Chega-te, baixa-te e adora-me, poderia ser o sentido primordial da frase.
Os mais antigos cultos a Lúcifer incluíam este ritual do beija-cu. Segundo as lendas praticaram-no muitos, desde maçons a bruxas, passando por cagots e demais confrarias de artesãos marginais e heréticos, incluindo nessa crença os Templários, como é referido nas acusações de Filipe IV que levaram à sua extinção por bula papal.
As ramificações destes rituais e suas ligações aos ciclos da natureza são complexas, acabando, em muitos casos, por se entrosar com o folclore e festas populares.

O principal signo de onde vão emanar temas cristãos e outros satânicos prende-se com o osso em que terminava a coluna vertebral, em forma de amêndoa ou mandorla também apelidada mandala. Acreditava-se que era o único elemento incorruptível do corpo, cuja natureza sobrenatural o sujeitou a variadas associações que tanto podiam ir da auréola divina em que se envolve o pantocrator, como à luz que permite o renascimento cósmico dos corpos, o guilgal do ciclo das reincarnações. Central em rituais sabáticos e festas carnavalescas, esta crença hoje perdura na tradição dos carnavais de homossexuais de Nápoles, que emitam a mulher grávida a dar à luz um boneco de madeira em forma de bode cornudo






Os maçons primitivos recolhem estes cerimoniais, em virtude da sua dupla condição: por um lado são os obreiros da Casa de Deus, mas por outro necessitam dos segredos aritméticos e dons do domínio da matéria que pertencem ao príncipe das Trevas. São o exemplo mais antigo do “cientista” desafiando o criador do alto da torre de Babel e mais tarde trocando o culto de Nemrod pelo apóstolo da dúvida: S. Tomé, sem deixarem esquecer os ritos de adoração luciferina







No caso dos Templários as práticas satânicas são mais complexas, persistindo memórias em imagens como as do cadeiral de Amiens









Na primeira o noviço é apresentado completamente nu e os iniciadores passam-lhe a mão por trás para verificarem se é “bem formado”.









No segundo exemplo já estamos em pleno ritual, um tanto embaraçoso para ser explicado...
O iniciado senta-se e abraça-se ao “pote das rosas”. Depois os outros dois vão fazer uns “malabarismos” complicados que incluem uma velinha a ser enfiada num sítio que eu não digo, enquanto lhe é vertido o vinho (a tal água de rosas) ao longo das costas até ao dito local da rendição. O colega tem de o beber, aí mesmo, com a narigueta por lá enfiada (daí chamarem-lhe “beber amarrado”). Pelo meio ainda há mais umas “partes gagas” que incluíam o “beber no tabuleiro” que não conto e depois trocavam as voltas e repetiam tudo de novo como bons camaradas.



O certo é que imagens e descrições não faltam e não se ficam pelos sabbaths do Goya. Em pleno século XVIII publicam-se estampas com alguns destes rituais, entretanto civilizados, como as iniciações femininas maçónicas, em que as candidatas eram rigorosamente escolhidas a dedo (e não só), já que a coisa implicava grandes exigências estéticas com exames púbicos mas pouco pudicos. Na gravura do ritual para-maçónico, recolhida pelo Abade Pérau, uma menina prepara-se para beijar simbolicamente o traseiro do mestre, neste caso sob a forma de um cãozinho de cera muito mignon.

A partir daqui, juro que não sei mais nada e até imagino que tudo isto caiu em desuso. De qualquer forma, para quem esteja interessado em variações de beija-cus mais actuais, o melhor é seguir a historieta por estas bandas.

Imagens:
—Antigo Testamento, manuscrito do sec. XIV, os pedreiros da torre de Babel, unidos por uma única língua, desafiam Deus fazendo-lhe facécias e o Sopro Eterno castiga-os.
—Heresia dos Vaudois, manuscrito do séc. XV. Beijo do cu do diabo durante um sabbath.
—Beija-cu, portal da catedral de Saint-Pierre, Troyes, sec. XII.
—Cadeiral de catedral de Amiens, séc XVI, apresentação do noviço para o rito iniciático
—Cadeiral de catedral de Amiens, neófitos vestidos de loucos ladeiam o iniciado com o “pote de rosas”
—Beijo do rabo do cão, gravura da compilação do abade Pérau, 1758.

(ver: Claude Gaignebet et J. Dominique Lajoux, art profane et religion populaire au Moyen Âge, Paris, PUF, 1985.)

8 comentários:

Ahab disse...

zazie,

Ler uma posta destas às 9 da manha de segunda feira é um bocado indigesto... mas é óptimo para iniciar a semana com bom humor!

Minha amiga, publicas com cada coisa no teu blog que não lembra ao diabo (bem, aparentemente lembra)
:))))))

dragão disse...

Grande postal!...
Até me deu nostalgias do antigo "Dragoscópio".

zazie disse...

ehehe esta era para ir para a Janela mas entretanto fechou. E tu, meu dragão, tens é sorte de me lembrar do que escreves e das datas aproximadas, caso contrário estava tramada para encontrar o texto. Mas ia jurar que há por lá mais um sobre o assunto...

Flávio disse...

lol Mas falta um parágrafo relativo aos concursos do ICAM...

Beijinhos, Zazie (na face e respeitosamente, claro!)

Flávio

Carla de Elsinore disse...

aí está zazie em grande estilo!

zazie disse...

olá metropolis, olá carla. Vocês é que são uma simpatia.

uma simpatia e uns debochados que isto basta postar umas coisas mais badalhocas e é ver a audiência a subir
ahahaha

Anónimo disse...

beija cu...beija cu...e eu aqui , doido pra beijar o cu da nega fico vendo esse monte de marmanjo beijando o cu co outro.
sou eu mesmo, o beija cu mor..o lambe cu das paradas.

Anónimo disse...

Com todo o respeito ao povo portugues, mas como é dificil entender o que escrevem! Aqui no Brasil deveriamos classificar o nosso idioma como "brasileiro". Entao, num papo com algum gringo eu responderia: - Eu falo brasileiro.
Afinal, o que é cocanha? Eu sei o que é cocada. Cocada é um doce feito de côco, leite condensado e açucar. Certamente é uma receita deixada pelos pobres africanos, na época da exploração. É isso ai, gente fina.