O caro Misantropo recebeu uma daquelas correntes que dantes funcionavam com santinhos e estampilhas fiscais e tanto prometiam saúde paz e amor a quem as continuasse, como lançavam pragas infernais aos que as mandavam às urtigas.
Com o mundo Web estas coisas actualizaram-se e agora o inferno acontece logo ali- com caixa de correio entupida à custa de babélicas torrentes de catalogação idêntica à do empório celestial de conhecimentos benévolos.
Ora bem, benévola também parece ser esta correnteza de pequenas manias pessoais em que Paulo e o João já caíram e para a qual vou contribuir, quanto mais não seja para ganhar legitimidade para cuscar o que estará para vir...

Aqui ficam 5 manias:

1- Estou para fwds de pedidos de ajudas a cãezinhos anónimos desaparecidos, meninas castas em cima de árvores e gatas com cio fugidas de casa (a ordem dos factores é arbitrária) como o nazi das sopas para os clientes.

2- A minha resposta a assédios para integrar qualquer tipo de clubes fracturantes, testemunhas de Jeová, associações partidárias, psicanalíticas ou alcoólicas por identificar, é idêntica à que dou aos amigos de Olivença- ide a cavalo chatear os espanhóis.

3- Só uso botas, sapatos e sandálias Doc Martens (sem assédio e com o charme possível)

4- Devo fazer parte do concorrente mais desejado por qualquer concurso “preço certo”- não consigo fixar o preço de absolutamente nada.

5- Encasquei que qualquer criatura por mais pacífica que aparente ser, ao agarrar-se ao volante fica possesso do demo. A paranóia é de tipologia reactiva. Se algum dia virem uma senhora aparentemente normal, a atravessar a rua com crucifixo e raminho de alhos numa das mãos e caçadeira de canos serrados na outra, já sabem- fui eu que perdi o metro.

E agora as 5 vítimas escolhidas a quem adianto o rebuçado: o Nelson Buiça também vai responder
ehehehe

Dragão
Triciclo Feliz
Animal
dr rotwang da abóbora
JPP

....fiquei com a ligeira sensação que já cortei a corrente ... “:O.

Your Life or your lupines!


- Well I've managed to find you four very nice silver spoons Mr Jenkins.
Male Peasant- Who do you think you are giving us poor this rubbish?
Female Peasant- Bloody silver. Won't have it in the house.And those candlesticks you got us last week were only sixteen carat.
Male Peasant- Yes, why don't you go out and steal something nice like some Venetian silver.
Female Peasant- Or a Velasquez for the outside loo.




A moral é o grande luxo deste mundo a que ricos e poderosos se podem dar. Chegar ao topo, subir ainda um pouco mais e correr toda porcaria a pontapé

[um luxo reservado a homens de barba-rija bafejados pela natureza]

Só tenho a dizer que estarei sempre do lado dos desagradáveis e antipáticos que se lembram de chatear por coisa nenhuma.

Força George!. Não há nada melhor para evitar a auto-indulgência que perder-se tempo em guerrinhas chatas deste tipo

...............................................................................
Adenda 31/01: 21.51
Hey George. É com tiradas destas que rapidamente um vilão passa a canastrão.

Vasco Pulido Valente no Espectro!

[como se sabe sou totalmente insuspeita ... cóf...cóf...cóf...]



À Miro pour tout et le reste
À Julien et Vincent qui sont nés de même temps
Que ces animaux de papier
À Fréderic et a Carmen qui ne verra jamais
rien de tout cela











guarda-chuva de Jean Solé [Animaleries]



Finalmente nevou sobre Lisboa!

não deu para descer o Chiado de trenó, como sempre imaginei, mas ainda foram uns flocos bem bonitos



Os rapazes aproveitam para limpar os cantos à casa


Até já

[Lucy Casson, cleaners]





ou como a Constança também chegou à nova cartilha maoista







ou o regresso da triciclinho feliz!

É claro, caro Paulo, que nunca imaginámos uma misantropia destas...


















