“E no mesmo tempo [partida da armada de Tristão da Cunha para a Índia] se alevantou em Lysboa hua ouujam muy gramde em sam Domyngos omde no altar dee Jhesu se faz a festa de Nosa Senhora estamdo a ymagem de Nosa Senhora no altar/foi vysto per muytas pessoas dygnas de ho ver hua camdea aceza no lado do crucifyxo e outras pessoas ha viam amte ha testa de Nosa Senhora com auoroço de devação começou a correr algua gemte ao mosteiro e foy em tamto crycymento que huus com outros se afogavam e começaram a fazer aguus mylagres amtre os quaes veo hu alemão e trouxe hua sua filha com hu mão aleyjada de seu naçymento e com mujta devoção a ofereçeo e recebeo saúde no mesmo momento e estamdo asy sobre emoçam muyta gemte a ver qys o pecado que veo hu cristão novo e por desdenhar dysse a camdea que parece deytem-lhe dagoa e apagar se ha o que ouuyndo o alemão tal blasfémea estamdo cheo de mujta fe do milagre logo sem trespasso arrancou de hua adaga que tynha e o matou dentro da mesma ygreja. /ao que acuydando outro dysse que o mataram porque dysera ha verdade o quall também logo foy morto e se hergueo tal alvoroço na gemte que estava noa ygreja que começaram de matar todos os christaos nouos que acharam com a quall fúria sayram ao alpendre de sam Domyngos onde também mataram os que acharam ao que acudyo Pêro de Lysboa que era juyz do cyuuel e a caualo entrou no alpedmdre com a vara da justyça na mao damdo pamcadas e queremdo prender os de arroydo/comtra o quall se hergueo aluoroço da gemte e o quyriam matar mas elle se sahyo fugymdo a caualo quanto mais podya ho quall syguiram ate o emçarararem em casa/ onde com muyta furya lhe quyseram poer o fogo se a vyzynhança o nom estrouuara mostrando que ardendo aquela casa se lhe qeymaryam as suas/ o que asy deixamdo por yso de fazer se tornaram a sam Domyngos e tornadndo matavam qamtos christaos novos achavam pelas ruas/ os que amdavam nesta matança heram os homes estramgeiros de fora da terra com os quaes se ajumtavam bargamtes da Rybeira e gemte bayxa por caso do roubo que em matando roubavam/ e os quaes asy matauam logo os leuavam arrastamdo em cordas pera Sam Domymgos porque aqamto correram apos o dycto Pero de Lysboa os que fycavam em Sam Domymgos fyzeram uma fugueyra em que //deytaram os mortos que estauam na Ygreja omde chegados estoutros com mujta gemte estavauam desejosos de roubar começaram de correr polas ruas da cydade fazemdo a dicta matamça com tamta hyra e furya que nom resgardam cousa algua nlm deyxando nehuma pessoa a vyda gramde nem pequena /e os outros os recebeyam em suas lamças e bysarmas que traziam /em que sem duuja eu que ho vy afyrmo que também padeceram morte muytos christaos velhos/ Bras Afonso Correa corregedor do crime que entam era em Lysboa vemdo o caso e o furor com que andava a que nom podya nem ousava comtraryar polo nom matarem amdava desymulado amte os matadores e dyzia /filhos pois jaa os mataes nom roubes porque eles em todos estes dyas carregavam suas naos de grandes roubos durou esta matamça asy ate segumda feyra per noyte que jaa parecya que ao outro dya nom mataryam/ huu frade de dicto musteiro de Sam Domyngos ymyctado do ymigo ou asy permytido per Deus /sahyo ha terça feira pola menhã com hua cruz de pão gramde aleuantada em suas maos e se foy pola cydade bradamdo aquy filhos pola fee de Jehesu Christo nom fyque nehu destes judeos com o que logo se ajumtaram gramdes cabydas destes matadores e acezos em mor yra nesta terça feira ate oras de jamtar que se o fradre tornou a seu musteiro com outros dous seus parceiros que per acerto com ele se toparam que ho ajudaram a trazer a dita cruz /neste dya a tarde foy achado huu christão novo que se chamava o Mascarenhas que hera gramde remdeyro e omem malqysto do povo o quall per eles tomado foy nele feyto cruas justyças com gramdes aluorços e a quarta feyra jaa dypois da morte deste nom avya tamyta matamça/ e logo no outro dya que foy qymta feira sahyo da see huua procyssão da mysericordya com muytos decyprinantes todos brandamdo/ paz/paz com que apagou de todo a matamça

