É indecoroso usar o guardanapo para limpar a cara; é-o ainda mais para esfregar com ele os dentes e seria uma das faltas mais crassas contra a civilidade usá-lo para assoar o nariz

De la Salle, Les Règles de la Bienséance et de la Civilité Chrétienne, Rouen, 1729

Pergunto a mim mesmo se no intervalo dos pratos servidos à mesa do meu Senhor (sobretudo no caso de esses pratos não serem de primeira qualidade) em vez do aparecimento de acrobatas e anões, a exibição de algumas dançarinas licenciosas não seria um melhor digestivo

Notas de cozinha de Leonardo da Vinci

Antes de te sentares à mesa, verifica primeiro se não fizeram alguma imundice no teu assento

(séc. XV)

Carta de Madame du Deffand a Mme. De Choiseul, de 9 de Maio de 1768



Gostaria, querida avó, de dizer-vos, assim como ao grand-abbé, da minha surpresa quando ontem de manhã me trazem à cama um grande saco da vossa parte. Apresso-me a abri-lo e encontro ervilhas (...) e depois um vaso (...) tiro-o muito depressa: é um vaso de noite. Mas de uma beleza, de uma magnificência tal, que o meu pessoal diz em uníssono que devia usar-se como molheira. O vaso de noite esteve ontem toda a noite em exposição e foi a admiração de toda a gente. As ervilhas comeram-se, sem que tivesse sobrado uma única.

Nobert Elias, O Processo Civilizacional

Não é possível desligá-los por uns dias?











Do iluminador holandês Joris Hoefnagel (1542-1601) que viveu na corte de Rudolfo II.
Estes catálogos de insectos e plantas, acompanhados de motos latinos, também glosavam a melancolia das Vanitas


Aeternum Florida Virtus, Archetypa, 1592

A rosa mal nasce já está ameaçada pela morte. A lagarta enrola-se à volta como uma serpente, outras alternam com borboletas. O ciclo da vida mostra a fragilidade da beleza.
"Mirabae celerem fugitina aetate rapinam et dum nascuntur consenuisse Rosas"




algures numa caixinha de comentários a derrotada constatação do jaquinzinho liberal : “O problema é que ele (o muçulmano) ofende-se quando lhe dizem bom-dia, quando não lhe dizem bom-dia, quando lhe dão atenção e quando o ignoram”

Para mais exemplos de idênticos sofrimentos é favor consultar o levantamento do poeta hortelão

Para ter uma dimensão do perigo planetário desta falta de sentido de humor, das culpas da Igreja Católica e do Papa, é seguir a estrada e de caminho esforçar-se por travá-lo com a petição on-line

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Emenda: o jcd veio cá esclarecer que quando se referiu ao muçulmano era só o do 2º B, quer dizer, o pain in the ass. É claro que com chatos já se sabe que não se pode contar nem para import-export de democracia, quanto mais para partida de futebol

- Oh, a very good morning to you too, Doctor
- Ah, I understand you had an accident?
- Yes, my pump got...
- ...caught in your sock.
- Absolutely. Yes. My fruit cake was damaged on one side.
- Well...
- It's got grit all over it.
- Well now, are you in pain?
- Oh, heavens no.
- Ah well, where were you hurt?
- Oh, fortunately, I escaped without injury.


sem precisar de assinatura






















Le lys et le minotaure

a propósito da manif de crítica ao pedido de desculpas dos jornalistas dinamarqueses ou o contrário que tanto faz. É só uma breve interrupção da normalidade...

seguir aqui


[isto qualquer dia é link permanente mas não tenho culpa... ]

Aqui no Cocanha ninguém defende normalizações de pensamento ou de sensibilidades. Por esse motivo não apoiamos manifestações a jornalistas cuja falta de sensibilidade parece notória.
Não é a religião que tem de ser levada de forma indiferente, são os media.


zazie e musaranho-coxo

Regras de jogo com Cegos e Deficientes Visuais: No xadrez competitivo entre jogadores videntes e jogadores deficientes visuais (oficialmente cegos) um dos jogadores pode exigir o uso de dois tabuleiros, os jogadores videntes usando um tabuleiro normal e o jogador deficiente visual usando um tabuleiro especialmente construído. O tabuleiro especialmente construído deve preencher os seguintes requisitos:
a. dimensões mínimas 20 x 20 cm;
b. as casas pretas levemente em relevo;
c. um pequeno orifício em cada casa;
d. cada peça deve ter um pequeno pino que se encaixe perfeitamente no orifício das casas ;
e. peças modelo "Staunton", estando as peças pretas especialmente marcadas