Honoré Daumier, Misantropie, L'imagination, 1833

(em continuação)


Giambattista della Porta acentua o lado bizarro nas ilustrações que acompanham o tratado e insinua-se por áreas em que a humanidade se expande para outros reinos A pesquisa de semelhanças cósmicas leva-o a procurar semelhanças no próprio reino vegetal, afastando-se assim da legitimação moralizadora em que ainda se podiam incluir os zoomorfismos.

São os olhos, as sobrancelhas, que se comparam a ramos e raízes, como se toda a geração estivesse sujeita aos mesmos princípios indecifráveis, caminhando para a possibilidade do homúnculo liberto das grilhetas adamitas. O corpo e o natureza fundem-se; ramificam-se os dedos das mãos do mesmo modo que as raízes de uma planta; arqueiam-se sobrancelhas como o corpo de um roedor; todos os detalhes e partes da antureza tornam-se metáforas recíprocas, examinadas como se de uma enciclopédia das formas se tratasse. No De Humana Physiognomia (1586) os paralelos transformam-se numa autêntica taxionomia iconográfica.Os dentes humanos fazem lembrar os “dentes” na casca de um ananás, nas sementes de um fruto ou na raiz de uma flor. As expressões faciais conjugam-se com um catálogo do reino vegetal e incluem receitas à base de ervanária aplicada a cada órgão do corpo

Esta cartografia da face e da alma, ainda esteve sob censura por parte da Igreja, a quem nunca agradaram as artes mágicas, mas escapou ao Índex com o bom argumento que os traços humanos apenas atestam predisposições e que o livre-arbítrio da consciência permanecia.

A convivência destas tradições materialistas com a ortodoxia religiosa prossegue de forma mais pacífica que muitas vezes se supõe. Em pleno século XVII o erudito médico Sir Thomas Browne (1605-82) na Religio medici (1635) continua a afirmar que certos caracteres na nossa face que transportam o moto das nossas almas, discordando que tal se deva à influência planetária pois pensa que apenas exprime o temperamento.

A importância da ilustração figurativa é decisiva, razão pela qual os próprios médicos conseguiam maior aprovação das teorias pela capacidade de ilustrarem os seus tratados. No caso destas experiências em torno das marcas fisionómicas os caminhos entrecruzam-se e vão caminhar a par até muito tarde.






















Lavater tanto recebe esta herança por via de Giambattista como usa os desenvolvimentos que Charles le Brun, pintor de corte de Luís XV e ditador das belas artes conservadoras da corte havia desenvolvido.
O talento de desenhador está bem patente no refinamento que imprime nestes desvios por trabalhos “menores” que só vieram a ser publicados postumamente em 1698, como "método para aprender a desenhar as paixões”.

A ilustração torna-se decisiva para a divulgação destes estudos, motivo pelo qual deparamos com trocas entre artistas e “fisiólogos”. No entanto nem todos seguem as taxionomias e desenhos espartilhados.
Foi o que aconteceu com Rubens, igualmente atraído por estas derivações em torno da bestialização da alma humana. Nos esboços que executou em Itália e que acabou por inserir no Tratado da figura humana há toda uma interiorização da força bestial, em fisionomias inquietas e agitadas, cuja potência se exterioriza numa espécie de “terriblitá” mais próxima de Miguel Angelo que dos catálogos analíticos dos restantes fisionomistas.
Não terá sido por acaso que foi nele que Masson veio beber as influências, quando as experiências surrealistas se voltaram de novo para estas tradições mais “underground” da arte.
Paralelamente também se tinha dado uma bifurcação artística entre esta "cartografia" de marcas astrológicas do carácter humano e as derivações “bárbaras” e satíricas, mais próximas da etimologia das momices do deus grego.
Com efeito, assite-se a uma evolução da própria noção de riso medieval- grotesco e escancarado- para a um gozo mais subtil, a partir do renascimento.





Artisticamente os zoomorfismos vão dando lugar a exageros caricaturais das próprias feições, tornando-as bestiais sem necessitarem de perder a intrínseca natureza humana. Leonardo da Vinci praticou-o à margem, neste caso sem qualquer intuito para-científico, apenas como um refinamento do humor dando origem à caricatura.

