"Pécuchet tentou explicar os mitos, perdia-se na Scienza Nuova.
- Negarás tu o plano da Providência?
- Não o conheço! - disse Bouvard.
E decidiram recorrer a Dumouchel.
O Professor [Dumouchel] confessou que estava agora desconcertado com a História.
- Ela muda todos os dias. Contestam-se os reis de Roma e as viagens de Pitágoras! Ataca-se Belisário, Guilherme Tell, e até o Cid, que se tornou, graças às últimas descobertas, um simples bandido. É caso para desejar que não se façam mais descobertas, e o Instituto devia até estabelecer uma espécie de cânone, prescrevendo aquilo em que se deve acreditar!"

Gustave Flaubert, Bouvard e Pecuchet, (trad. Pedro Tamen)Ed. Cotovia, Lisboa, 1990


[recordado pelo Rui Amaral ]

2 comentários:

Constanza disse...

"o Instituto devia até estabelecer uma espécie de cânone, prescrevendo aquilo em que se deve acreditar"

Cá, já estamos mais adiantados.
Essa espécie de cânone é o "Estatuto dos Jornalistas" que nasceu porque o ministro Santos Silva não gosta do "jornalismo de sarjeta".
A História passa a ser escrita correctamente e não se falará mais das Licenciaturas que foram para o maneta.

zazie disse...

Podes crer. Esse foi o asco da semana. A "censura democrática". E olha que a blogosfera é a grande ameaça...

Mas, se o cinismo também já se entranha e até há tanta alminha pura- que paga impostos e cumpre as regras- que acha que denunciar uma mentira é difamação, que se pode esperar?