uma crónica da nescilândia

Eu também não considero muito interessante a pintura da Frida, mas ela era linda em menina! Linda como nenhuma capa da Vanity Fair. O que importa na Frida Kahlo é o exemplo da fusão entre a vida e a obra. O caso não envolve pela adesão ao "exotismo alternativo", toca pela sublimação da fantasia.

Outra coisa- não entender que a grande arte é uma criação de linguagem e que para conceber o "modelo" não basta replicar o bom-gosto, é necessário risco, é não entender nada.

A intensidade de envolvimento com um momento de mudança social também pode servir para estimular o projecto. Aqui fica a ilustração da ideia.

O senhor da direita chamava-se Eisenstein

Provavelmente também se deve a uma visão certinha e acomodada do mundo, o facto dos burguesinhos nunca produzirem grande arte. Sempre a capitalizaram os inventivos idealistas, desalinhados ou destruidores malditos, por mais contraditórias e opostas que tenham sido as trincheiras.

Como não entendi se o postal fazia parte do género "crítica de arte" ou "croniqueta social", sempre adianto que no ano passado o povão inglês também a viu com grande entusiasmo na Tate. E comentou, é claro, como geralmente toda a gente comenta depois de ver qualquer exposição. Auscultar o público e desvendar a obra, sem precisar de sair de casa, costuma ser vício de crítico e privilégio de taxinomista ideológico.
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Algo me diz que já lixei a carreira do musaranho
“:O.

11 comentários:

Mário disse...

Bom, fui ver hoje de manhã a exposição e tive pena que tenha tão poucos quadros.

Ocupa demasiado espaço com extras, para disfarçar a mingua de originais, mas como não sei se haveria disponibilidade para trazer uma exposição maior não reforço a critica. Achei foi que alguns quadros me pareceram mais baços do que as reproduções que já tinha visto.
A Frida é muito mediática, e merece esse destaque, mas a pintora talvez estaja sobrevalorizada em relação aos outros pintores seus compatriotas.

zazie disse...

ó Mário mas é claro que é sobrevalorizada! a Frida tornou-se um ícone por uma série de circunstância em que as atribulações da vida o facultaram. Mas isso toda a gente sabe. E eu nem fiz o post por esse motivo. Fiz porque o expert lá do humorista temerário botou aquela sentença à papagaio de Coutinho.

O que é que nós temos a ver com o facto de um Geraldo não querer ver a exposição? Eu via-a na Tate o ano passado porque estava lá na altura mas não vim falar desse facto pessoal para a net.

Ele veio falar de quê para além da classificação e leitura da ideologia de esquerda na perspectiva do capitalismo da Vanity Fair e das conversas de café?

zazie disse...

se eu quisesse falar de pintura mexicana no feminino ia buscar a Remedios Varo. Que até é surrealista enquanto que a Frida é mais linha naif de folclore
Pergunta ao bacano do crítico ideológico se conhece...

zazie disse...

o que eu desafiava era o "pico de oro" a aplicar a mesma grelha ao Rivera! e depois a ver se era capaz de negar a influência que até teve num tipo totalmente americano como o Roy Lichtenstein. o próprio chegou a confirmá-lo. Se não fosse os murais do Rivera não teria chegado aos seus.

E agora, como o micro-coutinho descalçava a bota? nem há ponte ideológica entre eles...

pois. Só que estes turcos hoje em dia tiram curso de ideologia por correspondência.

dragão disse...

Fazes o favor, não digas mal dos cursos de ideologia por correspondência!... Melindras-me.
Além de que, na verdade, esses tipos tiram é cursos de idiotia por osmose.
Humpf.

zazie disse...

ehhehehe

fica calmo que vai correr tudo bem
":O))))

Ahab disse...

Este Tiago Geraldo é, de facto, um imbecil.

Estes acidentais não têm mesmo remédio!