el Rey dom Manuell estaua em Abramtes com a Rainha e sua corte o quall avemdo comselho sobre o caso segundo comprya o castygo ouve muy dyuersas opynjões e semtenças/elRey escreueo logo a governador da cydade que estaua em Torres Vedras com a casa de sopricação que se chegase a cydade e mandasse enforcar todolos malfeytores desta matamça semdo jaa partydo da cydade mujtas naos dos estramgeyros caregadas de mujto roubo e ryqezas/ o governador fazemdo o mandado delRey asy o mandou as justyças da cydade cruell que na Ribeira eram feytas tres forcas gramdes cheas e a forca da mysericordia e a forca de Samta Barbora as quaes des que eram cheas os tyravam e enterravam pera enforcarem outros em que se afyrma morreram muytos bc homens enforcados na cyade e per fora omde morreram mujtos sem culpa/ porque mujtas pessas da cydade recolheram e guardaram muytos dos dictos chrystaos novos em suas casas e eles dypois os acusavam que hos roubaram e sem mais proua que seus dictos avyam gramdes penas e qualquer que acusava algu que fora na matamça logo sem mais nada era enforcado /ate que dona Ysabell de Mendanha que estava em Samta Cruz espreueo sua carta a elRey lhe pydindo que ouuesse piadade de seu povo porque soubese certo que mujtos matava a justyça sem rezam nem merecymento de que ele darya gramde comta a Deus/polo que elRey logo mandou que cesase asy e que nom enforcasem senam per ymqyrição e dereyta justyça de verdade sabyda/ o que dypois mujto tempo aymda mujtos padecyam pólo dycto caso que emtaam fogyram e se foram fora da terra e dypois se tornavam pareçemdo lhe que jaa nom syriam conhecidos/ e todavya sae os conhecyam heram logo enforcados / o que asy aprouve a elRey por ser feyto hu tamanho //desmamdo em seu Reyno de Portugall que ate ly sempre fora mays obedyemte e regrado que nenhu de Espanha e sempre foy a dicta justyça avamte ate que os mesmos christãos novos lhe pydyram mysericordya e asy cessou a dicta justyça/e neste tempo sempre durou a peste muy gerall per todo o Reyno e logo sobryueram muj gramdes fomes que duraram dous anos" [...]

Códice atribuído a Gaspar Correia (1490?- †depois de 1563), Chronicas dos Reys de Portugal e summarios de suas vidas com a historia da Índia e armadas que se mandaram athé o anno de 1533 (adquirido à no ano de 1970 àfirma Sotheby’s que o ia levar a leilão).
O autor das Lendas da Índia ter-se-á baseado em manuscritos por ele coligidos e em compilação de fontes que transladou. Segundo Banha de Andrade que estudou o manuscrito estas Crónicas de D. Manuel e D. João III apresentam prioridade em relação às crónicas conhecidas.
As Crónicas de D. Manuel e a do Príncipe D. João de Damião de Góis foram publicadas em 1566 e 1567, já depois de Gaspar Correia ter morrido.

Gaspar Correia, Crónicas de D. Manuel e de D. João III (até 1533),Leitura, Introdução e índice por José Ferreira da Costa, Academia das Ciências de Lisboa, 1992.

19 comentários:

dragão disse...

Se eu fosse a ti, cara amiga, postava uma "tradução" do texto. Os tipos já têm dificuldade em ler (e, sobretudo, compreender) o português actual, quanto mais o arcaico. Ainda mais quando não lhes interessa o teor.
Se ainda fosse inglês...

zazie disse...

ehehehe

pensei nisso mas não sei se é correcto. Eu limitei-me a fazer uma transcrição de fonte e a edição está à venda.

Ia jurar que é das fontes mais próximas. Pelo menos em termos de crónica é-o.

Passo para português actual?
Andei estes dias todos sem colocar isto aqui, só para que não se pensasse que queria desmobilizar alguém

";O))

............


é verdade, os meus parabéns pelo momento mais alto de ironia que me lembro de assistir. Amanhã faço postal e ligação.

josé disse...

Então...as quatro mil velinhas...!

Valha-nos Santa Engrácia. Valha-nos S. Judas Tadeu!

Este texto é o que existe sobre a História da matança?