Simplesmente a caricatura era um desregramento facial, uma bestialização do ser humano por excessos que monstruosos em que perde a sua humanidade sem no entanto reflectir qualquer particularidade cósmica ou psicológica passível de organização sistémica.




O problema não será detectado por um cientista mas por um pintor satírico. Hogarth, (1697-1764) deu seguimento à fisionomia e no tratado de estética- Analysis of Beauty (1753), não só aconselha os artistas a estudarem os trabalhos de Le Brun como tentou (ainda que sem grandes resultados) separar os traços de carácter das caricaturas, de modo a que estes não fossem tomados por troça.
Hogarth teve uma verdadeira obsessão por esta diferenciação, a que no entanto nunca conseguiu dar forma convincente. Um ano antes de morrer ainda andava à volta do assunto, a propósito dos desenhos dos prepotentes juízes da série The Bench. Queixava-se que não lhe entendiam as marcações de carácter, insistindo em confundi-las com a caricatura, tal como as suas pinturas e gravuras satíricas também eram consideradas uma arte de segunda.

Importa salientar a mudança progressiva do uso de um bestiário moralizado para uma posterior ideia de mundo como animal vivo- que tem equivalência artística nas bizarrias de um Arcimboldo, como o tem nas ligações éticas e físicas de um Giordano Bruno ou de um Hobbes-, a que se vai seguir a interiorização no eu psíquico que com Descartes se afasta definitivamente do mundo das associações mágicas.




















As trocas de influências entre a arte e a ciência continuaram na obra de Lavater e atingiram um dos momentos mais importantes quando, Theódore Géricault acompanhou os estudos de Georget, precursor da psicanálise, captando na tela as primeiras tipologias de doenças mentais. Com este passo separava-se a caricatura monstruosa como marca de Deus para assinalar o desvio maligno, da patologia humana passível de entendimento e cura.
Contudo, o velho Tratado de Lavater não estava esquecido. No apogeu do nazismo recuperam-se estas “cartografias” da alma, frenologias e metroscopias congéneres, no intuito de se criarem definitivas taxionomias de raças.






















O corpo teórico da Ciência, tal como o da Arte, nunca foi neutro mas os cruzamentos operados atestam como o percurso de institucionalização da primeira também equivalem à desmontagem do satus quo da segunda. Na charneira encontra-se a valorização do grande iceberg escondido- as pulsões automáticas que constituem o Eu- capazes de o universalizar dispensando na Arte o génio-criador e dando origem na Ciência a "novos magos". A psicologia moderna também ganhou em precisão tanto quanto perdeu em ambição cósmica- os remendos dos novos "psico-oráculos" deixaram de aspirar a harmonias que vão muito mais além do mundo do emprego ou do apartamento.

imagens:
1, 2, 3-Giambatista della Porta (Sócrates, homem-leão e Policiano com rinoceronte de Durer, 1602)
4, 5, 6, Della Porta, De Humana Physiognomia
7 Johann Casper Lavater, “raiva”do Essays on Physiognomy, 1792, gravura de J.Hogg, segundo Chodowiedki
8- James Parsons, mulher desdenhosa, de Crounian -Lectures on Muscular Motion, 1745
9, 10- Charles le Brun, esboços fisionómicos de c. 1727
11- Rubens, Homens leoninos, c.1605-1608
12, Masson, segundo desenho de Rubens, Le Monde, 1981
13- Leonardo Da Vinci, esboços fisionómicos- detalhe (Louvre, Cabinets des Dessins)
14- Hogarth, Caracteres, caricaturas, 1743
15, 16, Théodore Gericault, louca e louco, 1821-22
17- Litografia de Ambroise Tardieu para E. Esquirol, Des maladies mentales, Atlas, Paris, 1838
18- Ataque demoníaco, A. Delahaye e E. Lecrosnier, gravura para Études Cliniques sur la Grande Hystérie ou Hystéro-Épilepsie. do Dr. Paul Richer, 1885


consultar:Jurgis BALTRUSAITIS, Aberrations. Essai sur la légende des formes. Perspectives dépravées, Flammarion, Paris, 1995

Barbara Maria STAFFORD, Boddy Cristicism, Imaging the unseen in Enlightenment Art and Medicine, The MTF Press, Cambridge, Massachusetts, London, 1992



















