Enquanto não chega o resto da macacada


Celestina dagli occhi celesti
ha il visino color di una rosa
se tu fossi la mia morosa
alla messa vorrei farti andar.

Monachella son stata tre anni
ero chiusa con sette cancelli
mi tagliassero i biondi capelli
giovinotti piangete con me.

Giovinotti piangete piangete
avete perso l’amante più bella
era bionda era riccia era bella
e brava da fare l’amor.

Sedici anni facevo l’amore
diciassette son stata tradita
diciaotto mi trovo pentita
dell’amore che ho fatto con te.

( Não temos mãos a medir- são muitos, os macacões)
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A propósito- gostam do favicon?
hummm....?
é do Andreas Lindkvist, que é um grande artista e já não é à borla.





Rousseau, como não acreditava muito na evolução da espécie humana, estava convencido que os ditos orangotangos, descritos pelos viajantes, podiam não se tratar de brutos animais, mas de seres humanos no seu pacífico e feliz estado primitivo.

Já o bispo de Polignac era mais céptico. Consta que um dia deram com ele a desafiar um chimpazé no Jardin du Roi: “fala e eu baptizo-te”.
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Cfr: Raymond Corbey, The Metaphysics of Apes: Negotiating the Animal-human Boundary,Tilbury University and Leiden University, Cambridge University Press, 2005
















Já contribuiu para a sua ONG hoje?



Não...?
Então contribua e não esnobe, pá.

Um Marcel L' Herbier de 21 com cópia pintalgada e restaurada

clicar

5ª feira, 29/05 às 23h no Cabaré MAXIME

links:
Rita e o seu Ukelele

Cabaret-Maxime

«Com tantas reformas que andam a fazer, ainda é preciso ir lá o Primeiro Ministro com o papel?
Isto é uma vergonha
»

Medina Carreira nos Prós & Contras

Se os dedos e os gestos sempre se inscreveram numa linguagem mágica, os pequenos talismãs, colocados junto ao corpo, ainda lhes acrescentavam poderes superiores, como forma de enfrentar maus-olhados e doenças tão prontamente fatídicas em tempos mais recuados.

O seu uso difundiu-se de tal modo que a preciosidade do material- como o coral ou marfim ou o ouro transformou-os em delicados e artísticos objectos de ourivesaria, cujo uso chegou aos nossos dias, ainda que desactivado do seu sentido inicial.
Velazquez, Príncipe Felipe Prospero,1659
As crianças em particular eram alvo destes acrescentos de protecção quando a saúde débil os ameaçava.
Velazquez deixou-nos o quadro do pequeno e triste príncipe Filipe, em cujas vestes se prende grande variedade destes talimãs que não lhe evitaram a brevidade da vida.

Em virtude da mistura de judeus e mouros com cristãos aqui, na Península Ibérica, este fundo popular tende a ser assimilado sobrepondo-se a função mágica às condenações que a doutrina católica sempre lhes foi fazendo.






Um dos amuletos com maior perenidade, cujas simbologias se sedimentam de forma complexa é a chamada mão de Fátima. Derivada de sentido milenar do poder da mão- a mão aberta, benfazeja é conhecida desde o neolítico e vai transitando com acréscimos religiosos que tendem a unir-se mais pelo espaço geográfico comum que pelas religiões, por vezes em franco antagonismo histórico, partilhadas por esses povos.

A khansa é a mão aberta- à letra, cinco- os cincos dedos com sentido mágico mas também relacionados, cada um deles, com os cinco mandamentos islâmicas. O termo mão de Fátima foi empregue pelos europeus, numa mutação da ligação entre a figa com a Virgem Maria. Fátima era a filha predilecta do profeta- a Al-Zhara- Vénus resplandecente; a Al-Batûl- a que permaneceu pura mesmo depois de conceber.
A mão aberta, que já tinha esse sentido milenar apotropaico, torna-se também o símbolo de protecção feminina, em forma de amuleto tradicionalmente usado pelas mulheres.
Amulette Hamsah,Iran, XIXe siècle, Argent gravé,7,5 cm x 4,9 cm, Musée d'Art et d'Histoire du judaïsme, inv. 91.12.029
Entre os povos da Palestina era a Kef Myriam (a mão de Maria, irmã de Abraão e de Moisés), neste caso no gesto em forma de cornos, feito pelo dedo mínimo e o indicador. O par de cornos que afasta o mau olhado transita para a forma do crescente- a lua feminina.
Os amuletos com a mão de Fátima também tendem a incluir a estrela de cinco pontas- o signo saimão ou signo de Salomão. Este tradicional talismã tem uma longa tradição na ourivesaria portuguesa, juntando a mão aberta, ou mais comummente a figa com o crescente, o pentagrama ou estrela de David e um coração- o sagrado coração de Maria.