Até o Manuel Pina,hoje no JN embarcou!

Anónimo disse...

Cara Zazie,

agora que os promotores e discutidores ascenderam à glória da imprensa (veja-se o diário de referência Destak que trazia ontem, em primeira página, a notícia que mencionava a "Rua da Lobotomia" e o "Eu Já Sou Português"), mesmo aqueles poucos que não habitavam já tal Parnaso, bem pode Você postar as crónicas que quiser que a doutrina já está feita.

Saudações.
Antónimo

Ana Cláudia Vicente disse...

Zazie,
gostei de aqui ler este excerto.

Gostaria, também, de deixar uma observação: um leitor que por aqui passe e saiba pouco desta época, ou que leia apenas os "bolds", ficará com a impressão de que o 19 de Abril de 1506 poderá ter sido um evento alheio à população de Lisboa, perpetrado por um bando de estrangeiros salteadores, algum fenómeno isolado. A mim parece-me que não foi.
A leitura dos "Livros de Reis" da Câmara Municipal de Lisboa (vide tomo III, há uma edição dos Documentos do Arquivo Histórico da Câmara de 1959), já para não falar de Rui de Pina (tanto a Crónica de D. Afonso V como a de D.João II), mostra o esforço que a Câmara necessitou de empreender, tanto em 1449 como em 1490, só para citar os exemplos mais conhecidos, na repressão de levantamentos populares especificamente contra os judeus (e, mais tarde, aos cristãos-novos)de Lisboa.
As explicações podem ser muitas, mas que o anti-semitismo não era alógeno à população da cidade, não era, o que me parece questão a sublinhar.

zazie disse...

Ana Cláudia,

Uma pessoa que passe por aqui já passou por todos os outros textos a que se chamaram fontes, incluindo os do Herculano
Eu escrevi isto depois de todos virem nos jornais e de toda a gente estar perfeitamente instruída sobre o assunto.

Os boldes são isso mesmo, destaques que eu fiz. O texto está na integra, o cronista é mais que idóneo e, segundo ele diz, esteve presente. Os textos do Damião de Góis são posteriores.

Não apresentei este texto como “a verdade da verdade”. Não contabilizei aquilo que outros contabilizaram.

Não fui eu quem associou este caso à Inquisição. Quem o fez é figura pública. Eu não sou.
Por todo o lado foi citado o Nuno Guerreiro como um idóneo e informado sobre o assunto que anda há muito tempo a postar sobre este tema. Não estranha que se tenham esquecido desta crónica?
Estranha apenas os meus boldes? Tem medo que os meus boldes desencaminhem alguém?

Pergunto: porque não falaram então todos os outros deste exemplo e porque motivo se lembra você apenas de me vir pedir esclarecimentos quando os não pediu aos outros idóneos todos que vieram nos jornais?

Acaso com este texto neguei as outras crónicas?

Acaso escrevi eu algum texto nos jornais como escreveu o Rui Tavares, apresentando uma suposta informação sem indicar fontes?

Então, como é?
Que é que lhe incomoda no que eu escrevo que não incomoda no que os outros escreveram?

O facto de o ter feito depois da homenagem?

Espero que tenha sido isso. Tinha-o aqui precisamente à espera que libertassem as consciências e não me viessem recriminar com qualquer entrave.

Qualquer mero contraponto de exclusivo teor histórico.
.........

Não apresentei qualquer conclusão histórica porque nem sou a pessoa indicada. Mas se a Cláudia tem a sua conclusão e é historiadora terei todo o prazer em ler os seus estudos e pesquisas.

Doutrinas passo.
Todas.
Sempre.

Ana Cláudia Vicente disse...

Zazie,
sinceramente, não compreendo porque é tão adversativa a quaisquer
comentários que eu faça sobre esta questão, ou porque os toma por acusações quando é evidente que apenas são observações ou contrapontos opinativos.

Não lhe parecem pertinentes as referências que deixei no comentário anterior, sobretudo para quem por aqui passe e queira saber um pouco mais da época em causa?

Há algum erro em eu dizer "excerto" se, de facto,se trata de uma passagem do longo códice que cita?

Em algum momento desse comentário eu a acusei de induzir alguém a erro, de truncar texto ou de ocultar fontes, ou disse que para conversarmos informadamente teríamos de produzir historiografia sobre o assunto?