Rainha da Dinamarca,
marfim, séc. XIV, Museu Nacional de Copenhaga


cavaleiro europeu em estilo mourisco, encontrado algures na Europa, marfim, séc. VIII-IX, Museu do Louvre




Cavaleiro e peão árabes, sec VI, VIII, Museu de Samarcanda





Bom jogo!

no Dragão -"Contra Ventos e Maraus"



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música consonante com a saison ali ao lado

Hitler costumava arranjar "incidentes" para "justificar" a política de armamento e agressão. Ou era um adido assassinado em Paris por um judeu (que serviu para "explicar" a "Noite de Cristal do Reich") ou as sevícias que a Checoslováquia ou a Polónia alegadamente infligiam a meia dúzia de "arianos", coitadinhos, longe dele e da Pátria (que "justificaram" a guerra). Mas não se aprendeu nada com este velho truque e poucos até agora perguntaram o óbvio: por que raio este alarido, tipicamente goebbeliano, em nome de umas caricaturas, publicadas num obscuro jornal da Dinamarca (na Dinamarca?), há quase quatro meses? Que mal, na prática, essas caricaturas fizeram ao Islão? Como é que, por todo o Islão, "a rua" se indigna com uma blasfémia que não conhece? "Quem manda e comanda essa "espontaneidade"? Quando a "Europa" e a América deixarem de coçar a sua interessante consciência (mea culpa), talvez se perceba o fim do exercício.

vpv, O Espectro


De tanto lidarem com o passado os antropólogos acabam por se convencer que trilham a estrada do futuro. Excluindo o facto da meta não se afigurar paradisíaca, se calhar não estão de todo enganados











Grandeville, Un autre monde, 1844

entre o “revisionismo” bíblico e o artístico prefiro o segundo.
Qual belo ideal, qual carapuça, para alguma coisa já o Leonardo andara a fazer caricaturas.Lessing mostrou que o problema era memorial e poético e o Beuys voltou à carga e confrontou-nos com a gigantomaquia do passado- tudo se metamorfoseia; o que importa é guardar no que se cria os traços primordiais da Criação.










paródia do Laocoonte, c. 1555, gravura segundo Ticiano

















Joseph Beuys, the secret block for secret person in Ireland (22-07-1999 até 16-09-1999)




Era tão liberal, tão liberal que mesmo depois de morto ainda queria cá voltar para mandar

que macaco bem penteado nunca foi tarefa fácil

















macacos no barbeiro, David Teniers O Jovem (1582-1649)

um ponto de vista esperançoso repescado de uma janelinha de comentários:

vou hoje ao cartório com a minha companheira e vamos levar o nosso piaçaba e a nossa mangueira do chuveiro como testemunhas do casamento e vão ter que aceitar...temos tempo...nem que seja daqui a 10 anos...a lei vai ter que mudar...

O nosso caro Misantropo adiantou-se e já postou a festividade do dia da marmota. Mas muito antes da marmota já o urso tinha direito a festa a 2 de Fevereiro.
Pois é, estamos no dia do acordar da hibernação do urso. Quero dizer, pelo atraso do post se calhar já voltou a deitar-se mas a verdade é que nos tempos medievais o dia 2 de Fevereiro correspondia a uma série de festas populares associadas à renovação das culturas e ao fim da hibernação dos ursos.
Costumava-se dizer que à meia-noite o urso saía da toca, olhava para as estrelas do céu e se estas brilhassem dizia: "o Inverno não acabou, ainda vamos ter quarenta dias de mau tempo”. Se o céu estavivesse cheio de nuvens e nevasse ou chovesse, voltava a deitar-se. E fazia muito bem.

Depois vinha a festa popular em torno dos ritos do homem selvagem- da purga das impurezas do campo e das doenças das plantas. Os selvagens ruivos e peludos. Mais tarde, pelo S. João verde- vinha o homem silvestre, do Triunfo do Inverno. Por paralelo simbólico a alternância de João a João. O Crisóstomo e Baptista e mais a serração da velha, o Merlin, o S. Brás e S.to Eustáquio....
Mas isso é outra história e os selvagens não tardam aí.
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imagem: capitel da igreja de S. Francisco de Santarém
ver: Claude Gaignebet, op. cit.