Um sinal aparece no céu, Le Miroir de l'humaine Salvation, Chapter XXXVI.Newberry Library, Chicago, Ms. 40, fol. 37 recto, séc XVO intuito benfazejo junta-os com o crescente lunar e é por via deste que o sincretismo se efectua. A Senhora da Lua é a mulher vestida de sol, e a lua debaixo de seus pés, do relato do Apocalipse a que clamava com as dores do parto e sofria os tormentos para dar à luz" por sinédoque a Virgem da Imaculada Concepção que na tradição popular se associa aos amuletos do signo saimão e da mão de Fátima.

Com a consagração de Portugal à Virgem da Conceição, efectuada por D. João IV, em agradecimento à Independência do reino, no ano de 1646, o Brasil vai herdar este voto à Imaculada Aparecida como sua padroeira .
http://www.historiaecultura.pro.br/cienciaepreconceito/iconografia/exvotos.htm


É certo que o clero tentou substituir estes amuletos pagãos por cruzes ou medalhas, incluindo as do Papa. Em 1628 foi publicado, em Barcelona, o “Tratado en el qual e repruevan todas las supersticiones y hechizerias”, de Pedro Ciruelo, com esta intenção.
anunciação, mosteiro da Batalha

Veio tarde e sem grandes efeitos práticos. Antes dele, ainda foi possível incluir estas mãozinhas de Fátima num colar, usado pela própria Virgem, em momento de lhe ser anunciada pelo Anjo a escolha divina.
virgem com colar de mãos de Fátima, mosteiro da Batalha

Assim mesmo, com vestes galantes e largo decote mostrando o pronunciamento dos seios, esta virgem galante, mostra um colar com seis mãos ao pescoço. Esculpida na janela sul da Casa do Capítulo do mosteiro da Batalha, em meados do século XV, durante a intervenção de Huguet, é um exemplar curiosíssimo do qual não se conhecem paralelos.
O tema foi reconhecido como uma Anunciação de tipologia bizantina1, completado pelo cântaro que transporta, a mão que leva ao ventre e pelo jovem anjo que ajoelha e para ela se vira, no capitel mesmo ao lado.
Não se sabe a quem se deve a autoria destas esculturas, ainda que a mistura pagã esteja bem presente nos temas batalhinos, quer numa versão de uma natividade de tradição gnóstica, de um dos capiteis da capela-mor, quer na mistura entre temas cristãos e simbologias precursoras da mitologia clássica. Tanto pode ter sido artífice mouro como judeu, já que saber artístico partilhado por estas minorias.
Certo é que a ideia de uma demarcação cristã, assim como outras incompatibilidades religiosas e sociais saem tendencialmente bastante beliscadas nos testemunhos iconográficos, mesmo no final da Idade Média, quando o final do longo convívio se avizinha.
1Carlos Alberto Ferreira de Almeida, A Anunciação na arte medieval em Portugal , Porto, Faculdade de Letras, Instituto de História de Arte, 1983.
Consultar também:
. Elworthy, The devil eye, London, 1895.
. G.J. de Osma, Catálogo de azabaches Composteleanos, precedido de apotamentos sobre os amuletos contra o mau-olhado Madrid, 1916.
. José Leite de Vasconcelos, « Signum Salomonis », in O Archeólogo Português, XXIII, 1918, pp. 203-313; J.Herber, “La main de Fatima”, Hesperia, Tome VII, Année 1927, pp. 209-219
. José Travaços Santos, “Perguntas e incertezas na decifração duma escultura do Mosteiro” Jornal da Batalha, Jullo, 1993.
. W.L. Hildburg, “Images of human hand as amulets ins Spain”, Journal of the Warburg Institute, n.18, 1955, pp. 67-89