Sinceramente, venho aqui ao Cocanha há bastante tempo e geralmente tenho prazer em lê-la, mas quando nos cruzamos em conversa, ou não me faço compreender, ou não a consigo compreender.

Pena.

Cumprimentos,
ACV.

zazie disse...

Zazie,
sinceramente, não compreendo porque é tão adversativa a quaisquer
comentários que eu faça sobre esta questão, ou porque os toma por acusações quando é evidente que apenas são observações ou contrapontos opinativos.


Foi o único comentário que fez em relação a esta questão- do ponto de vista histórico.

Respondi-lhe com perguntas, uma vez que achou que quem vinha aqui podia ficar com uma leitura deformada à custa da saliência que dei a passagens de um texto. Creio que a minha reposta foi perfeitamente legítima e até muito mais suave que a sua suposição.


Não lhe parecem pertinentes as referências que deixei no comentário anterior, sobretudo para quem por aqui passe e queira saber um pouco mais da época em causa?

As referências que deixou nada têm a ver com este facto. Foi este facto que foi homenageado, não as relações entre judeus e cristãos na Idade Média. O que disse eu conheço como, por acaso, até conheço muito mais que dá para contrabalançar esses factos. Mas não faria o menor sentido ir para o passado para referir um facto que já foi dado por certo e arrumado e perante o qual, pelo que li, já toda a intelectualidade mediatizada sabe tudo e nem está interessada em saber mais.

Há algum erro em eu dizer "excerto" se, de facto, se trata de uma passagem do longo códice que cita?

Há porque é a única passagem a que o Cronista se refere sobre este facto. O resto da Crónica prossegue falando de mil e uma outra coisas. Esta passagem é única. Ao contrário, por exemplo, do que fez o Nuno Guerreiro que escolheu apenas um excerto do Damião de Góis, quando o próprio tem outras passagens bem mais esclarecedoras.
Nesse caso faria todo o sentido a AC perguntar ao NG porque omitiu partes.

Em algum momento desse comentário eu a acusei de induzir alguém a erro, de truncar texto ou de ocultar fontes, ou disse que para conversarmos informadamente teríamos de produzir historiografia sobre o assunto?

Alguma parte da minha resposta eu disse que você mo fez? Referi eu alguma texto seu ou citei pelo nome quem um historiador (ele assina assim) que é pago para o efeito e que se limitou a fazer um comentário sem referir fontes?

Sinceramente, venho aqui ao Cocanha há bastante tempo e geralmente tenho prazer em lê-la, mas quando nos cruzamos em conversa, ou não me faço compreender, ou não a consigo compreender.

Pois nesse caso agradeço vir ao Cocanha. Eu também passei a ir ao Amigo do Povo e até tive uma conversa muito agradável com o Bruno. Creio que poderei ter idênticas conversas agradáveis consigo. Mas às 2.40 da manhã é que não me parece a altura mais indicada.

Inté, durma bem
.........

uma dica: não se esforce muito por compreender pessoas na blogosfera. Pessoas eu compreendo-as ou conheço-as de outro modo. Por aqui trocam-se ideias.
Quando das ideias nasce qualquer outra empatia e qualquer outra confiança então está bem. Aí podem colocar-se as questões em termos relativamente pessoais.E aí não se fazem em público.

Fora isso até creio que nos entendemos de forma muito cordial. Até digo mais: em questão política deve ser a primeira mulher (à excepção da Constança Cunha e Sá que é uma senhora), que não veio com galinhices nem me insultou.
Em questões políticas, acentue-se.

Pedro Picoito disse...

Zazie, a AVC tem alguma razão. Confesso que desconhecia esta crónica, mas os bolds que fazes podem ser mal interpretados. Já pensaste que, sublinhando o papel dos estrangeiros, vão pensar que estás a querer bater no Lutz? Ou a desculpabilizar, de algum modo, o povo de Lisboa?
Quanto ao resto, tens toda a razão. Citar o Herculano como fonte, como ainda hoje faz a jornalista do Público que cobriu a evocação e nitidamente não leu mais nada além da Rua da Judiaria... Enfim... Já para não falar na notícia do DN, demagógica como só a Fernanda Câncio sabe ser. Ou nas tentativas do Vital e outros "republicanos" para pedir contas à Igreja.
Mas tem cuidado. Hão-de vir cá chatear-te e tu vais perder a cabeça. Não vale a pena.

