Sempre que me lembro do sem-abrigo de Oxford, deitado junto a uma ermida, absorto na leitura do Crime e Castigo, na companhia de um cãozinho de plástico, de pata levantada a apontar para o prato das esmolas, que estes debates sobre a “aversão aos clássicos” me enfadam.


[esta foi a primeira "oxfordiana" do Cocanha. Também tenho direito, ora!]

5 comentários:

Mário disse...

Classics can be fun too :)

http://img.slate.com/media/1/123125/2141877/2141880/2141881/1iliad.jpg



http://www.slate.com/id/2142392/

Antónimo disse...

É fácil as aversões dos outros enfadarem-nos a nós, bom musaranho: a mim algumas cocanhices-bichinhos (e o bichinho não és tu, permite-me que te tuteie, camarada roedor) a mim também me enfadam: Godard sim, mas antes de se tornar muito intelectual; zumba-na-semiótica-na-semiótica-zumba; rebelde, rebelde, mas antes anti-comuna que de esquerda, etc. e tal. Eu, que não sou um apocalíptico defensor dos clássicos, mas lá os vou exercitando sem aparato nem erudição, pois também a mim, mesmo nas condições referidas, me enfada o levar a mão à pistola quando aparecem clássicos pela frente. Mesmo quando os clássicos são russos oitocentistas.

Agora, ó musaranho, quem é que havia de estar sem abrigo à esmolinha, em Oxford ou noutro sítio qualquer, neste século XXI: o tipo que lê os clássicos - é óbvio, não é? Olha, pá, tem cuidado: lá por Oxford, não fiques tu, nem a nossa Zazie, às moedinhas - nem perores diante de um ASN que depois da Ada do Nabokov não é possível escrever mais nada. Parece que ficam atónitos - não é caso para menos.

Manda beijos à Zazie (que anda a sonhar "homens a sério": ele é o Clint com a barba por fazer, seguido de beatos abdominais ginasticados. Ein Mann, ein richtiger mann, como dizia a Marlene). Um abraço para ti do

Antónimo

zazie disse...

ahahah Mário! ainda andas às capas?

musaranho coxo disse...

ó Antónimo, man, isto foi mais para dar uma de animal letrado, que eu cá em terras de sua majestade é mais é esquilas e bolinhos de chocolate ao fim da tarde.

A zazie é que quando lá vai ou anda às gárgulas ou dá numa de ratinha de biblioteca.

E nada de confusões cinéfilo-beatas que por aí não há descobertas. Só bons balanços e melhores conclusões.

E a Marlene era uma chata. Para isso temos a menina Tallulah do cabeçalho muito mais em conta.

Mário disse...

Zazie, uma parte da minha vida foi andar aos papéis ;)