Amadeo de Sousa-Cardozo,Procissão Corpus Christi, 1913
A tradicional luta entre S. Jorge e o Dragão (o Santo patrono de Portugal a vencer o Mal) que integrava os cortejos da procissão do Corpus Christi incluía engenhos articulados de madeira. Em Guimarães, no ano de 1643 a vereação da Câmara impôs a sua construção aos sapateiros da cidade que a deviam engalanar de vestes e coroa. A mesma serpe chegou a ser animada por meio de homens que se introduziam no seu interior, fazendo-a mover e saltar. Teófilo Braga ainda recorda um destes engenhos festivos que saiu à rua no ano de 1687: «A tal coca é um monstro em figura de dragão. É de arcos coberta de lona, e rodas por baixo, sobre as quais marcha e contramarcha. Tem asas, pontas, e uma grande cauda retorcida. A boca é de molas, e, para que se abra e feche, atam-lhe uma corda porque puxam atrás os homens que fazem andar o dragão para meter medo ao cavalo».
Cfr: Almanach de lembranças para 1867, p.276.
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a Coca nas festas minhotas
consultar: Luiz Chaves, "Os
oficiais mecânicos de Coimbra na procissão do Corpo de Deus”, O Instituto, vol. 89, nº 4, pp. 350-371.
Alberto Pimentel, As alegres canções do norte, fac-simile da primeira edição de 1905, Publicações D. Quixote, Lisboa, 1989.
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Acrescento: não perder os postais do
Paulo acerca das festividades da procissão (lembrámo-nos os dois do Amadeo)

Shirin Neshat/Untitled,1996,Black & white photograph with ink,Photo taken by Larry Barns,9 3/8 x 6 1/2 inches(23.8 x 16.5 cm)


































Shirin Neshat,fotografia a preto e branco, 1996

Se lhe disséssemos que se podiam juntar estas mãozinhas com o signo saimão do velho Salomão judeu, mais a Zhara, filha do profeta e que a Virgem Maria ainda se juntava na barafunda, não acreditava, pois não?

Então espere um pouco que já lhe mostramos que não só foi possível, como ninguém se explodiu à conta da heresia.

(só que vai ser mais lá para o final da semana)

Felix Valloton,Cour de ferme, 1912












ateuzinho ignoradoateuzinho desconhecidoateuzinho ignorado da parte de baixoateuzinho desconhecido, a tentar ser reconhecidoateuzinho desconhecido à boleiaateuzinho que faz lembrar alguém




Desde o Bode Esperança fechou estamine que a bodegada órfã anda desesperada. Como os outros gurus não albergam esta praga de pulgas sem cão, vá de andarem para aí, feitos zombie, a largar cacaganitas por tudo quanto é sítio.
Vino Puro- monges ensacados em pele de vinho, misericórdia do cadeiral de Ciudad Rodrigo (autoria de Rodrigo Alemão)E depois, os crentinhos virtuais entraram numa de cenobita e devem estar tão ocupados com as receitas de papos de anjo e barriguinhas de freira, que nem se dão conta do chiqueiro.


O que nos vale é que o Dragão se encarrega da mama cientóina dos que os alimentam- a grande treta pseudo-intelectual, onde bebem todos os ludvígaros, fiolhosos, vitalinhos muchos e restantes bufarinheiros de venda a retalho da velha doutrina jacobina.





e os tritões ajudam à festa, agarrando-as pela barbatana

misericórdia do cadeiral da catedral de Bristol
Estes decidiram instalar-se no cadeiral da catedral de Bristol para tão estranha e lúbrica patuscada.
O homem alado tem tudo de Mothnam avant la lettre e nada do voador de Avicena, já que sentidos não lhe faltam e patas com garras demoníacas ainda menos.
O wyvern que se baba e que até parece estar a ajudar a preparar o repasto, também não deveria ser nenhum dragão heráldico de Oxford a banhos.

Alvitra-se a hipótese do o terrível selvagem de Orford ter-se encontrado com o espírito do dragão wyvern, do rio homónimo, saciando apetites nas longas horas de salmodia de coro, em fantasias paralelas às dos pescadores que ainda hoje por lá passam dias inteiros a tentar apanhar uma boa truta.



 www.acrossindonesia.com/Irian_Photo_Gallery.htm
porque já meteu o IRS























E você?




