois englobam todo um mundo entre ele e a sua horta.

Mas quer mesmo uma escrita surrealista, automática e ao desbarato? Pois essa já existe há muito; pratica-a o surrealista, anarquista, futurista da Trafaria e tudo- o grande maradona com minúscula e a receita é simples- basta escrever e deitar fora.

“Por maiores benefícios que se reconheçam na concorrência, não há dúvida de que ela não constitui força económica permanente, pois tende para a sua auto-destruição, nem as vantagens que prestas as usufrui a colectividade sem prejuízo de maior.
De facto, muitas vezes se nota que os concorrentes, por eliminações sucessivas dos mais fracos, chegam ao monopólio ou ao entendimento, forma acentuada do primeiro. E verifica-se que na luta se desperdiçam capitais e se joga o destino e interesses do trabalho, com vantagem por vezes insensível e sempre transitória para os chamados consumidores. (...) ninguém hoje se lembra de, numa economia nacional que se pretende ordenada, estabelecer como princípio fundamental a concorrência sem limites. Por outro lado o monopólio assusta- assusta porque tende para o abuso como toda a força não controlada, porque tende para a estagnação como toda a actividade sem estímulo, porque, como bem disse Poincaré, onde está o monopólio aí começa o socialismo. Devo acrescentar que me parece não serem estes os resultados em toda a parte, sendo por isso provável que a formação do espírito colectivo leve nalguns países o monopólio a cuidar de servir bem o público antes de servir os interesses particulares dos monopolistas. Não há dúvida, porém, de que em muitos povos- e o nosso entre eles- as coisas se passam no mau sentido que defini. Eis uma dificuldade que deve ser resolvida.(...)"

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solução:

pois bem, a Branca Nunes acertou à primeira e o JE chegou lá à segunda. Foi Salazar.

António de Oliveira Salazar, "Problemas da organização corporativa"- Conferência no S.P.N., em 13 de Janeiro- Discursos, Vol.V, págs. 283-284, 287-291, 294-296, 296-298), 1934, para o primeiro e págs 287- 288 e 289- 291), 1934.

“Como manter o Estado ao abrigo da corrupção plutocrática e as forças do trabalho ao abrigo das suas prepotências? È evidente e ensinado pela experiência que é fácil a corrupção onde a responsabilidade de poucos é substituída pela irresponsabilidade de muitos; os regimes democráticos prestam-se, mais que nenhuns outros, a compromissos, entendimentos, cumplicidades abertas ou inconscientes com a plutocracia. A fiscalização da administração pública por parte dos particulares e a existência de imprensa aberta à colaboração dos homens independentes contribuirão para descobrir e tornar estéreis as manobras dos interessados. Mas a forma mais fácil de manter o Estado ao abrigo da corrupção plutocrática é- não ter de ser corrompido. Quando há pouco afirmei, tratando da economia nacional, que é preferível a sua auto-direcção à sua direcção pelo Estado, tinha em mente, além do que disse, a vantagem para a política e a administração pública em que o Estado seja tão estranho aos interesses de cada um, como atento aos de todos. Mal vai quando um grande negócio, lucros avultados, especulações, preços, importações, encomendas, licenças, direitos, dependem por sistema do parecer de uma repartição pública ou da assinatura do Ministro. A simples suspeição dos particulares envenena a administração.
Quando a organização corporativa tenha sobre si o ordenamento da economia nacional e este seja auxiliado por uma certa estabilização das condições económicas do Mundo; quando por toda a parte hajam desaparecido as restrições, a concorrência desleal, as variações monetárias intencionais e tendenciosas; quando no interior do País a economia estiver entregue aos que trabalham e se distinguir claramente entre o trabalho e a especulação; quando sobre os interesses de produção discutirem, lado a lado, os grandes e os pequenos produtores e a massa operária organizada puder fazer ouvir a sua voz, então ver-se-á que o plutocrata não tem lugar para si e para os seus negócios e não poderá fazer mais que gastar melhor ou pior o seu dinheiro. A organização nos seus diferentes ramos e aspectos terá libertado o trabalho do despotismo do dinheiro, e terá levado o dinheiro a servir modestamente o trabalho”.


Quem disse?













Lucy Casson, lata e outros materiais, 32x14 cm



os papa-léguas de precisão




quatro agrimensores a traçarem a quadratura
Bertrand Boysset(1355-1415), La siensa de destrar et de La siensa d'atermenar





















medição de distâncias com auxílio de astrolábio
Mariano Taccola (1382-1458?)





Quando o desafio era maior e a proposta medir o mundo, a crítica à megalomania não se fazia esperar. Sebastian Brant refere-o na Nave dos Loucos

“Não considero verdadeiramente sábio
Aquele que gasta todo o seu zelo e sentido
A descobrir cidades, países
E parte, de compasso na mão
Para conhece bem a largura da terra,
E a profundidade do mar
(...)Que povos estão nas latitudes,
Se existem, por baixo dos nossos pés,
Também pessoas, ou não existe nada?
Se aí vivem, como se sustentam de pé,
E não caem no ar?
(...) O mestre Plínio acerca disso já dissera
Que é por certo insano
Quem quer abraçar o mundo imenso
(...)Que necessidade tem o homem
de procurar mais alto que ele
sem saber para que isso lhe serve
o que encontrará aí de eminente
quando ignora a hora da sua morte
que corre atrás dele como uma sombra
por mais verdadeira e certa que seja esta ciência
Por isso é um grande louco
quem sonha
que lhe pertencem coisas estrangeiras
que procura conhecê-las directamente
quando o próprio não se conhece

(...) só busca glória mundana
esquecendo o reino eterno”


Uma tremenda injustiça. Assim conseguissemos manter o olhar cor-de-rosa do turista na trivialidade das andanças diárias...

a tal história do Momus e da falta da janela, é só para lembrar que hoje é dia de euromilhões!














Anda por aí um grande burburinho por causa de uns supostos plágios de banalidades como a explicação do "número de ouro". Pois bem, só estranho que haja tanta exigência de originalidade para questões idênticas a dizer as horas ou indicar-se o lugar onde pára o autocarro e tanta indulgência quando se assiste ao espectáculo de um burro engalanado a publicar bacoradas.




E burros a zurrarem da cátedra é o que mais há por aí... e aí... e mais aí...até ao topo institucionalizado



emblemata- "fortuna non mutat genus" Bretschneider (1578-1640)


e vai para a Cris que gosta muito dela!


original:George Herriman
plágio: Sherrie Levine

tenho de falar deste aqui e não será por razões musicais nem de boémia ...



















isto era falta de musicóle...

A Zazie não me deixou chamar umas piquenas jeitosas que eu conheço e que por sinal até trabalham muito bem e agora não tem mão nisto...


Estamos bem arranjados. Ai estamos... estamos...

É só para avisar que a tripulação do estaminé anda em lavagens e é claro que estas coisas para serem bem feitas não podem ser entregues àqueles homenzinhos verdes com antenas das canalizações virtuais. Logo que os peritos se aviem e o chão seque, serão entregues algumas encomendas há muito prometidas.
até já