PS. Eu também não acho muita graça à pintura da Frida Kahlo. Aliás, em termos de arte e literatura (exclua-se o futebol), eu tenho um problema muito mal resolvido com a América Latina. Com essa grande excepção que é o Brasil e a Argentina (leia-se jorge Luis Borges). Mas acredito que o defeito seja meu :))

zazie disse...

quanto à Fridha estamos de acordo. Realismo fantástico prefiro os muralistas e principalmente o Siqueros.

O post do rapaz tinha uma lógica micro-coutinha muito engraçada. É capaz de ir longe. Começou pelo lado certo, falar como se fosse uma vedeta e toda a gente estivesse muito interessada em saber o motivo que o levava a não querer sair de casa.

O motivo também é simples de ler e vale a pena ir lá para ler umas bocas do caramelo que nestas coisas é sempre o mais divertido.

O rapaz não vai, nem quer ir, porque teme o contágio ideológico e ainda era capaz de sair do CCB de punho erguido a gritar palavras de ordem contra o capital

":O))

Anónimo disse...

Cara Zazie,

depois de ter falhado o texto em comentário e ter disparado para o lado e atingido a mouche,

a ver se agora acerto no comentado:

1. O tipo que põe o dedo na Frida ainda é menos conhecido (eu não sei quem é...) que o Manuel Falcão que fui redescobrir neste blog que descobri (felizmente!) defunto.
1.2. O Manuel Falcão foi um dos fenómenos de bem-sucedida cretinice dos 80's e desapareceu morto em genéricos de TV2. Não interessa nada. Está-se a ver o que interessa o tipo do dedo...
1.3. A mania dos tipos serem de direita para serem diferentes e depois quererem ser rebeldes para cimentarem a diferença e depois incluirem a rebeldia no património da direita e a esquerda inominada é que tem "as cabecinhas mais conformistas da paróquia" é mania, são manias, que passaram de moda. Lá que levam entre os glúteos isso levam: para serem diferentes - os tipos, não as modas.
1.4. O dedo do tipo é que me é indiferente onde o mete - desde que o mantenha dentro do seu espaço vital.

2. Graças ao Deus em que não acredito pelo desaparecimento do blog em epígrafe e pelo outro, o do execrável e execrando Vasco Poluído Cobarde. E, depois, é extraordinário: os apelidos destes gajos são todos conhecidos: andam práí meninos a treinar para opinion makers. Se quiserem responder-me só se o fizerem em inglês e sem meterem descrições do pôr-do-Sol no Cairo. Se não mando o outro tirar o dedo da Frida (deve tê-lo já, outra vez, no nariz...) e metê-lo entre os vossos glúteos.

O filme do avião é que podia revelar o que era e de quem era. "Che sara", agora em tom interrogativo. O que será?

Respeitosas saudações,
Antónimo

zazie disse...

Caro Antónimo

1- não faço ideia que falcão tenha passado por aqui ou por outro lado. Essa passou-me literalmente ao lado mas também não estou curiosa

2- Não partilho a ideia que o VPV seja um cobarde e muito menos execrável, ainda que o VPV não venha a baila em nada do que escrevi ou que o outro melro tenha escrito

3- não me interessa absolutamente nada saber quem é ou que nome tem ou qualquer coisa mais sobre o dito ex-Acidental.

Como não tracei qualquer categorização de comportamentos ideológicos ou críticas artísticas de acordo com as ideologias que se tem.

Limitei-me a mostrar o ridículo e o tiro-no-pé disso tudo. Dessas muletas e desses preconceitos. Venham de onde vierem, são sempre iguais.

Por último limitei-me também a satirizar um comportamente por comparação de outra moda na "crítica" o vedetismo à coutinho.
Um micro-coutinho seja lá quem for ainda mais pequenino mas imitando-lhe os tiques sem ainda ser gente.

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quanto ao filme não sei mesmo de quem poderia ser. Eu sou muito mais simples e básica em tudo o que digo do que se possa imaginar.

zazie disse...

pontuação toda errada.