Quando eles vêm com aquelas listas de mercearia das “visões democráticas e seculares” e mais a “liberdade laica”
e os contratos de cidadania com o “actual paradigma civilizacional, onde as religiões têm de se circunscrever à esfera individual”; tudo isto por causa do armagedão, a gente sabe que não é frete- são fitas








"eu fico triste que me chamem embolomático; eu não sou embolomático; o verdadeiro artista joga limpo, minha querida, chamar-me embolomático é falso e é uma coisa que faz quase arrebolar as pedras da calçada"












dediquemos também esta canção à série humorística das Jaquinadas no telhado





















É sempre muito engraçado assistir ao moralismo hipócrita escarranchado no meio do chão.
domestic spanking- Sherborne Abbey
E nem vou contar o que se passou. Mas tentem perguntar ao bacano do Tim , esse paladino da defesa dos mais fracos, e das alianças com todo o bicho-careta contra os uber-facistas, o que aconteceu para fechar os comentários do blogue.

Eu prefiro gozar o prato com o musaranho.



(e não, nem foi nada com ele, salvo seja...)

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Acrescento (12-5- 19-30h):
Estas bravas declarações aconteceram
aqui Como o grande chefe das brigadas de denúncia a qualquer inofensiva brincadeira com narizes já apagou tudo, fica entregue à vossa imaginação o que lhes tirei dito.
É assim a esquerdalhada inquisidora. Como as crianças não dão voto, lá têm públicas virtudes para a novilíngua e vícios privados para o resto.

As mãos também vêem, já dizia Gregório de Nysse , razão pela qual estão ligadas à linguagem.E é por isso que há dedinhos e gestos que despacham muito rapidamente o interlocutor. Estou-me a lembrar de um do meio do Bush que já causou danos na blogosfera.

Mas existem para todos os gostos.

cano da água, mosteiro de Alcobaça
Os útilitários- nem sempre apontar é feio- pode servir para informar que é por ali que passavam as canalizações da água do refeitório dos monges de Alcobaça
S. Gregório de Valadolid ou o apontar a dedo sem se saber a quem, de S. Gregório de Valadolid.
punho fechado, claustro dos Lóios de Évora a mão fechada, dissimulada que guarda segredo. Com esforço ainda pode passar por prática de esoterismo.
morder a mão Lóios de Évora


"Se apontas com um dedo és apontado por outros três".

E, se não sabes ter tino nas mãos, morde o próprio braço.
bascanionOs defensivos contra o mau olhado:

Este bascanion, divindade pagã com a cornucópia da abundância e o gesto de enfiar o dedo na boca para lançar saliva contra quem se aproximasse com mais intenções, sintetiza-os a todos.

Foi parar aos Jardins do Duque de Palmela, depois oferecido a Leite de Vasconcelos e está hoje nos reservados do Museu Nacional de Arqueologia. Deve ter sido peça romana, a que mais tarde se acrescentou a legenda em letra gótica: “ninguém não me olhe, e quem me olhar tomo-o".

Os bascania eram uma espécie de magos, destinados a evitar a entrada do mal do local que protegiam. Entre os romanos fazem parte da variedade de lares familiaris, que também eram destinados aos nichos das entradas das portas.

Quem o demo toma uma vez, sempre lhe fica o jeito1
O jeito afeiçoa-se ao gesto. O excesso de visão, provoca o mau olhado; o bascanion tem o dom do espelho. Toma-o e esconjura-o com o gesto do índex erecto enfiado na boca, expelindo o feitiço de volta a quem o lançou. A saliva neutraliza o olhar venenoso, tal como cura a ferida do atacado. Lançada como desprezo e desfeita, ostenta a admoestação.

É claro que nos dias que correm é mais seguro uma caçadeira em casa que dedinhos de cornadura, gravados nas árvores, ou mesmo estes bascania no jardim. Mas, ainda assim, sempre faziam melhor figura que os leões de casa estilo emigrante projectada pelos engenheiros-arquitectos.

E vou mais longe, se os gestos são linguagem,até ficavam muito bem em S. Bento e em Belém.
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1 Cfr: José Leite de Vasconcelis, Opúsculos, vol V, Etnologia, (parte I) Imprensa Nacional, 1983.

guarda-rios e galeirão

guarda-rios e galeirão
Paulo Pascoal (1998, cibachrome, 640x800mm)