P.S. Isto agora não tem nada a ver, mas apareces hoje na crónica do Pacheco Pereira como uma comentadora compulsiva. O Pacheco está a perder qualidades: confundir-te, e a este blog, com alguns dos nomes que por lá aparecem... Mais uma vez, não te irrites que não vale a pena. Os teus admiradores continuam a querer que comentes furiosamente em tudo o que é caixa, que postes aqui o que mais ninguém tem ciência para postar e que escrevas muitos artigos sobre misericórdias com motivos animais, vegetais e outros que tais.
Um grande beijinho

josé disse...

É verdade. O Pacheco perdeu a cabeça. Mas quem comenta, mesmo com pseudónimo não e deve fazer...

Estou a cogitar uma resposta.

O JPP passou as marcas há muito, mas ainda tem espaço para levar no carolo intelectual.

Vamos a ver se tenho pachorra...

Curioso seria ler os comentários dos comentadores encartados e com nome feito, à ignomínia pachequeana, mas não me parece que haja coragem.

Anani disse...

SESSÃO COMEMORATIVA DO
CENTENÁRIO DA MATANÇA DOS CRISTÃOS NOVOS DE LISBOA
Sábado 29 de Abril, 21h
Hotel Tivoli
(Associação de Estudos Judaicos)

Queria debate colóquio e afins aqui o tem.

Ana Cláudia Vicente disse...

Pedro Picoito,
também não é caso para me chamar A(cidente) V(ascular) C(erebral) :)

haja pachorra disse...

Atão a fonte das fontes não é a rua da judiaria?! Que raio de historiadora me saiu a zazie: ainda tem muito a aprender com o arquivista da OCMLP...
Abraços.

Anónimo disse...

Ah, ah, ah! Levaste para contar do Pacheco Pereira, não foi, Zazie? Espantoso texto do Pacheco. Dos mais lúcidos de sempre. Gosto particularmente do trecho "Mas não há só o reflexo do populismo e da sua visão invejosa e mesquinha da sociedade e do poder, há também uma procura de atenção, uma pulsão psicológica para existir que se revela na parasitação dos blogues alheios. (...) O que é que gera esta gente, em que mundo perverso, ácido, infeliz, ressentido, vivem?"
Parece-me que estas frases foram escritas especificamente a pensar na tua existenciazinha patética.

zazie disse...

Olá, olá! Só agora é que dei pela historieta e vou oferecer uma prendinha ao JPP (já lhe tinha dado uma mas ele deve ser um esquecido)

Beijocas Pedro, és sempre um amor.
Beijinhos hajapachorra (valham-nos estas heresias para nos encontrarmos).

Beijocas José- não achou um tanto extra-catálogo dos mais ou menos anónimos, aquele José que o nosso patrono por lá incluiu? É que eu pensava que ele já ia na fase dos nicks estrangeiros e personagens de BD...
Enfim, vou preparar a prendinha a ver se ele gosta
........

mas é o que dá o estrelato- agora até já eu tenho direito a um micro-pateticozinho à perna.

E parece ser altamente conhecedor da pobreza da minha existência

Uma cois é certa: os psicos nunca têm taras. Se as tivessem também não tinham quem lhes desse crédito.

josé disse...

Pois é, Zazie. Ofereça-lhe a prendita que parece andar carecido...

Por mim, já dei. Foi esta:

José Pacheco Pereira ataca mais uma vez quem participa em blogs e produz comentários que não lhe agradam. O maior comentador encartado dos media que temos, parece não suportar de todo quem o afronta e não lhe apara o que escreve, diz ou mostra. E por isso, de vez em quando ajusta contas, por escrito. Esta foi uma delas.
Vamos então às contas, a ver se estão certas e verificar afinal quem deve o quê e a quem.

JPP parece não perceber, no escrito que produziu hoje no Público e reproduziu no seu blog, algumas ideias que se podem resumir assim:

1. Os blogs ( ainda) não têm a importância que alguns lhes costumam dar. A prova? A iniciativa pífia acerca da exigência do estudo sobre a OTA e o TGV. Embandeirou em arco, lançou foguetes e foi apanhar as canas, para pouco tempo depois, meter a viola no saco. Outra prova? Secundou uma iniciativa de um outro blog que começa com a letra B, no sentido de perseguir as bruxas feitas familiares e amigos dos que estão no poder, para denunciar publicamente nepotismos duvidosos. Debalde, igualmente. E sem vergonha alguma, também. Só esses dois factos deveriam fazer recolher o ego, fosse a quem fosse, para um recato consentâneo com o estatuto de anódino.
2. Há inúmeros blogs pessoais e intransmissíveis e outros colectivos, muito para além do elenco previsível da meia dúzia, onde pesca informação e opinião e onde vai espreitar. Sim, espreitar, porque só quem espreita para as caixas de comentários pode saber os nomes dos comentadores…citando-os expressamente para os englobar a todos na ignomínia que produziu, insultando-os por junto.
3. Os comentadores anónimos apenas quanto à identidade completa e referenciáveis no uso do pseudónimo que escolhem, são a corrente comum dos blogs e dos sites onde se admitem comentários, em todo o lado, na Net. Por exemplo, nos sites dos jornais, o grau de intervenção de comentadores “anónimos” não difere muito daquele que se observa em alguns blogs.
Pelo contrário, nalguns casos, a violência escrita será ainda maior e denotativa de uma indignação popular que muitos tendem a confundir com populismo, que funciona agora na sempiterna novilíngua, no lugar de “fassismo”.
Quanto a esse populismo e a essa indignação verbalizada e escrita, não vejo grande diferença entre o que se escreve em comentários de blogs e o que se diz no Fórum da TSF…
Assim, a actividade centrada em “dizer mal de tudo e de todos” nem sendo apanágio exclusivo dos comentadores de blogs, ou até mesmo de certos autores de blogs que se encarniçam particularmente, expondo ódios de estimação contra crenças religiosas, clubes, partidos e correntes políticas, também encontra grande e clamoroso eco nos lugares de encontro social, como se reconhece no escrito. Além disso, essa putativa maledicência, nem é assim tão contundente quanto poderia ser. Somos mesmo de brandos costumes, apesar de tudo.
Para comprovar, basta uma busca com guia a certos sites na net, de índole política...e estrangeiros.
No entanto, por cá, Irá JPP sugerir que se policiem os lugares públicos à cata dos subversivos maledicentes? Não anda muito longe disso e já houve um tempo em que isso assim acontecia.

Finalmente, há maledicência e maledicência. E exemplos de maledicência bem mais grave.
Atente-se neste, recente ( de ontem):
Alguém, num programa de tv de grande audiência, dizer publicamente que os deputados que temos no Parlamento, na sua maior parte, “são pessoas que nunca, num país civilizado, deveriam ser deputados”!
Isto é que é a real thing!
Ao pé disto que podem valer umas atoardas acéfalas ou burgessas, proferidas por indivíduos que nem se sabe quem são, numa qualquer caixa de comentários, num blog qualquer?!
Com aquela sentença e duma penada, põe-se em causa todo o sistema de escolha democrática e de organização interna dos partidos! Duma penada, quem proferiu tal tirada, coloca-se naturalmente a si próprio, no patamar superior da inspecção democrática e da sindicância política de todo um sistema!
E se por acaso, for alguém que ao longo da vida aproveitou como poucos o fizeram, as virtualidades de tal sistema, como é que o poderíamos definir?!
Um Sem-vergonha, digo eu que sou anónimo e não quero ofender muito.

Pedro Picoito disse...

Ana Cláudia Vicente (assim é que é), peço desculpa pelo lapso.

Antónimo disse...

"Há também uma procura de atenção, uma pulsão psicológica para existir que se revela na parasitação dos blogues alheios". Os "blogues alheios"! Está explicado: o improvável "Pedro Picoito" não passa de um pseudónimo do Pacheco Pereira! (Porque é que todas as contemporâneas, grandes e pequeníssimas, catástrofes nacionais são redutíveis a P.P.?).
O que é que o Pereira queria? Que cada um comentasse apenas as suas afirmações nos seus próprios "blogues"?
E, ó Zazie, será que "a procura de atenção, [a] pulsão psicológica para existir" se "revela" parasitária apenas por relação com os suportes? Ou seja: o raciocínio já não se aplica quando o "medium" é televisivo, por exemplo? Ou será que o Pereira está a fazer-lhe uma comovente e íntima confissão (é um parasita solitário)? Ponha-se a pau, Zazie, que com aquela focinheira o homem precisa, desesperadamente, de sexo gratuito. Não vá na conversa!

Anónimo disse...

Zazie a Presidente do Simdicato do Lixo Blogósférico!