[e que mais falta vai fazer onde menos parece...]

exclamava o estilista: “alguma coisa de novo está a acontecer”


É capaz de ter sido a conjuntura astrológica a responsável por tanta novidade duma assentada. Desde o saudoso pai do satélite a outros símbolos da Pátria, não faltaram esperanças e as mais diversas expectativas: na vida para além dos partidos, na alegria da juventude mp3, no futuro radioso, no casamento harmonioso dos contrários que se completam, e até na mediática sobreposição do primeiro à declaração do grande segundo. Mas o momento alto e verdadeiramente épico da noite foi inteirinho para a força daquela triunfal derrota de 5,3%.

Mais à cautela - se não der epopeia, evite-se o reload. Ou como disse a outra popular: ao menos que não fuja.

Nem sempre gordura é formosura. Hoje fui roubada pelo Jójó, personagem bem entroncado e de ventre volumoso. Durante uns bons 20 minutos assisti à metamorfose do Jójó. Depois de ter sido despejado de carteiras, óculos com graduação, sem graduação e de sol, isqueiros, porta-chaves, cachecóis, vários tipos de luvas, telemóveis e até uma agenda que ele garantiu ser diário pessoal, o Jójó foi à vida magrinho e leve, com a traquitana num saco e eu fiquei de mãos a abanar. Como aquele parzinho de “relações públicas da ordem” me disse- o Jójó estava limpo e quanto ao outro que se pirou, ele garante que não o conhece...

Bem me tinha avisado um conhecido do Jójó: "Ó dona, se tivesse BI ainda combinávamos preço e dava um salto ao Intendente, agora por causa de papelada, um telemóvel dessa geração e uns óculos, pode chamar a polícia..."

Como explicava o bispo John Wilkins no ensaio de filosofia da linguagem, o reino animal divide-se em criaturas imperfeitas (invertebrados) e criaturas perfeitas que por sua vez se subdividem em peixes, pássaros e bestas.

Contra o que afirmaram alguns velhos heréticos e ateístas mais modernos, Wilkins garantia também que toda a bicharada podia ser facilmente acomodada na Arca De Noé, pois o número andava muito exagerado. Ao todo, entre alimárias e passarada, não haveria mais de três centenas.

Era um optimista, este Wilkins



Para evitar esforços de evangelização, tenho a declarar que nestas eleições eu sou monárquica e o musaranho menor de idade (biológica- a mental já se sabia).



Long live the little king!

o alvo eléctrico
Por meio de um complexos sistema eléctrico permitia uma boa e segura prática de tiro.
Louis Payot, La cible électrique du capitaine Chevalier, gravura em madeira, La Nature, Paris, Masson, 1903



Original do capitão Chevalier, 1900, ferro, 160x30x43 cm, Colecção Gastinne Renette, Paris



"Fotografia da voz", Dr Marage- Poyet, La Nature, Paris, Masson, 1908- máquina para estudar a vibração das vogais

A aguasfurtadas, revista de literatura, música e artes visuais, é uma edição do Núcleo de Jornalismo Académico do Porto e o resultado de muito trabalho. O número 8 acaba de sair. Inclui poemas de Affonso Romano de Sant'Anna (um dos grandes poetas brasileiros vivos), Margarida Ferra e João Luís Barreto Guimarães. Inclui também uma tradução inédita de The Book of Ahania, de William Blake, da responsabilidade de Manuel Portela, e as primeiras traduções para português da poeta iraniana Forugh Farrokhzad e do poeta de língua ladina Moshe Ha-Elion. Contos de Paulinho Assunção, Valério Romão, António Tavares Lopes e a estreia surpreendente de um jovem promissor: Lourenço Bray. Uma peça de teatro inédita de Regina Guimarães e Saguenail e um extraordinário ensaio de Jorge Mantas sobre Marcel Proust. Isto tudo para além de múltiplos trabalhos em diferentes áreas das artes visuais e ainda um CD com obras de compositores portugueses contemporâneos. O CD acolhe ainda as primeiras gravações da rubrica Ostra (Antena 2), de Pedro Coelho.







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muito bem recordado e endereçado pelo José